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Outubro 1986
  • 31 Out 1986

    Mota Amaral desafiado a demarcar-se de separatismo nos Açores

    Por: Pedro FigueiredoFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    No Parlamento, o presidente do Governo Regional dos Açores, Mota Amaral, é desafiado a demarcar-se claramente dos movimentos separatistas da região autónoma e a mover um processo-crime contra o líder separatista açoriano José de Almeida que, em entrevista a um semanário, o classificou como “um agente duplo”, com quem manteve “vários encontros a sós”. José de Almeida admitiu ainda haver na sua organização quem preconizasse o “afrontamento ao nível das armas”. “Com efeito, José de Almeida revela na citada entrevista ter tido vários encontros secretos com Mota Amaral que, segundo o líder separatista, redigiu os estatutos da Frente de Libertação dos Açores (FLA)”, pode ler-se no Diário de Notícias (DN). Em conferência de imprensa na Assembleia da República, o socialista Almeida Santos lembrou que “é crime propor a separação de uma parcela do território da mãe-pátria”. Antes, o deputado do PCP José Magalhães envolveu-se no hemiciclo numa acesa polémica com o deputado açoriano Vargas Bulcão.

    Em Lisboa, o candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais apresenta em conferência de imprensa a “Fundação Portugal Século XXI”, um projeto que o próprio Freitas do Amaral encabeça e que se apresenta como um “centro de debate, fábrica de ideias, foco de informação, elemento revitalizador da sociedade e instrumento ativo de promoção cívica”.

    Quatro anos depois da guerra das Malvinas, que opôs o Reino Unido à Argentina pelo controlo das ilhas situadas no Atlântico Sul, a Argentina reacende o conflito com Londres, considerando “a decisão britânica de criar uma zona de exclusão em redor das Malvinas como uma agressão a um território de um país membro do TIAR [Tratado Interamericano de Assistência Recíproca]”, escreve o DN. A Argentina ameaçou levar o tema da “nova crise com a Grã-Bretanha aos organismos internacionais como as Nações Unidas, o Movimento dos Países Não Alinhados e a Organização dos Estados Americanos”.

  • 30 Out 1986

    Constâncio promete “programa de governo” do PS

    Por: Pedro FigueiredoFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    Os sinais de que o governo minoritário de Cavaco Silva poderia estar a prazo avolumam-se. Em entrevista ao Diário de Notícias (DN), o líder do PS, Vitor Constâncio assegurava que até fevereiro de 1987 os socialistas estariam dotados de “um programa de governo”, que já começara a ser elaborado por um “gabinete sombra”, embora dissociando a iniciativa do espetro de eventual derrube do governo. “Esta preocupação dos socialistas denota que o maior partido da oposição se prepara para um confronto eleitoral a breve prazo ou para a substituição do governo no quadro parlamentar atual ? Vitor Constâncio não afasta nenhuma das possibilidades. Esclareceu, porém, que o objetivo essencial do programa a elaborar é diverso: ele pretende que as soluções para as grandes questões nacionais sejam debatidas e votadas nos órgãos do partido, de modo a prevenir eventuais situações de pressa eleitoral em que tal documento acabe por ser redigido em escassas duas semanas”, pode ler-se no DN.

    Em África sobem também de tom as acusações de responsáveis políticos à África do Sul relativamente à queda do avião que vitimou o presidente moçambicano, Samora Machel. O presidente zambiano Kenneth Kaunda tornara-se o primeiro chefe de Estado africano a acusar diretamente Pretória pelo sucedido – “devemos sublinhar que existem provas circunstanciais suficientes para responsabilizarmos diretamente a África do Sul”, disse, citado no DN.

    O Departamento de Estado norte-americano afirmou, por seu turno, “não ter provas que impliquem a África do Sul” na morte de Samora Machel.

  • 29 Out 1986

    Mário Soares convida José Eduardo dos Santos para visitar Portugal

    Por: Pedro FigueiredoFoto LusaFoto Lusa

    Em Maputo para participar nas cerimónias fúnebres do presidente moçambicano Samora Machel, Mário Soares manteve com o seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, o “primeiro encontro na qualidade de Presidente da República”. No final, Soares congratular-se-ia por estarem “criadas condições muito favoráveis para desenvolver as relações entre Portugal e Angola”. “A reunião, que durou cerca de 45 minutos, foi considerada por Soares como ´muito significativa´ pelo facto de não envolver apenas os dois chefes de Estado mas também os responsáveis pelas respetivas diplomacias, Pires de Miranda e Afonso Van Dunen. No final, Soares anunciou ter renovado o convite a Eduardo dos Santos para uma visita oficial a Portugal, referida como “muito provável” por fontes diplomáticas.

    Em Paris para “contactos com os setores mais conservadores de França”, o líder da UNITA, Jonas Savimbi, “reuniu-se com alguns correspondentes portugueses a quem informou que da recusa de visto por parte da embaixada portuguesa para se deslocar a Portugal”.

    Na Assembleia da República, Fernando Amaral era reeleito presidente da instituição, com 131 votos favoráveis, dos 187 deputados que participaram no escrutínio. “O deputado social-democrata é o primeiro parlamentar a ser eleito para terceiro mandato desde o 25 de abril de 1974 e necessitava de que os votos favoráveis fossem mais de metade dos expressos”, noticiava o Diário de Notícias.

  • 28 Out 1986

    Frelimo promete construir o país sonhado por Machel

    Por: Pedro Figueiredo

    O vespertino Diário de Lisboa (DL) pôde reproduzir na sua edição os momentos mais marcantes das cerimónias fúnebres do presidente moçambicano, Samora Machel. “Juramos construir o Moçambique que sonhaste”, titula o diário a toda a largura da primeira página, reproduzindo as palavras do “número dois” da Frelimo, Marcelino dos Santos, a quem coube fazer o “elogio fúnebre do presidente. “Durante a leitura, Marcelino dos Santos comoveu-se por diversas vezes ao recordar a ação e a figura de Samora Machel. O número dois da Frelimo apontou como objetivos de ação a liquidação do ´banditismo armado´ e da ´agressão externa´. ´Juramos construir o Moçambique com que sonhaste, desenvolvido e próspero, a pátria socialista moçambicana´”, começa por relatar o enviado do DL, José António Cerejo. “O cortejo fúnebre começou a movimentar-se do Palácio do Conselho Executivo para a Praça dos Heróis, que será a última morada de Machel quando faltavam cinco minutos para as 11 horas locais. O céu estava cinzento e caía uma chuva miudinha: um tempo que faz recordar o que diz o povo do Sul de Moçambique, ou seja, se chove nas vésperas ou no dia em que alguém vai a enterrar é porque essa pessoa só podia ser boa”, escreve o jornalista.

    Em Portugal, a subcomissão parlamentar para a TV privada ouvia o ex-primeiro-ministo Francisco Pinto Balsemão, “uma das partes interessadas na concessão de um canal à iniciativa privada”. “O consórcio representado por Balsemão, denominado SIC (Sociedade Independente e de Comunicação) é constituído por empresas jornalísticas, entre elas as que editam o semanário ´Expresso´ e ´O Jornal´, a que se deverão juntar outras do setor audiovisual”, escreve o DL.

  • 27 Out 1986

    Governo reduz empresas públicas de comunicação social

    Por: Pedro FigueiredoFoto ANTÓNIO COTRIMFoto ANTÓNIO COTRIM

    “Jornais, rádio e TV: governo cede ao setor privado”, titula o Diário de Lisboa (DL), noticiando o decreto-lei governamental “que regula a reprivatização das empresas públicas de comunicação social”. “O referido diploma, hoje publicado em Diário da República, manifesta a intenção governamental de reduzir o setor público de comunicação social a um jornal diário, um canal de TV e um canal de rádio”, pode ler-se. “No preâmbulo ao presente diploma, assinado pelo Presidente da República e pelo primeiro-ministro, o governo destaca ser seu objetivo prioritário a redução do setor público de comunicação social de forma que ao Estado passe a pertencer apenas um jornal, um canal de televisão, um canal de rádio e uma agência noticiosa”, escreve o DL. “Quanto às agências noticiosas, o processo de fusão da Anop com a NP está praticamente concluído, pelo que ficam cumpridas as intenções governamentais. No que se refere aos jornais, a intenção de manter apenas um diário na dependência do Estado aponta para a reprivatização do ´Jornal de Notícias´, do ´Comércio do Porto´, de ´A Capital´ e do ´Diário Popular´, devendo ficar o ´Diário de Notícias´ como único jornal estatizado”, refere ainda o vespertino.

    O Presidente da República tinha chegado entretanto à capital moçambicana, encabeçando uma “delegação de 40 elementos” de que também fazia parte o ex-Presidente português Ramalho Eanes, para participar nas cerimónias fúnebres de Samora Machel. “Os restos mortais de Samora Machel encontram-se desde sexta-feira em câmara ardente no salão nobre do Conselho Executivo da capital moçambicana, por onde passaram já centenas de milhar de pessoas. O luto não faz esquecer, contudo, as dúvidas existentes quanto às causas do desastre que vitimou Machel, tendo as autoridades moçambicanas responsabilizado a África do Sul pela morte do seu líder”, escreve o DL.

  • 26 Out 1986

    Portugal e Espanha ultrapassam “pequenos contenciosos”

    Por: Pedro Figueiredo

    Em Guimarães, na primeira cimeira entre os dois países desde a adesão à CEE, Portugal e Espanha “superam ´pequenos contenciosos´”, como titula o Diário de Notícias (DN). “Os primeiros-ministros de Portugal e Espanha ultrapassaram ontem [sábado] em reunião cimeira na cidade de Guimarães, ´pequenos contenciosos existentes entre ambos os Estados´, os quais eram impeditivos de um relacionamento normal, segundo as palavras de Felipe González, corroboradas por Cavaco Silva, no final do encontro”, escreve o DN, em notícia de primeira página ladeada por uma fotografia dos dois responsáveis políticos num intervalo do encontro, aproveitado para “observar o panorama da cidade de Guimarães”. O comunicado oficial da cimeira sublinha ainda que os dois países concordaram “na necessidade de reduzir os desequilíbrios financeiros existentes ao nível das trocas comerciais, no quadro de um crescimento harmónico”.

    À margem da cimeira foi também notícia a tentativa de manifestação de “uma centena” de trabalhadores têxteis com salários em atraso”, reprimida com uma “carga policial, da qual resultou um ferido com alguma gravidade”. O Sindicato dos Jornalistas aproveitou também a oportunidade para divulgar um documento comparando a situação salarial dos jornalistas portugueses e dos seus congéneres espanhóis. “O órgão representativo dos jornalistas portugueses diz, num documento distribuído no final da cimeira luso-espanhola, que os profissionais de informação de Portugal ´ganham em média seis vezes menos que os seus camaradas europeus”.

  • 25 Out 1986

    Portugal e Espanha reúnem-se pela primeira vez após adesão à CEE

    Por: Pedro Figueiredo

    Na primeira página do Diário de Notícias (DN), o destaque é atribuído para a “barreira de silêncio” em torno dos “temas a tratar durante a cimeira luso-espanhola, a decorrer em Guimarães” – “a primeira que se realiza depois da adesão de Portugal e da Espanha à CEE e em que os dois países, a nível de chefes de governo, procuram novos caminhos para o futuro”, pode ler-se. “Não se trata de negociações propriamente ditas, mas da análise de dossiers sobre várias áreas que vão desde a cooperação no setor industrial, às relações comerciais e culturais. Temas como as pescas e as regras de origem não serão abordados”, afiança ainda o jornal.

    Em Setúbal, os “trabalhadores rurais dos distritos da zona da Reforma Agrária” concentraram-se em frente ao Governo Civil “e procederam à distribuição de um documento em que sob o título ´Apelo ao Povo Português´, chamam a atenção para o que consideram a ´ilegalidade dos assaltos do governo contra a Reforma Agrária”. “As ilegalidades do governo vão ao ponto de desprezar e recusar a aplicação de 356 acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo favoráveis às unidades coletivas de produção e cooperativas, chegando-se a pretender retirar áreas de reserva superiores às que restam às UCP”, pode ler-se no DN.

    Em Maputo, começa a ganhar corpo a tese de que a queda do avião em que seguia o presidente moçambicano fora provocada por um atentado. “A imprensa oficial moçambicana atribui a Pretória a responsabilidade pelo acidente aéreo que vitimou o Presidente Samora Machel. Segundo os observadores, esta tese é perfilhada pelas autoridades de Maputo, que não aceitam a hipótese de acidente”, escreve o DN.

  • 24 Out 1986

    Eanes admite que PRD desperdiçou “capital de esperança”

    Por: Pedro FIgueiredo

    Numa entrevista premonitória publicada pelo Diário de Notícias (DN), o recém-eleito líder do Partido Renovador Democrático (PRD), Ramalho Eanes, admitia que partido tinha “cometido erros” e desperdiçado “capital de esperança”. “Julgo que o PRD desperdiçou algum capital de esperança. A população exigiu muito dele ao oferecer-lhe 18 por cento [dos votos, mas eleições legislativas de 1985]”, comentou então o ex-Presidente da República. Nas eleições legislativas de 1987, que deram ao PSD e a Cavaco Silva a sua primeira de duas maiorias absolutas consecutivas, o PRD perderia o apoio de mais de 760 mil eleitores em relação ao escrutínio de 1985, ficando reduzido a 4,91 por cento dos votos e a uma bancada parlamentar de sete deputados (contra os 45 mandatos de que ainda dispunha no hemiciclo de São Bento).

    Em Pequim, terminava a terceira ronda de conversações entre delegações governamentais portuguesas e chinesas sobre o futuro de Macau, com o DN a noticiar a existência de uma “ampla convergência de posições”. “As delegações dos dois países decidiram criar um grupo de trabalho delas dependente, que iniciará o seu funcionamento em Pequim, ´num futuro próximo´ (…) com o objetivo de ´proceder à discussão e revisão pormenorizada dos projetos de acordo apresentados nas conversações sino-portuguesas”, escrevia o DN.

    A imprensa do dia retomava ainda o tema incontornável da morte do presidente moçambicano, indicando não existirem “indícios de explosão no ´Tupolev´ em que viajava” Samora Machel”. “A hipótese de a torre de controle do aeroporto de Maputo ter tido alguma influência no desastre de aviação que vitimou o presidente de Moçambique está absolutamente afastada. Também não existem indícios de que se tenha registado qualquer explosão no aparelho ou que tenha sido atingido por projéteis”, escrevia o DN. “De acordo com fontes moçambicanas não oficiais, tudo aponta para que tenha havido um erro humano na causa do acidente, embora restem por esclarecer muitos pormenores”, pode ainda ler-se. O nome de Joaquim Chissano começa a surgir como a hipótese mais provável para suceder a Samora Machel na chefia do Estado moçambicano.

  • 23 Out 1986

    Mário Soares nas cerimónias fúnebres de Samora Machel

    Por: Pedro FigueiredoFoto LusaFoto Lusa

    A imprensa do dia noticia que Portugal se fará representar nas cerimónias fúnebres do presidente moçambicano, Samora Machel, por uma delegação chefiada pelo chefe do Estado, que integra ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros, Pires de Miranda, além de “convidados pessoais de [Mário] Soares e as delegações partidárias”, como escreve o Diário de Notícias (DN). Paralelamente, o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) estava a analisar um pedido de Otelo Saraiva de Carvalho “para assistir ao funeral” de Samora Machel. “Romeu Francês [advogado de Otelo] disse que o tribunal que, há um ano, está a julgar o caso FP-25 considerou que “qualquer saída precária que venha a ter lugar é da competência das autoridades militares”, pode ler-se no DN. Entretanto, a embaixada sul-africana em Lisboa adiantou que “a investigação preliminar da queda do avião” em que seguia Samora Machel “será efetuada por representantes da África do Sul, Moçambique e União Soviética”.

    A recente reunião entre delegações governamentais de Portugal e China sobre o futuro de Macau continuava a ser notícia, com o DN a avançar que Lisboa e Pequim “terão já chegado a acordo em que a transferência da administração de Macau se verifique em data posterior à da integração na soberania chinesa de Hong Kong, fixada, por acordo entre as autoridades chinesas e britânicas, para 1997”. “A pretensão portuguesa acerca da diferenciação dos processos negociais de Hong Kong e Macau era já conhecida, havendo indicações anteriores de que Pequim estaria em princípio de acordo em distanciar as datas de transferência de poder, embora rejeitando a proposta de Lisboa de que fosse dilatada para além do ano 2000”. A transferência acabaria por se realizar a 20 de dezembro de 1999.

  • 22 Out 1986

    Funeral de Samora Machel marcado para 28 de outubro

    Por: Pedro Figueiredo

    Em Maputo preparam-se as cerimónias fúnebres do presidente moçambicano e das restantes vítimas do acidente aéreo. O funeral de Samora Machel, noticia o DN, foi agendado para dia 28. Começam entretanto a emergir os primeiros pormenores dos acontecimentos e a acender-se a querela sobre as causas. A imprensa sul-africana, citada pelo DN, admite que o acidente se deveu a um “provável erro de localização” por parte do “piloto soviético que dirigia o Tupolev 134A” onde seguia Samora Machel. Terá “tomado erradamente as luzes de uma pequena cidade sul-africana pelas de Maputo, momentos antes de embater contra uma montanha”. “Aparentemente, o piloto tomou erradamente as luzes de Komatipoot pelas de Maputo (…) em vez de virar para leste, em direção a Maputo, voltou para ocidente, rumo ao espaço aéreo sul-africano”, refere o DN. “Investigadores dizem que o despenhamento aconteceu após uma tentativa falhada para aterrar em Maputo. Acrescentaram que o piloto falhou a primeira tentativa de aproximação para aterrar e fez um voo em círculo para efetuar uma nova. Um controlador de tráfego aéreo em Maputo afirmou que o piloto havia comunicado que já avistava a pista quando pretendia fazer a segunda tentativa e momentos depois comunicou que a ´havia perdido´”, pode ainda ler-se. “Os controladores disseram-lhe, então, para fazer uma aproximação com base nas indicações fornecidas pelos instrumentos, mas o piloto respondeu que não podia captar os rádio-faróis do aeroporto de Maputo. Pilotos que operavam na faixa aérea próxima de Komatipoort revelaram que o acidente ocorreu durante uma violente trovoada, o que poderá ter afetado os instrumentos do aparelho”, prossegue o DN. O Diário de Lisboa (DL) adiantava, por seu turno, que o presidente da Zâmbia, Kennet Kaunda, responsabilizava a África do Sul pelo acidente e em Harare “milhares de negros zimbabueanos desfilaram pelas ruas e atacaram escritórios sul-africanos e malauianos”.

    Em Portugal, Freitas do Amaral falava pela primeira vez à imprensa desde a derrota nas últimas eleições presidenciais frente a Mário Soares, admitindo um “regresso à atividade política”. “Freitas do Amaral disse não pretender ´ficar reduzido´ à perspetiva de se candidatar de cinco em cinco anos à Presidência da República, admitindo outras formas de intervenção na vida política ativa”, escreve o DN.

  • 21 Out 1986

    Samora Machel morre em acidente aéreo

    Por: Pedro FigueiredoFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    A morte trágica do presidente moçambicano, Samora Machel, num acidente de avião faz manchete em toda a imprensa nacional do dia. “Consternação em todo o mundo pela morte de Machel”, escreve o Diário de Lisboa (DL), “Frelimo reunida em Maputo procura sucessor de Machel”, noticia o Diário de Notícias (DN). “O avião que transportava o presidente moçambicano, Samora Machel, de regresso da reunião da Linha da Frente, na Zâmbia, despenhou-se domingo à noite na província sul-africana de Natal, revelou ontem [segunda-feira] um comunicado governamental. O aeroporto de Maputo foi encerrado a todo o tráfego aéreo na sequência da queda do avião”, podia ler-se no DN. As informações eram ainda escassas, sabendo-se apenas que Samora Machel viajava juntamente com 37 pessoas num “bimotor ´Tupolev´ de fabrico soviético, que “fazia a rota Beira-Maputo através da costa”, “utilizada frequentemente no regresso da Zâmbia”. Os corpos das vítimas do acidente, entre os quais o do presidente moçambicano, tinham começado a chegar a Maputo e uma delegação moçambicana tinha já partido para a África do Sul com o intuito de “apurar as causas do despenhamento”. O DN cita uma fonte anónima que fala numa “coincidência muito estranha”, apesar de admitir que os elementos disponíveis apontam para “um acidente”. Em Londres, o Presidente da República, Mário Soares, dava conta da sua consternação pelo desaparecimento de “um amigo de Portugal e um homem que soube ultrapassar todos os ressentimentos”. “Mário Soares indicou que ontem [segunda-feira] de manhã esteve em contacto telefónico com o primeiro-ministro, Cavaco Silva, para se inteirar da situação”, adianta o DN.

    Em Pequim iniciava-se a terceira fase das conversações entre delegações governamentais portuguesas e chinesas sobre o processo de transferência de Macau para a China. “Fontes diplomáticas têm indicado como provável que até final do ano fique concluída a negociação sobre parte significativa do futuro acordo, o qual deverá ser formalmente assinado em 1987”, noticia o DN.

  • 20 Out 1986

    Ramalho Eanes contra “crises artificiais”

    Por: Pedro FigueiredoFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    "Usando pela primeira vez da palavra" como líder do PRD, perante "uma assembleia completamente presa das suas palavras" no encerramento da II Convenção renovadora, Ramalho Eanes declarou a indisponibilidade do seu partido para "promover crises artificiais", afirmando o empenho dos renovadores em que avolumem crises "criadas por terceiros". Numa intervenção "longa e com duas partes distintas", o ex-Presidente da República lembrou que o PRD "viabilizou o executivo chefiado por Cavaco Silva" e salientou "que tem consentido na sua manutenção por ser 'oposição responsável'". "Depois, acrescentaria que os renovadores 'não desejam eleições antecipadas por serem nocivas à democracia e ao país' e não 'por terem dúvidas' ou 'falta de confiança no resultado' de uma consulta ao eleitorado", pode ler-se no DN.

    No encerramento do congresso da JSD, Cavaco Silva "fez a análise da atual política governamental" e afirmou o PSD como "o partido do diálogo", mas que não receia o veredicto popular. "Portugal não precisa de mais crises políticas. Se esses que anunciam as crises insistirem nos seus intentos, aguardaremos com serenidade que se faça o apuramento da vontade generalizada do povo português", declarou o líder do PSD.

    De partida para uma viagem de oito dias à Áustria, Hungria, Roménia, Bulgária e Checoslováquia, o líder do PCP, Álvaro Cunhal, assegurou: "a luta em defesa da democracia e por uma alternativa democrática em Portugal vai intensificar-se".

  • 19 Out 1986

    Convenção do PRD decide “restrição à liberdade de voto” dos deputados

    Por: Pedro Figueiredo

    Na convenção do PRD, a decorrer no Porto, foram necessárias "sete horas de debate" para aprovar os estatutos do partido, que alargaram o âmbito das matérias em que passaria a ser observada a disciplina de voto. "A restrição à liberdade de voto dos deputados e as questões da autonomia das organizações de juventude e dos trabalhadores do partido foram os pontos que mais polémica desencadearam entre os participantes. Até agora, os deputados do PRD só não tinham liberdade de voto em questões como programas de governo, moções de censura e de confiança, grandes opções do plano e orçamento e, mesmo assim, só no caso de governo de que o PRD fizesse parte", escrevia o DN.

    À margem da "visita particular" que efetuava ao Reino Unido, o Presidente da República, Mário Soares tinha agendado um encontro no início da semana com a primeira-ministra britânica, Margaret Tatcher. "Admite-se que os dois dirigentes abordem questões ligadas à situação na África Austral e troquem informações sobre a cimeira de Reiquejavique [entre o presidente norte-americano, Ronald Reagan, e o seu homólogo soviético, Mikhail Gorbachev]", escrevia o correspondente do Diário de Notícias em Londres, Fernando de Sousa. Na semana seguinte, Soares seguiria para Paris, onde tinha já agendada um encontro com o seu homólogo francês, François Miterrand.

  • 18 Out 1986

    Constâncio diz que PS está “pronto para assumir suas responsabilidades”

    Por: Pedro FigueiredoFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    A escalada verbal que sinalizava já o fim prematuro do governo minoritário chefiado por Cavaco Silva intensifica-se. "O líder socialista, Vítor Constâncio, disse ontem [sexta-feira] que, em caso de crise, o PS ' está preparado para assumir as suas responsabilidades, incluindo responsabilidades governativas. O secretário-geral do PS, que falava à chegada a Lisboa, vindo da Alemanha Federal, reafirmou que a situação do governo 'é precária e não se pode prolongar por muito tempo'", escreve o Diário de Notícias (DN). Na mesma ocasião, Vítor Constâncio admitia que antecipar as eleições não era "a única saída". "Adiantou que os socialistas 'não têm receio de eleições, pois as sondagens dão um aumento de votação no PS".

    No Porto, Cavaco Silva criticava asperamente a obstaculização à ação do executivo verificado no Parlamento. "Ao inviabilizar o diploma do governo, certa oposição pretende que continuem a verificar-se os desperdícios de milhões de contos que poderiam ser aplicados na criação de postos de trabalho", lamentou então Cavaco Silva.

    Há 30 anos, em Budapeste, numa "reunião de pilotos espaciais" o antigo astronauta norte-americano Russel Schweikart salientava a sua convicção de que "o homem poderá viver e trabalhar no planeta Marte num futuro não muito distante. "Segundo Schweikart, que tripulou a nave Apolo 8, o nível já atingido pela técnica humana permitirá brevemente aos jovens de hoje viver e trabalhar amanhã em Marte", asseverou o astronauta, citado pelo DN.

  • 17 Out 1986

    Orçamento para 1987 privilegia investimento e redução da inflação

    Por: Pedro Figueiredo

    A proposta de Orçamento do Estado para 1987, entregue na véspera na Assembleia da República, começava a ser esmiuçada pela imprensa, que falava na aposta do governo em “reduzir a inflação e reforçar o investimento produtivo”. “O défice previsto no Orçamento atinge 434,5 milhões de contos, o que equivale a 8,9 por cento do PIB (...) Em 1987, as necessidades de financiamento, incluindo juros, elevam-se a 617,1 milhões de contos 12,6 por cento do PIB), enquanto as amortizações de dívida ascendem a 182,6 milhões de contos. A dívida pública no próximo ano está estimada em 3365,3 milhões de contos, o equivalente a 68,9 por cento do produto interno bruto”, escrevia o DN. No documento, o executivo previa uma inflação entre oito e nove por cento e uma ligeira aceleração do crescimento do PIB, para quatro por cento.

    O executivo minoritário chefiado por Cavaco Silva somava revezes na Assembleia da República no arranque da nova sessão legislativa. Na mesma sessão foram chumbados pela oposição o decreto-lei que extinguia a Companhia Nacional de Petroquímica, o diploma que desmembrava a Empresa Pública de Abastecimento de Cereais (EPAC) e o decreto-lei que criava a nova empresa de silos portuários, a Silopor.

    Partido sensação das eleições legislativas de 1985, o PRD iniciava no Porto a sua II Convenção, conclave em que foi apresentado o programa do partido "contemplando oito grandes capítulos, da organização político-administrativa do Estado (que inclui a reforma constitucional) à política externa e de defesa, passando pelo modelo de desenvolvimento socioeconómico, pelas questões da regionalização, de trabalho e relações laborais, política social e educação, ciência e tecnologia e cultura e comunicação social" - como se pode ler no Diário de Notícias (DN). O momento alto da reunião magna do PRD estava agendado para domingo, dia em que o ex-Presidente da República Ramalho Eanes iria ser eleito para a presidência do partido.

  • 16 Out 1986

    Cavaco pede “estratégia de ataque à oposição”

    Por: Pedro Figueiredo

    No encerramento das jornadas parlamentares do PSD, Cavaco Silva endurecia o discurso e propunha uma “estratégia de ataque à oposição” – como titula o Diário de Notícias (DN). “O primeiro-ministro considerou que a atual oposição da Assembleia da República representa “a esquerda arqueológica” e que “a esquerda moderna está no Partido Social Democrata. O presidente do PSD disse que a AR ‘será o palco privilegiado da oposição’ nos próximos tempos, acrescentando que essa oposição procurará ‘chamar a atenção sobre si própria’, frisando que a sua preocupação “não serão os portugueses”. A menos de um ano do derrube do governo minoritário que então chefiava, Cavaco Silva frisou ainda que os sociais-democratas só admitiam um novo executivo “após a atualização da vontade popular, através do voto”.

    “Agência de Notícias Lusa arranca dia 01 de Janeiro”. O título do DN reproduzia a garantia deixada pelo secretário de Estado da Comunicação Social, Marques Mendes, na cerimónia de posse da comissão instaladora da Lusa, que começaria a funcionar em pleno a 01 de janeiro de 1987. “Marques Mendes considerou que a solução encontrada para o problema das agências foi ‘a melhor’, insistindo na existência de ‘consenso’ e no ‘diálogo’ entre as duas partes”, escreve o DN.

    Três soldados soviéticos sorridentes com o anunciado regresso a casa, de arma a tiracolo, diante de um veículo blindado ilustravam em foto de primeira página no Diário de Notícias (DN) a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão. “A União Soviética deu início à prometida retirada de seis batalhões das suas forças militares no Afeganistão, cerca de oito mil homens, conforme fora previamente anunciado por [Mikhail] Gorbachev”, regista o DN.

  • 15 Out 1986

    Cavaco elogia Soares e ataca oposição

    Por: Pedro Figueiredo

    “Cavaco ´cola-se´ à popularidade de Mário Soares e ataca oposição”. A manchete do Diário de Lisboa (DL) traduz os “elogios ao Presidente da República” e o “ataque cerrado a toda a oposição” feito pelo então primeiro-ministro e líder do PSD, Cavaco Silva, no encerramento das jornadas parlamentares sociais-democratas. “Se sobre o PCP a atuação esperada será ´muito clara´ visando a substituição do governo, ´mas sem eleições´, já quanto ao PS a ideia é de que ´procurará conquistar o direito a ser polo da oposição´. Para tal, prossegue Cavaco, ´o PS inventará todos os dias a sua pequena crise´ e ´vai exigir todos os dias a presença do governo na Assembleia da República para lhe dificultar as suas funções”, escreve o DL. ”Assistiremos a uma luta entre o PS, PRD e PCP pela liderança da esquerda”, vaticinou ainda Cavaco Silva, criticando também o CDS por “não identificar os seus adversários”. Apresentando o PSD como “um referencial de estabilidade e progresso”, o então primeiro-ministro elogiou o Presidente da República, Mário Soares, e a “correspondência no diálogo” que por aqueles dias evidenciavam as boas relações com Belém.

    Na véspera, na habitual “reunião semanal com os jornalistas acreditados em Belém”, o chefe da Casa Civil de Mário Soares, Alfredo Barroso, aproveitou para esclarecer que o Presidente da República “não emite juízos de valor sobre a atuação do governo” e “não fará pública ou privadamente qualquer apreciação à política do executivo”. “Se o fizer, fá-lo-á diretamente ao primeiro-ministro nos momentos adequados”, disse. A clarificação surgiu após uma “inconfidência do Presidente da Venezuela”, Jaime Lusinchi, que terminara dias antes uma visita oficial a Portugal. “Segundo Alfredo Barroso, o Presidente Soares informou o seu homólogo venezuelano do ´clima de apreciável estabilidade política que atualmente se vive em Portugal, da conjuntura económica favorável à criação de melhores condições de bem estar social e das melhores relações institucionais que mantém com os demais órgãos de soberania”.

  • 14 Out 1986

    Constâncio diz que PS pode “desencadear crise política”

    Por: Pedro FigueiredoFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    A escassos meses de o governo ser derrubado através da aprovação de uma moção de censura no Parlamento, o líder socialista intensifica a pressão sobre o executivo minoritário chefiado pelo social-democrata Cavaco Silva. “O PS está disposto a desencadear uma crise política”, disse Vitor Constâncio, de partida para Madrid, onde iria encontrar-se com o primeiro ministro espanhol e líder do PSOE, Felipe Gonzalez. O líder socialista justificou a posição do PS com uma situação política nacional que considerou “precária” e que não podia “durar por muito mais tempo”. “O secretário geral do PS disse que a crise será provocada ´se o governo continuar com estes procedimentos de distorção dos mecanismos democráticos´, ou seja, ´o secretismo das decisões, o controlo da informação e a passividade e a falta de transparência na política externa”, podia ler-se no diário. “A situação política agravou-se ultimamente, o Governo acentuou a guerrilha institucional com o Parlamento e existem índices de descoordenação de política, com os ministros a utilizarem critérios diferentes”, afirmou então Vitor Constâncio.

    Na sua edição, o DN regressa ao tema internacional do momento – a cimeira de Reiquejavique entre Ronald Reagan e Mikhail Gorbatchev – para noticiar as palavras do secretário de Estado norte-americano, George Schultz, para quem o encontro entre os dois protagonistas da Guerra Fria tinha sido afinal um “tremendo sucesso”. “Foi um tremendo sucesso, na medida em que, apesar da falta dos acordos, foi possível colocar todas as questões de uma forma tão precisa que não deixará de ter consequências para a continuidade das conversações”, declarou então o responsável norte-americano, numa reunião na sede da Aliança Atlântica, em Bruxelas.

  • 13 Out 1986

    “Guerra das Estrelas” compromete cimeira da Islândia

    Por: Pedro Figueiredo

    “´Guerra das Estrelas´ impede êxito na Islândia”. A manchete do Diário de Notícias dava conta da deceção perante os resultados da cimeira que, durante 11 horas, juntou na capital da Islândia o presidente norte-americano, Ronald Reagan, e o seu homólogo soviético, Mikhail Gorbachev. “Quase chegaram a acordos de amplo alcance sobre controlo de armas, mas abandonaram o esforço devido a um conflito sobre a Iniciativa de Defesa Estratégica”, podia ler-se no DN. “Tornou-se cada vez mais claro que o objetivo da União Soviética era acabar, efetivamente, com o programa SDI (Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida por Guerra das Estrelas), procurando ao mesmo tempo, uma alteração do Tratado ABM (Tratado de Mísseis Balísticos)”, afirmou o secretário de Estado norte-americano George Schultz, citado pelo DN. Também em conferência de imprensa, o líder soviético falava num impasse internacional, que não pôde ser ultrapassado em Reiquejvique. “Todos estamos a aproximar-nos de um ponto de não regresso, no qual uma nova fase da corrida às armas poderá começar com consequências militares e políticas imprevisíveis”, advertiu.

    Em Portugal “milhares de pessoas, indiferentes ao temporal” acorreram ao Santuário de Fátima para a peregrinação internacional do 13 de outubro. Procurando ilustrar o crescimento constante do número de peregrinos que rumam ao Santuário de Fátima por esta altura, o DN contabilizava em 23.647 o número de refeições servidas em 1985, em contraste com as 15.039 servidas em 1976. “Como nos referiu um grupo de peregrinos do concelho de Coimbra, ´hoje já não é a promessa ou a falta de recursos económicos que nos fazem meter a caminho, rumo a Fátima, mas mais espírito de sacrifício”, escreve o DN.

  • 12 Out 1986

    Mota Amaral defende “Portugal no Atlântico”

    Por: Pedro FigueiredoFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    Nas comemorações dos dez anos da autonomia regional, o então presidente do Governo Regional, Mota Amaral, disse pretender que os Açores deixem de ser “um território de Portugal, para serem cada vez mais Portugal no Atlântico”. Em Toronto, perante uma plateia de cerca de 400 pessoas, “na grande maioria emigrantes açorianos”, Mota Amaral declarou: “não há que ter medo da identificação cultural das gentes dos Açores”.

    Em Portugal, prosseguia a visita do presidente venezuelano, que chamou a atenção para a “ignorância mútua das potencialidades” como um dos maiores entraves à existência de “mais acordos entre Portugal e a Venezuela”. “O presidente venezuelano enumerou as áreas económicas onde pode ser encontrada uma relação de complementaridade entre Portugal e o seu país”, pode ler-se no Diário de Notícias (DN). Acompanhado pelo seu homólogo português, Mário Soares, Jaime Lusinchi recebeu o título de sócio honorário da Associação Industrial Portuguesa (AIP) e almoçou em seguida com o então primeiro ministro, Cavaco Silva.

    O Diário de Notícias assinalava também o aprazado nascimento da nova agência noticiosa portuguesa. “Lusa é o seu nome. Parece uma marca de sabonete, mas é uma agência noticiosa. Instala-se para a semana. O seu objetivo é o de tentar lavar as nódoas deixadas por desastrosas políticas de informação anteriores que permitiram a insólita coexistência de duas agências custeadas pelo Estado ? Não apagará, porém, o nome daqueles que, tendo da política a noção de um exercício de irresponsabilidade, se impuseram nos rodapés das páginas da história da informação em Portugal”, escrevia o diário.

  • 11 Out 1986

    Sismo em San Salvador arrasa “meia cidade”

    Por: Pedro Figueiredo

    A capital de El Salvador foi sacudida por um violento sismo que “arrasou meia cidade” e fez “centenas de mortos”, como noticia o vespertino Diário de Lisboa (DL) – os matutinos impressos nesse sábado só no dia seguinte haveriam de noticiar o assunto. “Mais de metade dos edifícios de San Salvador terá ficado destruída na sequência de dois abalos sísmicos registados ao fim da manhã de ontem [sexta-feira], tendo o primeiro atingido o grau sete da escala de Richter (…) Os primeiros cálculos apontam para duas centenas de vítimas e o estado de emergência declarado em todo o país”, podia ler-se no DL.

    Na Guarda, 93 crianças do Instituto do Outeiro de São Miguel foram assistidas no hospital da cidade por suspeita de intoxicação alimentar. Em declarações ao Diário de Notícias, um responsável pelo Instituto colocava em dúvida que a intoxicação pudesse ter sido causada pela “refeição de frango” servida ao almoço. “´Se fosse esta a origem do problema, então todos os alunos se tinham queixado´, disse, sugerindo uma possível contaminação das águas”, pode ler-se.

    A edição do DN publicava um especial sobre Jacques Cousteau, “o homem das missões impossíveis”. Cousteau, então com 76 anos era então “aplaudido em França” e “idolatrado nos Estados Unidos”. ”No ano passado, desembarcando num helicóptero privado nos jardins da Casa Branca, recebeu das mãos de Ronald Reagan a medalha presidencial da Liberdade (…) Para além dos seus encontros em privado com o presidente dos Estados Unidos, reuniu-se recentemente com o presidente do Brasil e com Fidel Castro. Este último, aliás, libertou em maio último 27 presos políticos a seu pedido”, observada o DN. Em entrevista anexa, o “comandante Cousteau” confessava: “Mergulho com o mesmo prazer de há 50 anos. Adoro aquela sensação de voar na ausência de gravidade, flutuar num líquido que parece penetrar na minha pele. O mergulho para mim é a forma última de amar”,

  • 10 Out 1986

    Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev reúnem-se na Islândia

    Por: Pedro Figueiredo

    Os primeiros sinais de degelo da Guerra fria passavam, por estes dias, pela capital da Islândia, Reiquiavique, onde o presidente norte-americano, Ronald Reagan, se haveria de encontrar no dia seguinte com o seu homólogo soviético, Mikhail Gorbachev. “O êxito do encontro não está garantido, mas estou cheio de esperanças”, declarou à partida de Washington o líder norte-americano, que já tinha entretanto chegado à Islândia. “Entretanto, não foi ainda anunciada a hora exata da chegada de Mikhail Gorbachev a Reiquejavique, mas fontes oficiais indicaram que o líder soviético estará na Islândia antes do meio dia de hoje”, noticiava o Diário de Notícias.

    À chegada a Portugal para uma visita de três dias, o presidente venezuelano, Jaime Lusinchi, propôs a criação de uma “confederação ibero-americana”, baseada na “comunidade de interesses que unem Portugal e Espanha aos Estados da América Latina” – a primeira cimeira ibero-americana haveria de realizar-se em 1991, na cidade mexicana de Guadalajara.

    A criação de uma nova agência de notícias no país continuava a ser notícia, com o PS a sinalizar a sua disponibilidade para viabilizar o nascimento da Lusa. “Em conferência de imprensa, Arons de carvalho adiantou que se a nova agência for uma empresa de serviço público; se forem garantidos os direitos dos trabalhadores e do conselho de redação; se ficar subordinada ao Conselho de Comunicação Social, e se os estatutos garantirem ´uma efetiva desgovernamentalização´, o PS não se oporá à criação da nova agência”, escrevia o DN.

    Ainda nos media, a assinatura do protocolo que formalizava a criação do Centro de Formação de Jornalistas (Cenjor) motivava críticas do Sindicato dos Jornalistas ao executivo chefiado por Cavaco Silva. “O sindicato critica a ´publicidade extemporânea feita pelo ministro adjunto, Fernando Nogueira, à institucionalização do projeto e a soberba de o apresentar como feito governamental´, que, em seu entender, evidenciam ´que o eleitoralismo andou desde o princípio de braço dado com o apoio dispensado à iniciativa”, pode ler-se.

  • 09 Out 1986

    César Torres presidente da nova Lusa

    Por: Pedro FigueiredoFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    O processo de criação da nova agência noticiosa nacional, a Lusa, continua a ser notícia. O Diário de Notícias (DN) noticia com base em “boa fonte” que César Torres será o presidente da comissão instaladora da nova agência, resultado da fusão entre a Anop e a NP. “César Torres, que tomará posse do cargo para a semana, em cerimónia presidida por Marques Mendes [secretário de Estado da Comunicação Social], vai estar até aos fins de novembro na presidência da referida comissão, uma vez que a entrada em funcionamento da Lusa verificar-se-á, se tudo correr como o previsto, em 01 de janeiro de 1987”, escrevia do DN.

    A televisão pública, por seu turno, inaugurava o seu novo centro de emissão na avenida 05 de outubro, em Lisboa, numa concorrida cerimónia em que o então presidente do conselho de gerência da RTP se referiu com otimismo ao “advento da televisão privada” em Portugal. “Emissoras privadas portuguesas de televisão, mais do que rivais da RTP, deverão ser seus naturais aliados na luta pela defesa da língua portuguesa e dos valores fundamentais da nossa cultura”, afirmou Coelho Ribeiro, citado pelo DN. Na cerimónia, Fernando Nogueira, ministro Adjunto e para os Assuntos Parlamentares, criticou a Assembleia da República pela “demora na aprovação de propostas legislativas relativas à abertura da TV a entidades não públicas ou estatais e ao licenciamento de estações de rádio”.

    No Reino Unido, nascia o “primeiro jornal ´de qualidade´” lançado no país no século XX, como escrevia o correspondente do DN em Londres, Fernando Sousa. “O público britânico passou ontem [quarta-feira] a ter mais um jornal à sua disposição, o ´Independent´ que, tal como o nome indica, se apresenta como politicamente neutral”, escrevia o jornalista.

  • 08 Out 1986

    Parlamento reinicia trabalhos

    Por: Pedro Figueiredo

    Uma semana antes da “abertura regimental da sessão legislativa”, o Parlamento iniciou os seus trabalhos para ouvir intervenções que “chegaram a aquecer” o hemiciclo de São Bento “na sequência do veto presidencial relativo ao Estatuto dos Açores”.

    “No entanto, às 18:00 a polémica já estava esbatida e porque ninguém requereu a confirmação do veto do Presidente da República, nem nenhum partido apresentou propostas de alteração ao Estatuto vetado, a questão foi remetida e agendada para o próximo dia 23, ocasião em que serão debatidas alterações entretanto já anunciadas, nomeadamente pelo CDS, PSD, PS, MDP e PCP”, escrevia o Diário de Notícias, que fazia manchete com o assunto, ilustrada com uma fotografia sorridente do então presidente da Assembleia da República, Fernando Amaral. A exceção foi o PRD, que considerou não existirem motivos para alterar a posição já assumida pelo partido, já que “todas as dúvidas” sobre o diploma eram passíveis de clarificação “através de regulamentação adequada”.

    Na ´rentrée´ política de há 30 anos, os comunistas voltaram a eleger o governo minoritário chefiado por Cavaco Silva como o alvo principal, defendendo a necessidade de o substituir por outro de “alternativa democrática”. “A direção comunista considera existirem condições para ´passar à ofensiva´ e para que seja retomada a palavra de ordem ´a luta continua, o governo para a rua´”, noticiava o DN, a propósito da reunião do Comité Central do PCP. O PS foi também visado na reunião de cúpula dos comunistas, que lamentaram a “recusa de partidos democráticos a considerarem a convergência indispensável para a demissão do governo PSD de Cavaco Silva e a formação de um governo democrático”.

  • 07 Out 1986

    PSD denuncia “aliança” para derrubar governo

    Por: Pedro FigueiredoFoto GUILHERME VENâNCIOFoto GUILHERME VENâNCIO

    No reinício dos trabalhos parlamentares desse ano, 12 meses após a vitória do partido nas eleições legislativas, o PSD convocou os jornalistas para denunciar o que considerava ser uma “aliança” em preparação entre o PS e o PCP. “O PSD considera que o PS é ´um aliado objetivo´ do PCP, ao assumir posições que os comunistas vêm defendendo de contestação ao governo”, escrevia o Diário de Notícias (DN). Em conferência de imprensa, o vice-presidente social-democrata Correia Afonso acusou ainda o PS de criar artificialmente “pequenas crises com o intuito de fomentar um ambiente de crise política”. O dirigente do PSD assegurava que, se PS e PCP desencadearem qualquer crise política “como anunciam”, os sociais-democratas avançariam de imediato para eleições antecipadas – que se viriam a realizar em julho do ano seguinte, com Cavaco Silva a conquistar a sua primeira maioria absoluta.

    Em Bruxelas, a Comissão Europeia pedia a Portugal “explicações satisfatórias” sobre a forma como estava a ser liberalizada a importação de cereais, na sequência de uma queixa apresentada por importadores privados portugueses. De acordo com os importadores privados a EPAC (Empresa Pública de Abastecimento de Cereais) teria nesse ano recebido uma parte das 470 mil toneladas de cereais superior ao que lhe caberia, em face da legislação europeia, que previa um desmantelamento progressivo do monopólio de importação de cereais. Em declarações ao DN, o ministro da Agricultura Pescas e Alimentação, Álvaro Barreto assegurou que Portugal “não abdica da sua posição”, tendo informado a Comissão Europeia não ver “nenhuma razão plausível para que a EPAC deixe de concorrer aos concursos públicos”.

  • 06 Out 1986

    Mário Soares defende descentralização

    Por: Pedro FigueiredoFoto António CotrimFoto António Cotrim

    Nas comemorações do 05 de outubro, Mário Soares fez da descentralização o tema da sua intervenção. Ladeado pelo primeiro-ministro, Cavaco Silva, e pelo presidente da câmara lisboeta, Krus Abecassis, o Presidente da República “defendeu que o Estado deve procurar substituir-se cada vez menos à iniciativa dos cidadãos e tornar-se cada vez mais o verdadeiro garante da solidariedade nacional e social”. “É necessário saber compatibilizar a justiça com a iniciativa, o risco pessoal com a solidariedade, a liberdade com a segurança”, afirmou Soares, citado pelo Diário de Notícias (DN). “Neste final do século XX, Portugal, assumindo o seu destino europeu e a modernidade científica, tecnológica e cultural tem de saber estar à altura da sua generosa vocação universalista, honrando a sua gloriosa história de Nação afetivamente repartida por vários continentes”, afirmou ainda o chefe do Estado.

    Nas páginas do Diário de Lisboa (DL), merecia ampla cobertura a “segunda conferência internacional de prostitutas”, realizada dias antes em Bruxelas. “Uma prostituição de sonho, diríamos nós, ao assistir à segunda conferência internacional de prostitutas”, escrevia, embevecido, o vespertino, especificando que o tema da reunião era “alcançar a despenalização da prostituição”. O encontro teve lugar no edifício do Parlamento Europeu, em Bruxelas, motivando “a cólera de certos deputados europeus”. “Mas são bem espertas estas 120 representantes da mais velha profissão do mundo. Muitas delas não se sentiram sequer deslocadas no ambiente fofo e tecnocrático do Parlamento”, anotava o DL.

  • 05 Out 1986

    João Paulo II apela a “um dia de tréguas”

    Por: Pedro Figueiredo

    No início da sua visita de quatro dias a França, João Paulo II apelou a “todas as partes em conflito no mundo” que observassem a 27 de outubro “um dia de tréguas” para “pensar seriamente nas razões que as conduziram à violência”. “O Pontífice disse esperar que tal trégua leve todas as partes em conflito ´a iniciar ou a prosseguir uma reflexão sobre os motivos que os levam a procurar pela força, com o seu cortejo de misérias humanas, aquilo que podia ser obtido por negociação sincera e recurso a outros meios facultados pela lei”, escrevia então o Diário de Notícias (DN). As primeiras palavras de João Paulo II foram também para defender que os fiéis de então enfrentavam “ameaças mais insidiosas à sua fé do que os primeiros cristãos”. Em Lyon, “capital da gastronomia francesa”, o Sumo Pontífice tinha à sua espera uma pródiga ementa local. “João Paulo II poderá ter de vigiar o seu peso durante a sua visita a Lyon (…) As ementas para os quatro dias de visita do Papa ao sueste da França vão proporcionar-lhe refeições com o que há de melhor na cozinha de Lyon, em contraste com a simplicidade dos seus aposentos e da capela do seminário”, escrevia o DN.

    O incêndio a bordo de um submarino nuclear soviético que navegava a mil quilómetros a nordeste das ilhas Bermudas fazia também as manchetes do dia. “Três pessoas morreram num incêndio a bordo de um submarino nuclear soviético que transportava mísseis intercontinentais (…) uma comissão de especialistas reunida em Moscovo concluiu que não havia perigo de uma explosão nuclear ou de contaminação do ambiente”, escrevia o DN. A divulgação do acidente pelas autoridades soviéticas mereceu o elogio das autoridades norte-americanas.

  • 04 Out 1986

    João Paulo II visita França

    Por: Pedro FigueiredoFoto Daniel JaninFoto Daniel Janin

    Há 30 anos, o Papa João Paulo II desembarcava em Lyon para iniciar uma visita de quatro dias a França. “Esta visita, a terceira que faz a França, assumirá a forma de uma peregrinação a alguns dos sítios mais famosos da cristandade neste país: Lyon, Taize, Paray-le-Monial, Ars e Annecy. Todos estes lugares lhe permitirão evocar algumas das grandes figuras do passado e do presente e abordar os temas que lhe são caros: a santidade, a pobreza, a unidade dos cristãos, a cultura e principalmente a vocação do sacerdócio”, escrevia do Diário de Notícias (DN). Face à onda de atentados terroristas que se tinham registado em França em setembro, a visita do Sumo Pontífice esteve rodeada de medidas de segurança extremas, com a mobilização de “oito a dez mil homens dos diversos serviços de Polícia”. “Em termos de quilómetros percorridos, as ´peregrinações´ do Papa totalizaram uma distância superior àquela que vai da Terra à Lua…”, calculava o DN.

    Destaque também na edição de sábado do diário para o depoimento prestado pelo ex-Presidente da República Ramalho Eanes no julgamento de Otelo Saraiva de Carvalho. “O general Ramalho Eanes afirmou ontem [sexta-feira] aos jornalistas em Monsanto, que uma das razões que o levou a depor como testemunha abonatória de Otelo Saraiva de Carvalho foi mostrar que ´julgar Otelo não é julgar o 25 de abril´ e reafirmou a sua amizade pessoal pelo antigo comandante do COPCON [Comando Operacional do Continente], embora, segundo disse, essa relação nunca o tenha impedido de tomar atitudes contra ele”, escrevia o DN.

  • 03 Out 1986

    Vitor Constâncio anuncia Convenção da Esquerda democrática

    Por: Pedro FigueiredoLusa António CotrimLusa António Cotrim

    Num mês de intensa agitação política, Vitor Constâncio fazia a apologia da Convenção da Esquerda democrática, agendada para 22 e 23 de novembro desse ano. O recém-eleito secretário-geral do PS assegurava que a convenção, uma “ideia antiga do imaginário da esquerda portuguesa”, serviria para “produzir um trabalho muito sério para fornecer respostas aos problemas da sociedade” de então, não sendo uma forma sub-reptícia de “captar independentes avulsos para o partido”.

    O Partido Renovador Democrático (PRD), que nas eleições legislativas de 1985 tinha emergido como a terceira força política nacional (alcançado 17,92 por cento dos votos, a que corresponderam 45 mandatos no Parlamento) preparava a sua Convenção Nacional, na qual estariam em discussão 33 moções de estratégia. Preconizando o combate à hegemonia de PSD e PS na política nacional, a moção apresentada pelo líder do PRD, Hermínio Martinho, defendia: “a bipolarização, tal como tem sido formulada, representaria, nas circunstâncias presentes, a guerra civil gerida politicamente”.

    No Porto, o então líder do CDS, Adriano Moreira, defendia a necessidade aproveitar uma futura revisão constitucional para criar uma segunda câmara no Parlamento. Esta nova instância, advogava, “poderá servir a unidade nacional, eliminar o vazio de coordenação de interesses, evitar que instituições como as Forças Armadas tenham de assumir a voz que constitucionalmente pertencia ao governo”. “Tudo embaraços escusados nascidos no caminho da institucionalização definitiva da nossa vida pública”, afirmou.

  • 02 Out 1986

    Mário Soares quer ”justiça célere, competente e humanizadora”

    Por: Pedro Figueiredo

    Na sessão solene de abertura do ano escolar no Centro de Estudos Judiciários, Mário Soares defendeu a necessidade de “uma justiça célere, competente e humanizadora”. “A justiça constrói-se no dia-a-dia. Quanto melhor soubermos organizar os tribunais e formar os juízes, os magistrados do Ministério Público e os advogados, melhor saberemos responder aos novos desafios que tanto nos preocupam, uma vez que está em causa a proteção da liberdade e da segurança dos cidadãos, ameaçados pelo preocupante eclodir de uma violência cega, arbitrária e injusta”, salientou então o Presidente da República.

    Há três décadas os media eram também notícia, com a extinção da Anop a ser contestada na Assembleia da República (AR) por PS, PCP e PRD. “É ilegal face ao atual quadro legislativo”, afirmou então o deputado do PS Jorge Lacão, numa reunião da sub-comissão permanente da AR para a comunicação social em que participou o diretor-geral da agência de notícias pública Horta Lobo. “Existe uma disposição normativa que reserva ao Conselho da Comunicação Social o parecer vinculativo sobre a extinção de uma empresa pública do setor”, frisou ainda Jorge Lacão.

    Ainda nos media, a necessidade de encontrar uma solução para a “rádios livres” era também objeto de aceso debate. “Não creio que a existência de rádios livres seja negativa, embora ilegal, mas agora vai ser difícil impor regras, até porque se pode correr riscos de injustiça”, afirmou então o jornalista Mário Mesquita, citado pelo DN, numa mesa redonda promovida pelo Secretariado das Comunicações da Conferência Episcopal.

  • 01 Out 1986

    Islândia acolhe cimeira entre Reagan e Gorbachev

    Por: Pedro Figueiredo

    O anúncio de uma cimeira, em data a anunciar, entre o presidente norte-americano, Ronald Reagan, e o seu homólogo russo, Mikhail Gorbachev, faz manchete em toda a imprensa nacional. A cimeira, foi também hoje noticiado, será antecedida de um encontro a 11 e 12 de outubro na capital da Islândia, Reiquejavique, entre os dois responsáveis políticos. “A decisão foi tomada na sequência das conversações que levaram à libertação, em Moscovo, de Nicholas Daniloff e Yuri Orlov e, em Nova Iorque, de Gennady Zakharov”, escreve o Diário de Notícias (DN). Em setembro, Moscovo tinha concedido liberdade condicional ao jornalista norte-americano Nicholas Daniloff, correspondente da revista norte-americana ´US News and World Report´, detido pelo KGB depois de aceitar um pacote entregue por um cidadão soviético seu conhecido. A secreta russa afirmou na altura que o pacote continha documentos secretos. Por sua vez, Washington libertara no mesmo mês o físico soviético Gennady Zakharov, detido pelo FBI quando alegadamente procedia à compra de segredos militares dos Estados Unidos.

    O reinício das aulas para “um milhão e 800 mil alunos”, distribuídos por “13.518 escolas dos ensinos pré-escolar, primário, preparatório e secundário” merece também chamada de primeira página no DN. “Segundo estimativas fornecidas pelo ministério, mais de 58 mil alunos vão frequentar o ensino pré-primário, cerca de 750 mil o primário, mais de 343 mil o preparatório e mais de 535 mil o secundário”, pode ler-se.

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