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Escavações do quartel-general de Wellington colocam Sobral de Monte Agraço no mapa

As escavações arqueológicas do Forte do Alqueidão, posto de comando do general Wellington, comandante das tropas luso-britânicas durante as invasões francesas, há 200 anos, colocaram Sobral de Monte Agraço no mapa em 2010, ao atraírem turistas.

O arqueólogo Artur Rocha, que coordenou os trabalhos, recorda à agência Lusa que o quartel-general estava identificado em cartografia histórica, mas era necessário pôr a descoberto a estrutura que só os especialistas conheciam.

Por ser estrategicamente o mais importante dentro das chamadas Linhas de Torres Vedras, “tinha uma dimensão muito grande”, superior à dos restantes fortes, obrigando os arqueólogos a dividir as campanhas arqueológicas pelos verões de 2009 e 2010.

À medida que as escavações foram decorrendo, os arqueólogos foram confirmando as descrições históricas. “Era o forte que estava melhor implantado. O Alqueidão domina um ponto muito importante em toda a estratégia de trânsito entre o norte e o sul da península. Para as tropas terem acesso a Lisboa, este seria um dos sítios onde elas mais facilmente conseguiriam concretizar esse objetivo”, explica Artur Rocha, para concluir que, com estas características, só poderia ser o forte usado pelo general inglês Wellington.

As escavações deste e de outros fortes, espalhados pelos concelhos de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira constituíram, para o arqueólogo, um “ponto de viragem”, pondo fim à degradação a que aquele património, constituído por fortes, redutos e estradas militares, esteve exposto durante 200 anos.

Por outro lado, ainda os trabalhos arqueológicos não tinham terminado, começaram a atrair visitantes e a “colocar o Sobral no mapa”.

Apesar de ser o concelho mais pequeno do distrito de Lisboa (10 mil habitantes) e com poucos atrativos turísticos, Sobral de Monte Agraço apostou neste património para se promover enquanto destino turístico.

Para o presidente da Câmara Municipal, José Alberto Quintino, Sobral de Monte Agraço ganhou importância histórica a nível europeu, agora reconhecida por todos, por terem emanado do Forte do Alqueidão as orientações que levaram as tropas luso-britânicas a derrotar os franceses e a obriga-los em definitivo a recuar sobre a conquista de Lisboa, contribuindo assim para pôr fim à estratégia de Napoleão Bonaparte de liderar a Europa.

Esse reconhecimento pelos outros municípios consubstanciou-se no facto de metade do investimento para a recuperação do património dos seis concelhos ter sido aplicado no concelho e na sua nomeação para presidir à Associação para o Desenvolvimento Turístico e Patrimonial das Linhas de Torres Vedras.

O Forte do Alqueidão e o Centro de Interpretação das Linhas de Torres, entretanto construído, passaram a “receber visitantes e a criar uma nova dinâmica económica na vila”, segundo o autarca.

Se entre 2010 e 2013, o património das Linhas dos seis concelhos da rota foi visitado por cerca de 15 mil pessoas, esses números têm aumentado nos últimos anos, passando a receber em média por ano cerca de 10 mil visitantes.

A atração turística deverá aumentar, pois como José Alberto Quintino explica, após todo o trabalho de recuperação é necessário, não só continuar a preservar o património, mas, acima de tudo, apostar num programa de promoção turística a nível internacional, sobretudo junto dos mercados ingleses e franceses.

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