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Agosto 1986
  • 31 Aug 1986

    Lemos Ferreira responde a Mota Amaral

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto Guilherme VenâncioFoto Guilherme Venâncio

    A questão sobre o Estatuto dos Açores continua na atualidade já que Lemos Ferreira, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas afirma que foi uma “ironia do destino” o local do discurso do presidente do governo Regional dos Açores.

    Mota Amaral tinha criticado as posições de Lemos Ferreira sobre a utilização dos símbolos regionais enquadrados no Estatuto Político-Administrativo dos Açores, num discurso na ilha do Corvo.

    Para o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas foi “irónico” porque Mota Amaral se deslocou ao Corvo num avião da Força Aérea e discurso na pista construída pelos militares para a população civil.

    Na mesma edição, o DN reproduz a entrevista do deputado do PS, António Guterres, à Antena 1, em que afirma que o partido não está empenhado em “nenhuma corrida para derrubar” o governo do PSD,

    “O PS não quer eleições mas também não as teme”, disse Guterres, deputado socialista e membro da Comissão Política do partido.

  • 30 Aug 1986

    Fraudes bancárias no Algarve

    Por: Pedro Sousa Pereira

    O semanário Expresso destaca uma notícia sobre as investigações da Polícia Judiciária e da Alta Autoridade Contra a Corrupção que detetaram indícios de prática de fraudes “em grande escala” na atividade bancária algarvia.

    Segundo as fontes do Expresso, as alegadas burlas terão sido levadas a cabo no âmbito “do crédito e de outras operações bancárias relacionadas com o surto de construção civil que, em relação com o crescimento da atividade turística”, se estendeu a todo o litoral, “nos últimos anos”.

    O jornal refere especificamente um caso relacionado com o Banco Fonsecas & Burnay sendo que as autoridades investigam também a gerência de uma delegação do Bando Espírito Santo e Comercial de Lisboa na zona de Portimão.

    “A construção de uma luxuosa vivenda por uma pessoa com responsabilidades naquele balcão teria sido o ponto de partida para o inquérito desencadeado”, escreve o semanário.

    O Expresso dedica-se também a analisar as posições do presidente do Governo Regional dos Açores, Mota Amaral, sobre a “guerra dos símbolos regionais” cuja utilização foi criticada pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

    Lemos Ferreira criticou o uso da bandeira e do hino dos Açores pelas instituições públicas e que tem como pano de fundo o veto presidencial ao Estatuto dos Açores.

    “Só posso qualificar esta situação como um levantamento militar ‘soft core’”, responde Mota Amaral, num discurso na ilha do Corvo, sobre o assunto que vai tornar-se recorrente ao longo dos próximos anos.

  • 29 Aug 1986

    Governo apresenta projeto para a Comunicação Social

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    A edição de sexta-feira, 29 de agosto, do Diário de Notícias publica “em rigoroso exclusivo” o decreto-lei que define o regime legal das alienações de bens, títulos, quotas ou ações que o Estado detém em empresas de comunicação social.

    Segundo o DN, o decreto-lei contempla e enumera as condições necessárias e imperativas impostas aos candidatos ao concurso público exigido para as alienações de partes, quotas ou ações que o Estado ou entidades públicas possuam em empresas de comunicação social e, “bem assim”, dos títulos dos órgãos jornalísticos de empresas do setor público.

    A medida prevê as situações em que a “alienação possa resultar da reprivatização do órgão” ou da maioria do capital da respetiva em empresa.

    Em nenhum momento a notícia refere os títulos em causa mas publica as declarações de Luís Marques Mendes, secretário de Estado-adjunto para a Comunicação Social que no final da reunião do Conselho de Ministros do dia anterior afirma que o governo limitou-se a “cumprir a legalidade”.

    Ainda segundo o DN, as cooperativas de jornalistas têm primazia sobre outras candidaturas em eventuais concursos.

  • 28 Aug 1986

    Confrontos na África do Sul provocam 13 mortos

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto KIM LUDBROOKFoto KIM LUDBROOK

    Morreram 13 pessoas e mais de 70 ficaram feridas em confrontos registados no início da semana em várias localidades da África do Sul tendo o número de vítimas sido publicado na edição de quinta-feira do Diário de Notícias.

    “Doze negros foram mortos durante dois confrontos entre manifestantes e forças de segurança em White City, uma das áreas mais pobres do Soweto, a 16 quilómetros de Joanesburgo”, escreve o jornal referindo que a outra morte registou-se na província do Cabo durante “um incidente entre negros”.

    Jornalistas, que foram expulsos da zona na madrugada de quarta-feira, afirmaram que o número total de mortos pode ser superior a vinte, “salientando que a violência tem-se alastrado a outras zonas do Soweto.

    A notícia é acompanhada de uma fotografia da “nacionalista negra” Winnie Mandela, membro do Congresso Nacional Africano, perto do local dos confrontos entre a população do Soweto e as forças de segurança do regime do apartheid.

  • 27 Aug 1986

    Comércio do Porto vende sede para pagar dívidas

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto JOSé coelhoFoto JOSé coelho

    Segundo o Diário de Notícias, o conselho de administração do jornal Comércio do Porto recebeu poderes da Assembleia Geral de Acionistas da empresa para “proceder à dação do edifício sede da empresa”, na Avenida dos Aliados, Porto, ao Banco Borges e Irmão como forma de pagamento da dívida contraída junto da instituição bancária.

    De acordo com a mesma notícia, os trabalhadores do jornal, reunidos em plenário, opõem-se à alienação do edifício sede ou de qualquer outro património “sem que sejam tomadas medidas que garantam a efetiva viabilização da empresa”, admitindo recorrer a intervenção do governo e da Assembleia da República.

    Na página nove da edição do jornal é publicado um anúncio institucional da Segurança Social:

    “Segurança Social é para Todos” diz o anúncio que alerta os cidadãos a conhecerem os direitos que têm porque o sistema baseia-se “na solidariedade da população trabalhadora”.

    O mesmo anúncio que ocupa toda a página refere-se ao regime especial dos trabalhadores agrícolas; regime não contributivo ou equiparado e pensões de sobrevivência.

    No capítulo sobre encargos com pensões o anúncio indica que o número de pensionistas é muito elevado (quase dois milhões), “o que obriga a despender com pensões, no corrente ano (1986), cerca de 250 milhões de contos, ou seja mais de 70 por cento das receitas cobradas pela Segurança Social”.

    “Com as restantes receitas e comparticipações do Estado, são pagas as demais prestações: abonos de família, subsídios de doença e maternidade, subsídios de desemprego e ainda suportados os encargos com equipamentos sociais”, acrescenta o texto.

    “Conheça e utilize os seus direitos, veja qual é o seu caso – informe-se no Centro Regional de Segurança Social da área da sua residência”, conclui o anúncio que inclui fotografias de pensionistas assim como de pescadores e operários e uma dona de casa.

  • 26 Aug 1986

    PSD com nova sede nacional

    Por: Pedro Sousa Pereira

    O Diário de Notícias publica duas páginas sobre a nova sede do PSD que prepara a instalação da sede nacional na Rua de São Caetano, à Lapa, devendo abandonar em breve a Avenida de Buenos Aires.

    “Cavaco Silva vai ter uma surpresa na remodelação do seu gabinete, revelou ao DN o secretário-geral adjunto do PSD Luís Geraldes”, escreve o DN acrescentando que a fonte descreve o que o partido tenciona fazer da casa comprada à família D’Orey mas não confirmou os valores despendidos.

    “Os cem mil contos de que se fala, só para a compra da casa, espera o PSD obtê-los através da comparticipação dos seus filiados, a quem foi enviada uma carta pedindo mil escudos e que, segundo Geraldes, têm respondido favoravelmente”, diz a notícia acrescentando que as obras de remodelação começam em setembro.

    No mesmo dia, é noticiado o corte de estrada pela população de Barqueiros, conselho de Barcelos, em protesto contra a abertura da mina de caulino na freguesia.

    A estrada de acesso à praia da Apúlia esteve bloqueada durante mais de dez horas.

  • 25 Aug 1986

    Eanes presidente do PRD em outubro

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    Na segunda-feira, 25 de agosto, o Diário de Notícias publica as declarações do secretário-geral do Partido Renovador Democrático, à agência NP, em que Lencastre Bernardo afirma que “o general Ramalho Eanes será, em outubro, presidente daquele partido político”.

    “Interrogado pela agência NP quanto a pressões exercidas, junto do antigo Presidente da República, para não entrar no partido, o secretário-geral dos renovadores democráticos referiu que têm existido amigos a tentar persuadir Eanes a não ingressar no PRD”, escreve o DN.

    “Outros amigos – adiantou Lencastre Bernardo – são da opinião de que deve deixar ‘queimar’ o partido e surgir com outro novo”, acrescenta o texto sobre o futuro do PRD.

    No mesmo dia é publicada a notícia de que a construção do novo aeroporto de Macau “já está em estudo”.

    O anúncio é feito pelo secretário-adjunto para os Assuntos Sociais Nuno Delerue, à saída de uma reunião do Executivo macaense.

  • 24 Aug 1986

    Credores propõem saneamento da Lisnave

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    A proposta de saneamento financeiro da Lisnave negociada com os bancos credores “já foi enviada” ao Ministério das Finanças disse ao Diário de Notícias um porta-voz do Banco Português do Atlântico.

    “Ainda não se conhece a forma de saneamento financeiro proposto pelas instituições de crédito, mas sabe-se que as propostas dos bancos liderados pelo BPA – o maior credor – ‘é diferente da apresentada pela Lisnave’” afirmou um membro da administração da empresa.

    Segundo a notícia, a fonte bancária escusou-se a indicar os valores em causa e a especificar a proposta por entender que a revelação poderia “perturbar ou ser usada como meio de pressão junto do Ministério das Finanças”.

    A Lisnave foi considerada em situação económica difícil em 27 de setembro de 1984.

  • 23 Aug 1986

    Macau negoceia com Stanley Ho

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto Inácio RosaFoto Inácio Rosa

    Na notícia que faz a manchete do semanário Expresso lê-se que a administração de Macau encontra-se em negociações para prorrogar a concessão da exploração dos casinos do território à STDM de Stanley Ho.

    Segundo uma fonte do Executivo de Macau, o acordo final deve ser divulgado “nas próximas semanas” e que as contrapartidas a pagar pela Sociedade de Turismo de Diversões de Macau “são bastante avultadas”.

    O prazo deve ser alargado “para além de 1997, altura em que vizinha colónia britânica de Hong Kong será devolvida à China e em que se admite que Pequim queira também recuperar o enclave sob domínio português”.

    O Expresso destaca também as declarações do ex-conselheiro da Revolução Sousa e Castro no Tribunal de Monsanto, em que como testemunha abonatória de Otelo Saraiva de Carvalho, afirma que a ordem de detenção, em 1984, de 25 alegados membros das FP-25 fora ordenada porque se pensava que “entre eles” se encontrava o dirigente comunista António Dias Lourenço.

    “Como o Expresso já noticiou, tratava-se de Joaquim Dias de Lourenço que nenhuma relação tem com o membro da Comissão Política do PCP e diretor do jornal Avante”, explica o semanário sobre a sessão da última semana do julgamento dos implicados no caso FUP/FP 25.

    A edição de 23 de agosto do semanário dá particular destaque à morte de Alexandre O’Neill ocorrida na quinta-feira anterior recuperando partes de uma entrevista realizada pelo Expresso em 1985, antes de o poeta ter sido internado.

    “A vida interessa-me, o que não me interessa é a vidinha”, disse na altura Alexandre O’Neill ao Expresso que acompanha o texto com uma caricatura de António.

    “Quando morreu, noticiaram a sua morte no meio da crise filipina e da crise cavaquista. O Alexandre diria que era tudo alpista para dar aos ‘perikitsch’”, escreve ainda a jornalista Clara Ferreira Alves, no Expresso.

  • 22 Aug 1986

    Alexandre O’Neill morre aos 61 anos

    Por: Pedro Sousa Pereira

    A edição de sexta-feira, 22 de agosto, do DN publica o obituário do poeta Alexandre O’Neill que morreu na tarde de quinta-feira.

    Uma notícia de duas colunas diz que o poeta de 61 anos encontrava-se em “estado grave desde abril” e encontrava-se internado no Hospital Egas Moniz, onde morreu.

    “Alexandre O’Neill fez estudos liceais, frequentou a Escola Náutica e exerceu, a seguir, diversas profissões, na Previdência Social, nas bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian e numa editora, sendo ultimamente técnico de publicidade”, escreve o jornal.

    O DN acrescenta que, em 1948, juntamente com Mário Cesariny e outros poetas e pintores, O’Neill fundou o Grupo Surrealista de Lisboa.

    O jornal refere também que no início do ano toda a obra poética de Alexandre O’Neill tinha sido publicada pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.

  • 21 Aug 1986

    Cavaco encontra-se com Mobutu em S. Bento

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    Num almoço em S. Bento, o primeiro-ministro Cavaco Silva e o presidente do Zaire Mobutu Sese Seko, de férias em Portugal, concordam que a “aproximação da República Popular de Angola aos Estados Unidos é uma atitude correta e sensata”.

    O Diário de Notícias recorda que Cavaco Silva deve encontrar-se com o presidente norte-americano, Ronald Reagan, em setembro, em Washington.

    Na secção Internacional do DN, o correspondente na capital dos Estados Unidos escreve um longo artigo sobre a “dispendiosa batalha” entre empresas de relações públicas norte-americanas que representam respetivamente a UNITA e o governo de Luanda “com vista a conquistarem a simpatia e o apoio do Congresso e do povo americano”.

    O artigo inclui as estratégias e as quantias pagas pelas duas partes às empresas de relações públicas, assim como as ligações Washington-Luanda relacionadas com exploração do petróleo e, por outro lado, a autorização de Ronald Reagan, ao “programa de ajuda clandestina de 15 milhões de dólares, controlados pela CIA, que incluiu o fornecimento aos rebeldes (UNITA) de sofisticados mísseis antiaéreos Stinger”.

  • 20 Aug 1986

    Otelo opôs-se a fuzilamentos

    Por: Pedro Sousa Pereira

    No julgamento do caso FP-25, o antigo Presidente da República Costa Gomes afirma que, logo após o 11 de março de 1975, duranta uma assembleia do Movimento das Forças Armadas (MFA), Otelo Saraiva de Carvalho opôs-se a oficiais que defendiam o fuzilamento de “responsáveis pelo golpe”.

    Na mesma sessão prestaram também declarações, o brigadeiro Pezarat Correia, o tenente-coronel Vasco Lourenço e o major Salgueiro Maia, como testemunhas abonatórias de Otelo Saraiva de Carvalho.

    O Diário de Notícias reproduz as declarações de Pezarat Correia que lembra que Otelo foi preso um mês depois de Mário Soares, “então primeiro-ministro ter dito ao próprio que a este se deve a democracia em Portugal”.

    “Não posso desligar a posição atual de Otelo do clima geral em que vivemos de perseguição aos militares do 25 de abril”, acrescentou Pezarat Correia.

    Por seu lado, Salgueiro Maia afirma em tribunal que “em meios militares considera-se que a prisão de Otelo Saraiva de Carvalho se insere no contexto de marginalização e perseguição aos militares do 25 de abril”.

    No DN, o discurso do Pontal continua a marcar a atualidade com a publicação da notícia sobre o protesto do PCP contra a RTP pelo tratamento noticioso dado ao discurso de Cavaco Silva.

    “O documento oficial do PCP afirma que a repetição do discurso do Pontal prova ‘a completa instrumentalização daquele órgão de informação pelo governo e pelo PSD”, escreve o DN referindo-se à repetição de extratos da gravação durante os últimos dois dias.

    Para o PS, torna-se cada vez mais notório que o primeiro-ministro pretende abrir uma crise política artificial e acusa o PSD de “clientelismo”.

  • 19 Aug 1986

    Discurso de Cavaco contestado pela oposição

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto LUíS VASCONCELOSFoto LUíS VASCONCELOS

    A atualidade política nacional continua marcada pelo discurso do primeiro-ministro no Pontal em que, no último domingo à noite, Cavaco Silva critica a oposição de “querer o poder” mas não deseja a realização de eleições.

    Para o PS, as palavras de Cavaco lembram “o discurso oficial das falsas democracias”; o PCP afirma que o chefe do Executivo “foge” dos resultados concretos do próprio governo.

    Para o CDS, “não é fácil fazer um comentário sobre um dos textos políticos mais confusos dos últimos tempos” e para o MDP/CDE o primeiro-ministro “não suporta a oposição e pensa que 29 por cento são a maioria absoluta”.

    O PRD recusou-se a fazer comentários ao discurso do Pontal, em Faro.

    No mesmo dia, é anunciada por Mikhail Gorbachev a Cimeira entre os Estados Unidos e a União Soviética que paralelamente se refere à prorrogação da moratória nuclear até janeiro de 1987.

  • 18 Aug 1986

    Angola e Moçambique serão Estados poderosos

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto Manuel MouraFoto Manuel Moura

    O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Azevedo Soares, do governo do PSD diz à Antena 1 que “Angola e Moçambique serão no futuro dos Estados poderosos, com uma política económica e cultura assinaláveis”.

    Em entrevista à Antena 1, Azevedo Soares refere que Portugal “pôs ultimamente em ação uma série de medidas que irão permitir tirar vantagens do passado africano português e do facto de na África Austral residirem milhares de portugueses”.

    Na entrevista transcrita no Diário de Notícias, além de prever o futuro de Angola e Moçambique, o secretário de Estado considera que, sobre Timor-Leste, não antevê conversações diretas entre Portugal e a Indonésia sob a égide das Nações Unidas.

  • 17 Aug 1986

    Portuguesa raptada pela Renamo morre em Moçambique

    Por: Pedro Sousa Pereira

    A edição de domingo do Diário de Notícias informa sobre a morte de uma portuguesa raptada pela Renamo em Moçambique.

    A cidadã portuguesa “morreu em posse da Renamo” depois de ter sido raptada em julho de 1985 na localidade moçambicana de Luabo.

    Trata-se da quarta morte que ocorre num grupo de 19 portugueses sequestrados pelo movimento de Afonso Dhlakama.

    A notícia incluiu declarações do filho da vítima que acusa a Renamo pela morte da mãe e critica o Governo português de negligência sobre a questão dos raptos.

  • 16 Aug 1986

    Guerra e Petróleo em Angola

    Por: Pedro Sousa Pereira

    A edição do semanário Expresso de 16 de agosto destaca a ofensiva militar da África do Sul, apoiada por forças da UNITA, contra Cuito Cuanavale referindo que Luanda relaciona “o aumento da atividade militar sul-africana” com a proximidade da cimeira dos Não-Alinhados no Zimbabwe.

    A força atacante, segundo informações do Expresso em Luanda, seria integrada “por elementos da UNITA e do Batalhão Búfalo, financiado, equipado e treinado pela África do Sul, acompanhados de outros militares que operaram a artilharia pesada”.

    Por outro lado, outras fontes em Luanda indicam que o ataque de Pretória poderá ter sido desencadeado para evitar uma ofensiva das Forças Armados Populares de Angola (FAPLA) contra Mavinga, ponto estratégico de acesso à Jamba e onde está instalada uma importante pista de aviação da UNITA, à semelhança do que tinha acontecido em 1985.

    O Expresso acrescenta que desde o mês de maio, Luanda concentrava forças no Cuito Cuanavale registando-se desde junho “operações em escala limitada” junto da fronteira com a Zâmbia.

    Igualmente na primeira página, o Expresso revela que o governo angolano e a companhia norte-americana Cabinda Gulf (Chevron Corporation), com concessão para a exploração petrolífera no enclave, encerraram as negociações para o primeiro acordo global sobre a atuação da empresa em Angola.

    O valor do acordo pode ascender, refere o Expresso “aos dois mil milhões de dólares norte-americanos” anuais e foi acordado durante as conversações que se prolongaram durante os últimos cinco anos.

    “A empresa norte-americana obteve uma vantagem nunca antes conseguida – a concessão, em exclusivo, da prospeção e exploração petrolífera em toda a área de Cabinda, incluindo a chamada zona de águas profundas, até agora abandonada”, detalha o Expresso.

    Ainda segundo a mesma notícia, Luanda passa a reter, “a preços atuais” cerca de 80 por cento do rendimento bruto da exploração – incluindo 49 por cento do petróleo extraído, “quota que fica de posse da empresa estatal angolana Sonangol”.

  • 15 Aug 1986

    PSD tem pretexto ideal para a rutura

    Por: Pedro Sousa Pereira

    Um texto de análise política publicado no DN e assinado pela jornalista Helena Sanches Osório considera que o “PSD pode ter no orçamento para 1987 o pretexto ideal para a rutura” como estratégia para conseguir a maioria absoluta, em caso de eleições legislativas antecipadas.

    “Cavaco Silva tem o apoio de uma nova e vigorosa geração de sociais-democratas que, do estilo à tática, tudo modificaram no partido. Um dia, quererão aparecer à luz do dia e, depende do líder atual do PSD ser ‘empurrado para cima’ voluntariamente ou entrar em conflito e esfumar-se no sótão, recheado das relíquias do partido”, refere a longa análise sobre o PSD.

    Na mesma edição o jornal publica também as declarações dos dirigentes das duas centrais sindicais, CGTP e UGT, que “por causas diferentes” são unânimes ao considerarem que o “verão de 1986 regista o maior surto grevista desde o 25 de abril de 1974”.

    Mesmo assim, Carvalho da Silva, secretário-coordenador da CGTP, afirma que a UGT “está do lado oposto da luta dos trabalhadores” referindo-se ao acordo que celebrou no Conselho de Concertação Social.

  • 14 Aug 1986

    Mobutu de férias no Algarve

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto GUILHERME VENâNCIOFoto GUILHERME VENâNCIO

    O Diário de Notícias destaca a chegada do presidente da República do Zaire, Mobutu Sese Seko que acompanhado de uma comitiva de 30 pessoas se prepara para um período de férias na casa de que é proprietário no Algarve.

    A fotografia publicada pelo jornal mostra o Boeing 727 do chefe de Estado zairense na placa do Aeroporto Internacional de Faro “escondido pela segurança dado o carácter privado da viagem”.

    Na mesma edição, é publicado um documento da Comissão de Trabalhadores da RTP dirigido à Assembleia da República em que defende a produção nacional com “recurso a autores e artistas portugueses” mostrando-se contra os programas “enlatados estrangeiros”.

    “Nos Estados Unidos, a concorrência desenfreada entre as cadeias privadas levou à criação da televisão pública, para responder à necessidade de emissão de programas culturais e educativos, no sentido de salvaguardar a identidade histórica e cultural do país”, refere o documento dos trabalhadores da RTP.

  • 13 Aug 1986

    Ataques militares da África do Sul em Angola

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto LUíS VASCONCELOSFoto LUíS VASCONCELOS

    A manchete do Diário de Notícias, na edição de 13 de agosto, noticia dois ataques militares da África do Sul ocorridos no domingo contra Cuito-Cuanavale, no sul de Angola.

    De acordo com as informações do Ministério da Defesa de Angola, citadas pela ANGOP, morreram quarenta atacantes sul-africanos, tendo sido capturados quatro.

    O comunicado refere também que no ataque “à localidade de Cuito Cuanavale, na província do Cuando Cubango” estiveram envolvidos três batalhões sul-africanos, apoiados por veículos blindados e artilharia.

    Durante os combates, morreram dois soldados angolanos e 23 civis, acrescenta a agência de notícias de Luanda.

    O regime de Pretória não comenta o ataque mas, entretanto, o presidente da República Mário Soares envia ao chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, uma mensagem de solidariedade a propósito da operação militar.

    “Na mensagem, transmitida através da embaixada de Portugal em Luanda, Mário Soares exprime a José Eduardo dos Santos e ao povo angolano ‘a solidariedade do povo português’”, escreve o DN.

    Três anos depois, o culminar da batalha do Cuito Cuanavale – um dos maiores confrontos bélicos do século XX - em que também estiveram envolvidas forças cubanas e soviéticas, vai determinar o fim das ofensivas sul-africanas em Angola e a presença de Pretória na Namíbia e marca o início do fim do regime do apartheid.

  • 12 Aug 1986

    A guerra dos taxistas complica-se

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    O início da semana fica marcado pelo protesto dos taxistas do norte de Portugal com duas centenas de profissionais portugueses a bloquearem a estrada de acesso à fronteira de Valença do Minho impedindo a entrada dos condutores de táxis galegos.

    “Com esta atitude, os taxistas das regiões fronteiriças do Alto Minho pretendem denunciar as apreensões e as atuações feitas pela brigada espanhola a seis profissionais portugueses a quem foram aplicadas multas que ascendem a 45 mil pesetas”, escreve o Diário de Notícias sobre os protestos das últimas 24 horas.

    O jornal cita uma fonte da ANTRAL, entrevistada pela ANOP, que acrescenta que os taxistas portugueses não podem “entrar nem sair de Espanha entre as 00:00 e as 08:00, enquanto os taxistas espanhóis entram em Portugal a qualquer hora.

    Na secção de Economia, o DN publica os alertas do Executivo da Arábia Saudita que indica que o preço do petróleo pode atingir os 20 dólares por barril “nos próximos dias”.

    “Como consequência do aumento dos preços do petróleo nos mercados internacionais, vão ser aumentados os preços dos combustíveis na Grã-Bretanha e em França”, acrescenta a notícia.

  • 11 Aug 1986

    Taxistas galegos contra bloqueio português

    Por: Pedro Sousa Pereira

    Os taxistas de Verin, na província espanhola da Galiza, prometem desencadear “ações de força” contra os taxistas portuguese.

    Os profissionais de Portugal insistem no bloqueio aos postos fronteiriços do norte do país para impedirem a entrada em Portugal de automóveis espanhóis de serviço público.

    Mesmo assim, os taxistas galegos disseram ao Diário de Notícias que são favoráveis à passagem dos profissionais dos dois países pela fronteira desde que cumpram o serviço a partir do país de origem.

    Entretanto, a Associação de Transportes Rodoviários e de Automóveis Ligeiros de Portugal (ANTRAL) defende que o bloqueio dos taxistas portugueses aos colegas espanhóis “é um protesto pela apreensão de táxis portugueses que se deslocam a Espanha em serviço”.

    Segundo a ANTRAL, as autoridades espanholas, na Galiza, multaram em “40 mil pesetas” seis taxistas portugueses por alegada falta de documentação de viagem”.

  • 10 Aug 1986

    Reformados pedem demissão da ministra da Saúde

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    A crise no setor da saúde regressa às primeiras páginas dos jornais devido à posição de reformados e pensionistas que exigem a demissão da ministra Leonor Beleza por causa das taxas moderadoras.

    O Movimento Unitário dos Reformados e Pensionistas e Idosos (MURPI) considerou anticonstitucional a reposição das taxas moderadoras e exige, por isso, a demissão da ministra da Leonor Beleza “antes que faça mais estragos nos serviços de saúde”.

    O MURPI considera, num comunicado, divulgado na imprensa, que embora os pensionistas não sejam atingidos não pode deixar de reclamar a revogação imediata das “escandalosas taxas moderadoras”.

    O texto sublinha que os idosos e os inválidos fazem parte dos grupos mais atingidos pelo “sistema unidose de medicamentos” cada vez mais caros, tal como são os mais atingidos, afirmam, “pelo sádico novo esquema de assistência para os tratamentos de medicina física e reabilitação”.

    O esquema do ministério, acrescenta o comunicado, visa afastar os utentes dos tratamentos “quer pelo cansaço de tanta espera quer por incapacidade física e económica para a deslocação aos centros de saúde e hospitais”.

    O Diário de Notícias escreve que a política de saúde da ministra Leonor Beleza tem sido contestada por vários setores, entre os quais os médicos policlínicos que tinham estado em greve recentemente.

  • 09 Aug 1986

    Bissau escondeu as datas dos fuzilamentos dos condenados políticos

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto ALFREDO CUNHAFoto ALFREDO CUNHA

    Os “condenados da Guiné” já estavam mortos quando Mário Soares intercedeu escreve o semanário Expresso sobre os processos políticos em Bissau.

    Paulo Correia e os outros cinco réus condenados à morte “recentemente” na Guiné-Bissau já tinham sido fuzilados quando o Presidente da República, Mário Soares, “contactou telefonicamente Nino Vieira para que este lhes comutasse as penas”, escreve o Expresso que cita uma fonte diplomática em Bissau.

    Na primeira página continua em destaque a situação no PRD tendo o Expresso apurado que Ramalho Eanes continua a consultar várias personalidades sobre a opção de “uma entrada espetacular” e com grandes mudanças no partido.

    Ao mesmo tempo, fontes partidárias referem que o PRD vai “pôr fim à liberdade de voto” durante a convenção agendada para o mês de outubro.

    No mesmo dia, o Diário de Notícias destaca a demissão do diretor do Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz, Silvano Costa, anunciada no dia anterior pela Direção-Geral dos Serviços Prisionais.

    No mês de julho “seis perigosos cadastrados” tinham-se evadido da cadeia além de terem sido detetadas “falhas” que foram apontadas como “um descontrolo absoluto sobre indivíduos perigosíssimos, que não eram tratados como tal”.

  • 08 Aug 1986

    Um em cada cinco residentes em Lisboa ouve rádios ‘pirata’

    Por: Pedro Sousa Pereira

    Na sexta-feira, 08 de agosto, o Diário de Notícias publica um estudo inédito que indica que um em cada cinco residentes na região de Lisboa costuma ouvir as novas rádio locais que ainda não foram legalizadas.

    O estudo da Marktest, “o primeiro que é feito para o universo das ‘piratas’ revela que a Rádio Cidade, da Amadora, é a mais ouvida da Grande Lisboa, com cerca de 15 por cento dos hábitos de audiência”.

    Seguem-se a Rádio Saturno, de Odivelas; a Rádio Marginal, de Carcavelos e a Rádio Miramar, de Oeiras.

    O estudo permite também concluir que no conjunto do país, a região de Lisboa é aquela onde as novas emissoras têm pior implantação, sendo preferidas, prioritariamente, no litoral entre Lisboa e o Porto e ao longo da costa algarvia.

  • 07 Aug 1986

    Ponte 25 de Abril deve ser “alargada”

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto CRISTINA FERNANDESFoto CRISTINA FERNANDES

    Um dia após ter sido assinalado o vigésimo aniversário da Ponte 25 de Abril, em Lisboa, o ministro das Obras Públicas, Oliveira Martins, defendia o alargamento das vias manifestando “descontentamento” pela morosidade dos estudos que condicionam a utilização ferroviária da estrutura.

    Numa cerimónia comemorativa, o ministro depois de ter referido que se cumpriu a previsão feita há 20 anos (1966) sobre o pagamento integral da ponte, com a amortização do capital e dos juros, o pagamento da portagem vai manter-se para “obter recursos financeiros necessários, não só à conservação e beneficiação como, futuramente, ao aumento da sua capacidade”.

    De acordo com as estatísticas divulgadas pela Junta Autónoma de Estradas e publicadas na imprensa, desde que foi aberta ao tráfego a ponte sobre o rio Tejo “deu passagem a mais de 228 milhões de veículos, que deixaram nos cofres das portagens 6,8 milhões de contos”.

  • 06 Aug 1986

    Deputados portugueses têm os salários mais baixos da Europa

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto Guilherme VenâncioFoto Guilherme Venâncio

    Um deputado português “recebe anualmente 1.500 contos” e “mesmo assim está colocado no último lugar da escala salarial dos seus congéneres dos países da Comunidade Económica Europeia (CEE)”, escreve a revista britânica Economist num artigo citado pelo Diário de Notícias.

    “Este vencimento, do qual estão excluídos os subsídios e as facilidades financeiras, representa cerca de metade do que recebe cada deputado grego”, acrescenta o DN.

    Os dados da revista britânica apresentam ainda estatísticas dos custos que os parlamentos representam para os contribuintes nacionais dos países da CEE, indicando que um deputado do Parlamento Europeu custa anualmente cerca de “450 mil dólares (cerca de 67.500 contos) um valor muito mais elevado do que a manutenção de qualquer membro dos parlamentos nacionais”.

    Na quarta-feira é revelado que o primeiro-ministro Cavaco Silva e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Pires de Miranda deslocam-se no próximo mês de setembro aos Estados Unidos onde devem ser recebidos “no rancho particular do vice-presidente George Bush”.

    Sobre a questão da dívida angolana, o DN escreve que o Banco Pinto & Sotto Mayor e o Banco Português do Atlântico lideram a renegociação.

    “Os interesses da parte angolana são, entre outros, a prorrogação dos pagamentos da prestação do capital vencido em 1986, fazendo ainda parte das mesmas negociações as dívidas angolanas a algumas empresas portuguesas”, escreve o jornal citando o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Brito e Cunha.

  • 05 Aug 1986

    Angola renegoceia dívida a Portugal

    Por: Pedro Sousa Pereira

    O jornal britânico Financial Times escreve que estão na fase final as negociações entre Luanda e Lisboa com vista a estabelecer os acordos de longo prazo relacionados com a dívida externa de Angola a Portugal, de “cerca de nove milhões de contos”.

    Segundo o Financial Times, devido à quebra do preço do petróleo, os juros totais da dívida externa angolana são da ordem dos “79 milhões de contos, caso tais dívidas não sejam renegociadas”.

    No mesmo dia, a agência de notícias Angop indica que o português Miguel Faria de Bastos foi declarado persona non grata por Luanda que lhe deu 48 horas para abandonar o país.

    Faria de Bastos foi acusado de envolvimento em “atividades ilícitas contra a República Popular de Angola” tendo o Ministério das Relações Exteriores angolano acrescentado que o comportamento do português “pela sua natureza e dimensão poderia não só pôr em risco a soberania e a segurança do Estado como também as suas relações de amizade e cooperação com outros países”, sem especificar.

    O português era membro dos corpos gerentes de 12 empresas e tinha avenças mensais por serviços prestados à TAP, Rocha Monteiro, Guedal, Hotel Presidente, entre outras.

  • 04 Aug 1986

    D. Manuel Martins denuncia situação “bastante carenciada” em Setúbal

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto António CotrimFoto António Cotrim

    Uma entrevista a D. Manuel Martins, bispo de Setúbal, ao programa de rádio Clube Português de Imprensa sobre questões sociais é destacada no Diário de Notícias.

    As declarações de D. Manuel Martins são desenvolvidas no DN que destaca preocupações do bispo sobre os recentes fuzilamentos na Guiné-Bissau tendo referido também que a situação do distrito de Setúbal, “conquanto tenha melhorado é ainda bastante carenciada.

    No mesmo dia, num longo artigo de opinião, João Soares Louro, antigo presidente do Conselho de Administração da RTP, diz que a televisão privada pode e deve esperar.

    “Mais meios podem significar maior dependência e maior massificação da programação, menos produção nacional e quebra da nossa identidade cultural, dos nossos valores comuns. Há outras prioridades”, escreve Soares Louro.

  • 03 Aug 1986

    Direção-Geral dos Impostos tem de funcionar como uma empresa

    Por: Pedro Sousa Pereira

    A edição do Diário de Notícias publica as declarações do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, José Oliveira e Costa (que viria a ser presidente do BPN).

    “A Direção-Geral das Contribuições e Impostos tem de funcionar como uma grande empresa. Temos de nos socorrer de técnicas de gestão empresarial, porque é essa a filosofia nova que queremos implementar”, diz Oliveira e Costa em entrevista ao programa “Nem mais nem menos”, da RDP.

    O então secretário de Estado para os Assuntos Fiscais anuncia no programa a criação de duas novas subdireções relativas à Fiscalização e à Organização e Informática.

    Para Oliveira e Costa, “existe a preocupação do Governo em acelerar o processo de reforma do sistema fiscal” através da fixação de um imposto único de pessoas singulares, coletivas e ainda um imposto fundiário, referente a problemas inerentes a autarquias.

    Quanto ao crédito fiscal para o investimento, o secretário de Estado anuncia para “breve” a publicação de um diploma “possibilitando a empresários que têm reservas acumuladas, reinvestimentos noutras áreas”.

  • 02 Aug 1986

    Eanes discute futuro do PRD

    Por: Pedro Sousa PereiraFoto António CotrimFoto António Cotrim

    O ex-presidente da República, Ramalho Eanes, pretende discutir o futuro do Partido Renovador Democrático, destaca o Expresso.

    “Que tipo de partido queremos ser?”, questionou Ramalho Eanes perante os dirigentes do PRD durante as reuniões ocorridas nos últimos dias.

    “Preocupado com os problemas de organização interna e com o baixo número de militantes, Eanes prefere não sobrevalorizar para já algumas questões estratégicas importantes como é, por exemplo, o caso da política de alianças”, escreve o Expresso.

    Segundo a notícia publicada no semanário, o antigo presidente da República pergunta se o PRD se deve conformar ou não “ao papel de partido charneira – prontificando-se a desempenhar uma função decisiva para a formação de qualquer maioria parlamentar”.

    No mesmo dia, o Diário de Notícias publica que o Governo de Cavaco Silva não aceita o convite do PRD para debates públicos “sobre questões setoriais”, respondendo desta forma à proposta dos renovadores que se mostravam interessados em analisar as alterações à Lei da Reforma Agrária e à legislação laboral.

    O DN refere-se também, na edição de sábado, à resposta do Governo do PSD aos protestos de Luanda sobre a reportagem difundida pela RTP “Angola: os anos perdidos” que a República Popular de Angola considerou “gesto de hostilidade, provocação e ingerência”.

    Na sequência dos protestos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros indica que não cabe ao Governo pronunciar-se sobre o conteúdo de um programa televisivo “porque o governo português consagra o princípio da liberdade de informação e de opinião” mas sublinha que Lisboa vê o governo de Luanda como “o único interlocutor” no país.

  • 01 Aug 1986

    Trabalhadores da ANOP “demarcam-se” da fusão com a NP

    Por: Pedro Sousa Pereira

    Um dia depois da assinatura do protocolo que visa a criação da nova agência de notícias portuguesa, os trabalhadores da ANOP “demarcam-se publicamente” da fusão com a Notícias de Portugal.

    “O protocolo assinado não passa de uma operação de propaganda do Governo destinada a fazer crer à opinião pública que há consenso em torno da sua proposta, apesar da mesma já ter sido rejeitada por um plenário de trabalhadores da ANOP”, refere o comunicado publicado no Diário de Notícias.

    O jornal relata que no dia anterior, no momento em que se iniciou a cerimónia de assinatura do protocolo, na presença de membros do Governo e do diretor-geral da Comunicação Social, Alves da Cunha, os representantes da Comissão de Trabalhadores, dos delegados sindicais e do Conselho de Redação da ANOP abandonaram a sala.

    No mesmo dia, a embaixada da República Popular de Angola acusa a RTP de “ingerência” na sequência de um programa transmitido pela estação pública portuguesa em que é entrevistado o líder da UNITA, Jonas Savimbi.

    Na página três do DN, uma pequena notícia dá conta da morte de dois portugueses, reféns da RENAMO, em Moçambique.

    A morte dos dois portugueses é confirmada pela Resistência Nacional Moçambicana e refere-se aos dois homens que tinham sido raptados na província da Zambézia, no centro do país.

    Em 1985 a RENAMO tinha raptado 26 portugueses, tendo 11 sido libertados ao longo dos últimos meses.

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