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Estação do Campo Grande construída há 30 anos depois de sanado conflito com Sporting

Um diferendo de três anos entre o Metropolitano de Lisboa e o Sporting apenas permitiu que a construção da estação do Campo Grande, a primeira à superfície em Lisboa, se iniciasse em setembro de 1986, cumprem-se agora 30 anos.

Para a construção daquela estação, o Metro precisava de uns terrenos do clube de Alvalade e propôs, em 1983, a sua aquisição por 445 mil euros (89 mil contos na altura), mas o Sporting rejeitou e apresentou uma contraproposta de 1,75 milhões de euros (350 mil contos).

O conflito só seria resolvido em 1986, já com a intervenção do então presidente da Câmara de Lisboa, Nuno Krus Abecasis, tendo o Sporting recebido 710 mil euros (142 mil contos), valor que correspondia à atualização da proposta inicial do Metro tendo em conta a inflação.

A construção daquela estação inseriu-se numas grandes obras de ampliação da rede do Metropolitano que a empresa encetou naquele período e que prolongaram as linhas em mais oito quilómetros.

Até aí, o Metro tinha 20 estações divididas por duas linhas: uma que ligava Sete Rios a Alvalade – passando por Palhavã, São Sebastião, Parque, Rotunda, Avenida, Restauradores, Rossio, Socorro, Intendente, Anjos, Arroios, Alameda, Areeiro, Roma e Alvalade – e outra que ligava a Rotunda a Entrecampos, passando por Picoas, Saldanha e Campo Pequeno.

Além do Campo Grande, foram também construídas as estações das Laranjeiras, Alto dos Moinhos, Colégio Militar/Luz e Cidade Universitária.

Na altura, as linhas do Metro ainda não tinham sido distinguidas por nome ou cores.

Além de ser a primeira à superfície em Lisboa, a estação do Campo Grande uniu aquelas que viriam a ser batizadas de linha verde e amarela e tornou-se também num emblemático interface com os transportes rodoviários.

O projeto de arquitetura da estação é do arquiteto Ezequiel Nicolau e os seus ornamentos são da autoria do pintor Eduardo Nery.

Durante o conflito entre Metro e Sporting, as obras de ampliação da rede do Metropolitano, que já tinham arrancado, tiveram de parar, o que atrasou tudo, tendo a empresa chegado a apresentar um pedido de expropriação por utilidade pública dos terrenos para acelerar a construção do Campo Grande.

Para a construção da estação foi necessário destruir o emblemático pavilhão gimnodesportivo de hóquei e basquetebol do Sporting.

As obras de ampliação deveriam ter terminado em 1988, mas atrasaram-se cinco anos. Além disso, custaram cinco vezes mais do que o inicialmente previsto e a fatura final rondou os 100 milhões de euros (20 milhões de contos). A construção da estação do Campo Grande estava inicialmente orçada em cerca de (400 mil contos), mas também custou mais.

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