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Fevereiro 1986
  • 28 Fev 1986

    Sporting estreia bilhetes antifraude

    Por: Joana Ramos SimõesFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    O Sporting anunciou há 30 anos que iria estrear em Portugal a utilização de bilhetes antifraude, “que mudam de cor ao serem cortados pelos porteiros do Estádio de Alvalade”.

    O ensaio dos bilhetes foi marcado para o jogo da primeira mão dos quartos-de-final da Taça UEFA [hoje em dia, Liga Europa], com a equipa alemã do Colónia.

    De acordo com o então presidente do clube, João Rocha, este género de bilhetes seria também utilizado nos jogos para o Nacional de Futebol da I Divisão.

    Os primeiros bilhetes foram fabricados nos Estados Unidos, mas a ideia era que “num futuro próximo” passassem a ser fabricados em Portugal. Algo que não aconteceu logo, “por falta de equipamento adequado”.

    Estes bilhetes, descrevia o Diário Popular, eram “completamente diferentes dos tradicionais bilhetes de ingresso aos estádios”, mediam 137X39 mm e “eram impressos numa cartolina preparada com um produto químico que lhes produz alteração da cor primitiva ao serem rasgados”.

  • 27 Fev 1986

    Ir pôr gasolina a Espanha para poupar 19 escudos

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Nuno VeigaFoto Nuno Veiga

    Há 30 anos, muitos automobilistas portugueses iam meter gasolina a Espanha porque, contava o Diário Popular (DP) “menos 19 escudos por litro compensam a viagem”.

    O “elevado” preço da gasolina em Portugal naquela altura, “que o governo contra tudo e contra todos insiste em manter em 115 escudos (por cada litro de super)”, estava a originar “uma espécie de contrabando, ainda que em pequena escala e compreensível”.

    Dizia do DP que este “fenómeno” poderia tornar-se mais habitual “se se confirmar uma nova descida do preço da gasolina espanhola prevista em cinco pesetas”.

    A redução naquela altura seria “motivada pela acentuada queda do dólar e pela descida do petróleo nos mercados internacionais”.

    “A conjugação desses dois fatores – como temos noticiado – tem levado a quase totalidade dos países europeus a reduzirem o preço de venda dos combustíveis. Portugal é uma das raras exceções, embora até a legislação em vigor obrigue a uma descida do preço”, lia-se no jornal.

  • 26 Fev 1986

    E nasceu o primeiro bebé-proveta em Portugal

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Manuel MouraFoto Manuel Moura

    O primeiro bebé proveta português mereceu honras de primeira página em vários jornais a 26 de fevereiro de 1986.

    Carlos Miguel tinha nascido no dia anterior, pelas 13:30 com 50 centímetros e 3,330 quilogramas, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, “após os seus progenitores terem passado mais de dez anos em frustradas tentativas de obterem um filho”.

    A criança “foi concebida graças à técnica de fertilização in vitro, a partir do esperma do pai e de um óvulo da mãe”.

    Naquela altura, 62 casais aguardavam vez para se sujeitarem ao processo de fertilização in vitro que, até àquele dia, tinha permitido que seis mulheres engravidassem, num total de onze tentativas.

    Nesse dia, os jornais destacaram também o prémio que o realizador português João Botelho recebeu no Festival Internacional de Cinema de Berlim, com o filme “Um Adeus Português”.

    O realizador recebeu um troféu de prata, atribuído pelo júri da Organização Católica Internacional de Cinema, “pelos valores humanos que o filme exprime”.

    O júri considerou que o filme “procura e consegue de forma claramente estruturada marcar o fim da época colonial portuguesa e relacioná-la com a vida atual”.

  • 25 Fev 1986

    Primeiro bebé proveta e médico que o “criou” encontram-se ao fim de 23 anos

    Por: Sandra Moutinho, Hugo Fragata (Vídeo) e Tiago Petinga (Foto)

    O primeiro “bebé-proveta” português e o médico que há 30 anos o fez nascer por Fertilização In Vitro (FIV) reencontraram-se após mais de 20 anos sem se verem, um momento marcado pela emoção e uma conversa sobre futebol.

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  • 25 Fev 1986

    Moda outono/inverno em versão “retro”

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    No outono/inverno de 1986 o “estilo conservador” regressava à moda masculina. Mas não só, o conforto imperava e os tecidos inovadores estavam para ficar. Isso foi o que se percebeu da apresentação de coleções em Paris, contava o Diário Popular.

    “As 31 coleções para 86/87 são unânimes em declarar que o fato é eterno”, já que “quase todos os estilistas apresentaram a sua versão pessoal de um fato estilo ‘retro’ visando os compradores de moda masculina em todo o mundo e que se deslocaram a Paris para as passagens de modelos e para uma gigantesca exposição de moda masculina europeia”, lia-se no jornal.

    Se as passagens de modelo serviam de barómetro ao que se vestia nas ruas, “a geração ‘blue jeans’ parece estar agora à procura de calças que sejam simultaneamente confortáveis e aceitáveis no escritório”.

    Os tecidos escolhidos para o outono/inverno daquele ano eram “agradavelmente luxuosos: caxemira, tweed, lãs mescladas, gabardina de lã, flanela e panos de primeira qualidade, em padrões de grande variedade de ‘jacquard’, xadrez, escocês e riscas”.

  • 24 Fev 1986

    O princípio do fim de Ferdinando Marcos

    Por: Joana Ramos Simões

    A situação “confusa” nas Filipinas mereceu, há 30 anos, destaque de primeira página no Diário de Notícias.

    O presidente filipino Ferdinando Marcos recusava demitir-se por considerar ter sido “legitimamente eleito” e por “não haver prova de fraudes nas eleições”.

    Marcos garantia que não haveria uma guerra civil no país, porque os revoltosos não tinham “força suficiente”.

    Ao falar em revoltosos, Marcos referia-se ao ministro da Defesa, Juan Enrile Ponce, e ao chefe de Estado Maior, Fidel Ramos, “protagonistas da revolta em curso” nas Filipinas.

    Nesta altura, a líder da oposição filipina, Corazon Aquino, que tinha concorrido às eleições presidenciais com Marcos, juntou-se aos “destacados oficiais da Defesa”, que estavam num lugar “fortemente guardado” à espera que o presidente se demitisse.

    O governo norte-americano considerou que houve “fraude nas eleições presidenciais de 07 de fevereiro nas Filipinas”, embora não tenha pedido a Marcos que abandonasse o cargo.

  • 23 Fev 1986

    Um flagelo social chamado alcoolismo

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Nuno VeigaFoto Nuno Veiga

    A 23 de fevereiro, o Correio da Manhã destacava uma entrevista a um médico do Hospital Conde Ferreira, no Porto, que alertava para o “flagelo social, do ponto de vista físico e psicológico” da ingestão de álcool.

    “Do ponto de vista médico, jovens até aos 15 anos não devem ter qualquer tipo desse contacto [com álcool], porque cerca de um terço das crianças que consomem álcool tornam-se mais tarde bebedores excessivos”, defendeu José Rocha, em entrevista à agência Notícias de Portugal (NP), baseando-se num trabalho feito no Centro de Saúde Mental e Juvenil do Porto.

    Das 127 crianças que frequentavam a consulta de psiquiatria infantil naquele centro, 70 por cento tinham contacto com álcool.

    O trabalho demonstrou ainda que “um quarto das crianças que haviam ingerido álcool já tinham apresentado sinais de exagero de alcoolismo e vinte por cento não ingeriam regularmente leite, carne e peixe”.

    O médico adiantou ainda que “cerca de um terço dos internamentos do Hospital Conde Ferreira são derivados de alcoolismo”.

    “Um estudo de doentes alcoólicos, feito nos últimos quatro anos, revela que o número de internamentos tem sido crescente, demonstrando que o problema do alcoolismo em Portugal não está no caminho de ser resolvido”, disse.

  • 22 Fev 1986

    Dali, Picasso e Miró em Lisboa

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, acolheu em fevereiro de 1986 uma exposição de pintura espanhola - “uma das maiores exposições de arte espanhola que jamais foi vista entre nós” - que mereceu destaque nas páginas dos jornais da altura.

    Organizada na sequência da entrada de Portugal e Espanha na Comunidade Económica Europeia (CEE), a mostra contava com obras de artistas como Salvador Dali, Darío Villalba, Pablo Picasso, Joan Miró, Juan Gris e Zusch.

    Embora sejam apresentados trabalhos de alguns “artistas tradicionais”, os organizadores quiseram “dar um panorama tão vasto quanto possível numa mostra deste género sobre o que se tem feito em Espanha”.

    Em outubro, seria a vez de a arte contemporânea portuguesa rumar a Madrid para uma exposição no Museu Espanhol de Arte Contemporânea.

    Com um tema completamente diferente, mas também em destaque nos jornais da época estava a história do japonês Ryusuke Tanaka, de três anos, que “esteve morto dez minutos”. A criança afogou-se e foi dada como morta, “mas os cuidados que recebeu no hospital de Fukuoka permitiram restituir-lhe a vida”.

  • 21 Fev 1986

    Queda do desemprego em 1986

    Por: Joana Ramos Simões

    Ao folhear o Diário Popular de 21 de fevereiro de 1986 fica a saber-se que a taxa de desemprego diminuiu nos últimos três meses de 1985, face ao ano anterior e que o emprego aumentou. No entanto, “cresceram também as famílias sem membros ativos”. Tudo isto de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

    Os ramos de atividade nos quais a taxa de emprego mais aumentou foram o comércio, restauração, hotelaria e transportes. À data, a construção “continua a revelar falta de dinamismo na absorção de emprego”.

    No trimestre analisado pelo INE, o desemprego era de “média e longa duração”, visto que 45,2% dos desempregados já procuravam emprego há mais de um ano. Destes, metade estavam desempregados há mais de dois anos.

    Na altura, as mulheres continuavam “a ser as mais afetadas pelo desemprego de longa duração, embora o seu peso tivesse diminuído ligeiramente em relação ao trimestre precedente”. Segundo o INE, o desemprego era naquela altura “essencialmente um fenómeno das camadas jovens e das mulheres”.

  • 20 Fev 1986

    O primeiro transplante cardíaco em Portugal

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos era feito em Portugal o primeiro transplante de coração. O transplante realizou-se no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, numa mulher com cerca de 50 anos que sofria de miocardiopatia dilatada irreversível, segundo o Diário Popular e o Diário de Notícias.

    A intervenção, feita por uma equipa chefiada pelo professor João Queirós e Melo, demorou três horas e meia e custou 400 contos (cerca de dois mil euros).

    A paciente, que recebeu o coração de um homem, tinha sido transferida para o Hospital de Santa Cruz “há mais de um mês”, tendo ficado internada e em observação no serviço de Cardiologia.

    “O seu estado era desesperado. A transplantação era o único recurso possível. Espero que não tenhamos que enfrentar o perigo de rejeição. No entanto, tudo pode acontecer”, afirmou o diretor do hospital, Machado Macedo.

    O então presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Fernando Pádua, considerou a operação “o feito mais espetacular” da cirurgia em Portugal.

    Já o então bastonário da Ordem dos Médicos, Gentil Martins, referiu que esta primeira transplantação em Portugal “demonstra que há uma tecnologia de ponta e médicos para a aplicar”.

  • 19 Fev 1986

    Atentado à bomba em Lisboa

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    A explosão de uma bomba no átrio interior da entrada principal da embaixada dos Estados Unidos, em Lisboa, o terceiro atentado na cidade nos últimos quatro dias, mereceu destaque de primeira página no Diário de Notícias de 19 de fevereiro.

    Na mala de um automóvel de matrícula diplomática foi detetado, pelo militar norte-americano de serviço, um “objeto estranho e suspeito”. Um militar avisou o condutor do carro, seu compatriota, para que se afastasse do local.

    Instantes depois ocorria uma explosão, ouvida num raio de 800 metros, com fragmentos do carro a serem projetados em todas as direções num raio de 400 metros.

    O funcionário que conduzia o automóvel não soube explicar como a bomba tinha ido parar à bagageira.

    O atentado não causou vítimas nem danos de maior.

    Este foi o terceiro atentado ocorrido em Lisboa no espaço de uma semana. O primeiro vitimou o diretor-geral dos Serviços Prisionais e o segundo visou “o cidadão” Fernando Augusto Estevão quando no Restelo uma granada explodiu na sua viatura.

  • 18 Fev 1986

    “Um dia tranquilo” depois da vitória de Soares

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    Dois dias após a segunda volta das presidenciais, os jornais da época ainda destacavam o assunto nas primeiras páginas.

    O Diário de Notícias, entre outras coisas, contava que o “presidente eleito teve um dia tranquilo”, referindo que “Mário Soares recebeu inúmeros telefonemas, principalmente do estrangeiro, a maioria deles transmitindo felicitações pela vitória eleitoral”.

    O mesmo jornal mostrava quem ganhou em que distritos, com cada um dos candidatos a vencer em nove distritos.

    Mário Soares venceu no Porto, em Coimbra, Lisboa, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja e Faro, e Freitas do Amaral em Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Leiria. Tendo Freitas do Amaral vencido também nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

    Já o Diário Popular (DP) mostra como correram as votações nas 53 freguesias de Lisboa, onde Soares venceu em 35 e Freitas em 18.

    O DP publica ainda um dado curioso. A freguesia da Fajã Grande, no concelho de Lajes das Flores, nos Açores, foi a única onde os candidatos tiveram igual número de votos: 67.

  • 17 Fev 1986

    Milhares festejam Soares, “presidente de todos os portugueses”

    Por: Joana Ramos Simões

    Mário Soares venceu a segunda volta das eleições presidenciais de 1986, com um nível de abstenção, 21,75 por cento, inferior ao da primeira volta. Soares reuniu 51,32 por cento dos votos e Freitas do Amaral 48,68 por cento.

    Nesse ato eleitoral registaram-se dois boicotes, em Vizela e em Lever.

    Em Vizela, os membros das mesas assinaram uma ata na qual justificavam a sua recusa em abrir as urnas com o incumprimento, por parte da Assembleia da República e do governo, “das promessas feitas ao povo de Vizela relativamente à criação do concelho”.

    Já em Lever, “o litigio com a freguesia vizinha de Crestuma sobre terrenos que ambas reivindicam e a carga da GNR sobre a população local, há três anos, foram, mais uma vez a causa do boicote”.

    Na sua primeira declaração depois de eleito, Mário Soares afirmou: “Não serei Presidente da maioria que me elegeu. Serei Presidente de todos os portugueses, decidido a uni-los, independentemente das suas opções, garantindo a todos igualdade de direitos e o mesmo tratamento”.

    Milhares de pessoas deslocaram-se à sede de candidatura de Mário Soares, na Avenida Conde Valbom, em Lisboa, mal os resultados foram conhecidos.

    O primeiro-ministro de então, Cavaco Silva, garantiu que o governo “não promoveria conflitos institucionais” e reafirmou a sua adesão ao projeto de Freitas do Amaral.

  • 16 Fev 1986

    O “sábio” equilíbrio entre disciplina e espontaneidade da eleição de Soares

    Por: Pedro Morais FonsecaFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Os 30 anos da vitória de Mário Soares nas eleições presidenciais de 1986 foram um triunfo que José Manuel dos Santos, dirigente socialista, diz ter-se baseado num "sábio equilíbrio" entre disciplina e espontaneidade do candidato.

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  • 16 Fev 1986

    O dia do duelo Soares-Freitas para Belém

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Mais de 7,6 milhões de eleitores estavam recenseados para as eleições de 16 de fevereiro de 1986, a 14.ª vez em que os portugueses iam às urnas após o 25 de Abril de 1974.

    Na corrida ao lugar de Presidente da República estavam dois candidatos: Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral.

    No dia em que os portugueses regressaram às urnas para escolher o sucessor de Ramalho Eanes, ficava a saber-se que o Diretor-Geral dos Serviços Prisionais, Gaspar Castelo Branco, tinha disso “assassinado com tiro na cabeça a dois passos de casa”.

    Segundo os jornais da época, o “atentado” foi reivindicado horas depois pelas FP-25 [organização armada Forças Populares 25 de Abril].

    Gaspar Castelo Branco ocupava o cargo de Diretor-Geral dos Serviços Prisionais desde 1982. A sua ação no cargo, recorda o Diário de Notícias, tinha sido “fortemente criticada por detidos envolvidos no caso das FP-25, bem como por advogados de defesa, após a fuga de vários presos da Penitenciária de Lisboa, em setembro de 1985”.

  • 15 Fev 1986

    30 mil crianças vítimas de violência em Portugal

    Por: Joana Ramos Simões

    A 15 de fevereiro, o Diário de Notícias dava conta que havia em Portugal “cerca de 30 mil crianças vítimas, anualmente, de maus tratos”.

    O número foi revelado pelo sociólogo Fausto Amaro numa reunião sobre a criança maltratada, na Escola de Enfermagem Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

    Segundo o sociólogo, dessas 30 mil crianças “seis mil são agredidas fisicamente, 23 mil são negligenciadas (a maioria dos casos vivem entregues a si próprias) e mil são violentadas sexualmente”.

    Na altura, Fausto Amaro alertou que, “tendo em conta que o assunto é tabu” em Portugal, “é muito difícil detetar com precisão os casos de violência exercida sobre menores”.

    As causas da violência exercida sobre a criança “podem ser muitas” e as consequências são “facilmente detetáveis”.

    “O aumento da taxa de consumo de droga, álcool e o aumento da população delinquente” são, para o sociólogo, “resultados” dos maus tratos.

    A médica Maria José Lobo Fernandes, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, falou das “dezenas de casos de violência” que apareciam naquela época nos bancos de pediatria, alertando que estes “são apenas o cimo da pirâmide”.

    Segundo a médica, cerca de dois terços das crianças atendidas naquele hospital com suspeitas de terem sofrido maus tratos tinham menos de três anos.

    Além dos maus tratos físicos, a violência psíquica assumia “igualmente aspetos alarmantes”.

    Os intervenientes no debate consideraram como medida eficaz para combater estes números “uma ação preventiva multidisciplinar, que envolva médicos, educadores, juristas, assistentes sociais e outros especialistas”.

  • 14 Fev 1986

    “Regresso ao futuro”, o filme mais visto

    Por: Joana Ramos Simões

    “Regresso ao Futuro”, o primeiro da trilogia de Robert Zemeckis, foi o filme com mais receitas de bilheteira nos Estados Unidos e no Canadá em 1985.

    Segundos dados da revista norte-americana Variety, citados pelo Diário de Notícias a 14 de fevereiro, “Regresso ao Futuro” arrecadou 95 milhões de dólares (cerca de 87 milhões de euros) em receitas de bilheteira.

    Na lista dos filmes com maiores receitas de bilheteira seguiram-se “Rambo II” (80 milhões de dólares/73 milhões de euros) “Rocky IV” (55 milhões de dólares/50 milhões de euros), “O Caça-Polícias” (50 milhões de dólares/45 milhões de euros) e Cocoon (45 milhões de dólares/41 milhões de euros).

    Alguns destes filmes estavam nessa altura em cartaz nas salas de cinema portuguesas. A título de exemplo, na Grande Lisboa era possível ver-se “Regresso ao Futuro” em salas como o Casino Estoril, o São Jorge, o Oxford e as Amoreiras, “Coocon” no Miramar e no Fonte Nova, ou “Rocky IV” no Éden.

  • 13 Fev 1986

    Crise no cinema e um SOS a Cavaco Silva

    Por: Joana Ramos Simões

    Em fevereiro de 1986, os “empresários de cinema lançam ‘SOS’ a Cavaco Silva”.

    Numa carta dirigida ao então primeiro-ministro, e citada pelo Correio da Manhã, a Associação de Empresas Cinematográficas lamentava que Portugal tivesse “o mais pobre parque exibidor da Europa”.

    “Mais de metade dos concelhos do país não dispõe de recintos de cinema em atividade. O cinema perdeu 21 milhões de frequentadores desde 76 a 84”, referia a associação.

    De acordo com aquela entidade, nos anos 80 iam ao cinema menos pessoas do que em 1950. Além disso, na década de 50, a percentagem de lugares ocupados rondava os 40 por cento, tendo baixado para 19 por cento em 1986.

    “Hoje, o cinema em Portugal desceu aos níveis da primeira metade dos anos 40”, alertava a associação, que pedia a extinção do Instituto Português do Cinema (IPC) como organismo financeiro autónomo, “por não ter sido capaz de gerir bem as receitas que tem recebido”.

    O IPC recebia o ‘adicional’, um imposto de 15 por cento sobre todos os bilhetes de cinema vendidos em Portugal, criado em 1971 por um decreto-lei da ex-Assembleia Nacional.

    A associação queixava-se ainda do IVA que, diziam, “veio onerar ainda mais os custos da empresa”, não no preço do bilhete, que estava isento, mas sobre estúdios e laboratórios.

  • 12 Fev 1986

    Preços agrícolas abaixo da média europeia

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Paulo NovaisFoto Paulo Novais

    Naquela altura, os preços agrícolas em Portugal eram inferiores aos praticados nos outros países da Comunidade Económica Europeia (CEE), com exceção dos cereais, do pêssego em lata e do leite, de acordo com um documento oficial citado pelo Diário de Notícias (DN).

    O documento revelava “o esquema a utilizar para a aproximação dos preços agrícolas entre Portugal e as Comunidades Europeias no período transitório, no fim do qual os produtos agrícolas custarão em Portugal o mesmo que nos restantes estados-membros”.

    A primeira ação a realizar passava por converter os preços dos produtos agrícolas portugueses em ECU (a moeda comunitária).

    Nos casos em que os preços portugueses eram mais baixos ou iguais aos praticados nos outros países, “os aumentos deveriam ser feitos simultaneamente em Portugal e nos restantes países membros”, referia o documento.

    Apenas o leite, os produtos lácteos e o vinho constituíam exceções ao sistema de aproximação de preços.

  • 11 Fev 1986

    “Um Adeus Português” no festival de Berlim

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Mário CruzFoto Mário Cruz

    Em 1986, o filme “Um Adeus Português”, de João Botelho, foi selecionado para a 36.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, que decorreria naquele mês na capital alemã.

    O filme, na altura ainda não estreado em Portugal, seria exibido três vezes, no âmbito da secção Fórum Internacional do Cinema Jovem.

    “Um Adeus Português”, que já tinha sido apresentado no Festival de Londres, foi distinguido no Festival do Rio de Janeiro com o prémio de melhor realizador e com uma menção honrosa.

    Realizado e produzido por João Botelho, o filme tem no elenco atores como Ruy Furtado, Isabel de Castro, Fernando Heitor, João Perry, Luís Lucas e Maria Cabral.

    Em 1986, “Ginger e Fred”, do italiano Federico Fellini, foi o filme de abertura do festival, no qual foram exibidos mais de 650 películas de 18 países.

    Nesse ano, o júri do festival foi presidido pela atriz italiana Gina Lollobrigida.

  • 10 Fev 1986

    Portugueses tinham de trabalhar meio dia para comprar um bife

    Por: Joana Ramos Simões

    A análise a um quadro comparativo dos custos de mão-de-obra na Europa e três países não europeus (Estados Unidos da América, Japão e Coreia), divulgado pelo Instituto do Investimento Estrangeiro, permitiu ao Correio da Manhã concluir que, em 1986, o “português é quem mais trabalha para poder comer e comprar carro”.

    O quadro em questão foi elaborado tendo por base estudos do Departamento de Estatística do Trabalho dos EUA.

    Na altura, os portugueses ganhavam uma média de 38 mil escudos (ou 189 euros) por mês.

    Para poder comprar um automóvel utilitário nessa altura, o português médio precisaria de dois anos de salário. Já em Espanha, menos de um ano de salários chegaria para comprar o mesmo carro, e na Bélgica seriam precisos apenas seis meses.

    Em relação a comida, tendo como exemplo a carne, um trabalhador português precisava de trabalhar meio dia, com benefícios sociais incluídos, para comprar um quilograma de bifes. A um espanhol bastaria trabalhar um terço do dia e a um belga uma hora.

    Portugal, nesta altura, surgia no grupo de sete países que registaram, entre 1984 e 1985, uma descida no custo da mão de obra.

  • 09 Fev 1986

    Portugueses jogavam aos milhões por semana

    Por: Joana Ramos SimõesFoto António CotrimFoto António Cotrim

    Em 1986, os portugueses gastavam mais de 1,5 milhões de contos por semana em jogos, de acordo com uma fonte do governo citada pelo Correio da Manhã (CM).

    No Totoloto eram apostados, por semana, cerca de 500 mil contos, para a Lotaria 300 mil e para o Totobola 160 mil.

    Estes eram, naquela altura, “os três jogos clássicos e oficiais”, mas era necessário acrescentar o dinheiro jogado salas de Bingo por todo o país, que, segundo a fonte do CM seriam cerca de 250 mil contos por semana.

    Outra fatia era gasta nos casinos por uma “elite, muitas vezes altamente profissionalizada”.

    Conta o jornal que, “além do vasto e atraente leque de jogos” que existia em Portugal, “muitos milhares” recorriam a Espanha para, “no Totoloto, na Lotaria ou no Totobola, apostarem num futuro mais risonho ou num prémio simpático, porque aquilo em Espanha atinge números verdadeiramente astronómicos”.

    A fonte do CM referiu que podia calcular-se “em mais de 200 milhões de escudos” que saíam do país “à caça de rios de pesetas vindas de Espanha”.

    A juntar a tudo isto, nesta altura dizia-se que estaria para breve o aparecimento da chamada Lotaria instantânea, “onde, através da compra de um pequeno cartão o apostador pode ‘descobrir’ uma sequência de números que lhe dará (ou não) uma gentil remuneração do seu capital investido”.

  • 08 Fev 1986

    Carnaval, de Moncarapacho ao Rio de Janeiro

    Por: Joana Ramos Simões

    Apesar do 08 de fevereiro de 1986 ter sido um sábado, o Carnaval, que se celebraria na terça-feira, já enchia páginas dos jornais.

    O Diário de Notícias dava conta que “Carnaval sai à rua em todo o país e festa reina durante quatro dias”. Nesse ano, os candidatos à Presidência da República e os atores da telenovela brasileira “Louco Amor”, exibida no canal 1 da RTP, disputavam “as honras dos festejos”.

    O jornal dava destaque a festejos um pouco por todo o país: Vila Real de Santo António, Moncarapacho, Loulé, Sesimbra, Lisboa, Chamusca, Torres Vedras, Alhandra, Redondo, Buarcos, Ílhavo, São João da Madeira “e até” Viana do Castelo e Arcos de Valdevez.

    Os jornais falavam também no Carnaval do Brasil, onde, nesse ano, “‘topless’ foi permitido em bailes, mas proibido nas ruas cariocas” e a “cerveja racionada”, devido à escassez deste líquido por ter havido um aumento de 20% no seu consumo.

    Além de autorizarem o ‘topless’ nos bailes, as autoridades permitiram também “o uso de biquínis como os que estão na moda, tão pequenos, tão pequenos, que os brasileiros chamam-lhe ‘fio dental’”, contava o Correio da Manhã.

  • 07 Fev 1986

    Mais de cem filmes no Fantasporto

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos, a 07 de fevereiro, arrancava a 6.ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto, Fantasporto, “com cerca de cem filmes, setenta dos quais em antestreia absoluta em Portugal”, com sessões no Auditório Nacional Carlos Alberto e nas salas Lumiere A e L, noticiavam o Diário Popular e o Diário de Notícias.

    “A Noite de Espanto”, de Tom Holland, “obra cinematográfica dirigida preferencialmente a um público jovem, misto de terror e comédia”, foi o filme de abertura do certame, que encerraria no dia 16.

    Nesse ano a programação do Fantasporto incluía duas retrospetivas, uma dedicada ao cinema fantástico japonês e a outra ao realizador belga Harry Kumel, um dos convidados desta edição.

    Além do cinema, o Fantasporto incluía a inauguração de duas exposições, uma dedicada ao filme “Gwen”, de J.F. Languionie, “composta por uma vintena de pranchas de banda desenhada”, e a outra, “de máscaras”, de José Manuel Pereira e Roberto Merino.

    Já nesta altura, o Fantasporto era organizado pela Cinema Novo, que, à época, era uma revista cinematográfica.

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  • 06 Fev 1986

    E os nomeados para os Óscares são…

    Por: Joana Ramos Simões

    “A Cor Púrpura” e “África Minha” foram os filmes mais nomeados para os Óscares de 1985, com onze nomeações cada, revela o Diário de Notícias de 06 de fevereiro.

    Para melhor filme estavam nomeados, além de “África Minha” e “A Cor Púrpura”, “O Beijo da Mulher-Aranha”, “A Honra dos Padrinhos” e “A Testemunha”.

    Na corrida para o Óscar de melhor realizador estavam John Huston, por “A Honra dos Padrinhos”, Akiro Kurasawa, com “Run”, Hector Babenco, com “A Testemunha”, e Sidney Pollack, com “África Minha”.

    Jack Nicholson (“A Honra dos Padrinhos”), Harrison Ford (“A Testemunha”), James Garner (“O Romance de Murphy”), William Hurt (“O Beijo da Mulher-Aranha”) e John Voight (“Comboio em Fuga”) foram os nomeados para melhor ator.

    Já para melhor atriz foram escolhidas Whoopi Goldberg (“A Cor Púrpura”), Ane Bancroft (“Agnes de Deus”), Jessica Lange (“Depois da Meia-Noite”), Meryl Streep (“África Minha”) e Geraldine Page (“Regresso a Bountiful”).

    Para melhor ator e melhor atriz secundário foram nomeados, respetivamente, Don Amech (“Cocoon”) e Margaret Avery (“A Cor Púrpura”), Klauos Maria Brandauer (“África Minha”) e Oprah Winfrey (“A Cor Púrpura”), William Hickey (“A Honra dos Padrinhos”) e Angelica Huston (“A Honra dos Padrinhos”), Robert Logia (“O Fio do Suspeito”) e Amy Madigan (“Duas Vezes numa Vida”) e Eric Roberts (“Comboio em Fuga”) e Meg Tilly (“Agnes de Deus”).

  • 05 Fev 1986

    Soares ao ataque até à provocação, Freitas à defesa

    Por: Joana Ramos Simões

    O debate televisivo entre os candidatos à segunda volta das eleições presidenciais de 1986, Mário Soares e Freitas do Amaral, mereceu honras de primeira página em vários jornais a 05 de fevereiro.

    Segundo o Diário de Notícias (DN), o reencontro entre os dois candidatos “foi menos cordial e mais emotivo”. O Correio da Manhã (CM) refere que Freitas fez “defesa da imagem do Estado” e Soares “ataque até à provocação”. Já o Diário Popular (DP) dizia que ambos estavam “certos da vitória”.

    Exibido no canal 1 da RTP e moderado pelos jornalistas Miguel Sousa Tavares e Margarida Marante, o debate, que teve uma audiência recorde de 75%, foi também transmitido na rádio.

    Recordava o DN que “a capital oferecia, entre as 21:00 e as 23:00, um aspeto desolador de cidade abandonada”.

    “Nem o trânsito automóvel, nem os peões lhe davam a menor animação, e os comboios suburbanos circulavam quase vazios”, lê-se no jornal.

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  • 04 Fev 1986

    A maior ambição era… ter casa

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Manuel MouraFoto Manuel Moura

    Em 1986, a maioria dos portugueses tinha a ambição de, a curto prazo, comprar uma casa e equipamento para a mobilar, de acordo com uma sondagem da Marktest, citada pelo Correio da Manhã.

    Essa ambição pertencia maioritariamente aos portugueses do grupo etário 45-54 anos.

    Outros desejos dos portugueses para esse ano passavam por gozar férias no estrangeiro, arranjar um bom emprego e comprar um carro. Sendo que no caso dos mais jovens, arranjar um bom emprego surgia no primeiro lugar do “ranking”.

    A mesma sondagem permitiu perceber que, “embora seja extremamente elevado o número de portugueses que manifesta uma posição bastante pessimista em relação à situação económica atual (superior a 85 por cento), houve uma ligeira recuperação nos últimos meses”.

    Já em relação ao IVA, que entrou em vigor nesse ano, cerca de 70% dos portugueses consideravam que seriam “os consumidores os mais atingidos com a introdução desse imposto, enquanto 38,3 por cento pensavam serem as empresas as mais afetadas”.

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  • 03 Fev 1986

    Frio, neve e um andar em Oeiras sorteado pelo DN

    Por: Joana Ramos Simões

    O inverno de 1986 foi particularmente rigoroso. Só num fim de semana morreram pelo menos 28 pessoas em França, em Itália e na Áustria.

    Chuvas torrenciais, avalanchas, localidades isoladas e muita neve por toda a Europa, contava o Diário de Notícias (DN) a 03 de fevereiro.

    No entanto, em Portugal “o mau tempo amainou, não se registando as fortíssimas rajadas de vento que as últimas 48 horas assolaram a capital”.

    “Contudo, temperaturas negativas, queda de neve, precipitação e algumas estradas obstruídas não deixaram de ser um facto um pouco por todo o país, confirmando os rigores deste Inverno”, descrevia-se no DN.

    Ainda a 03 de fevereiro, o DN sorteou, entre os seus leitores, um apartamento de quatro assoalhadas em Oeiras no valor de 7.200 contos (cerca de 35 mil euros).

    Para concorrer, os leitores tinham apenas de ter guardado a separata publicada com o jornal a 19 de dezembro do ano anterior.

    O vencedor seria sorteado nessa tarde na sede do jornal, na Avenida da Liberdade. No caso de o número sorteado ser o de uma separata que não foi vendida, o sorteio seria repetido.

  • 02 Fev 1986

    Arranca segunda volta das presidenciais

    Por: Joana Ramos Simões

    O início da campanha para a segunda volta das presidenciais foi um dos assuntos destacados nos jornais a 02 de fevereiro.

    Freitas do Amaral e Mário Soares tinham começado no dia anterior a última fase da “corrida para Belém”, que terminaria a 16 de fevereiro.

    Freitas do Amaral arrancou com um desfile pela Avenida da Liberdade, em Lisboa, que terminou com um comício na Praça dos Restauradores.

    “Os milhares de apoiantes do antigo líder democrata-cristão ouviram do candidato um discurso de cerca de meia hora, onde Freitas do Amaral afirmou que a tónica da campanha ‘terá de ser mais entusiasmo e a mesma serenidade’ e fez apelo ‘à união, solidariedade e amizade entre todos os portugueses”, relata o DN.

    Já Mário Soares começou a campanha da segunda volta no Minho, mais especificamente no distrito de Braga.

    “Recebido sempre com muito entusiasmo, Soares privilegiou o combate à abstenção, salientando que ‘ninguém deve ficar em casa no dia 16 de fevereiro’. Para Mário Soares é necessário defender ‘a continuidade do 25 de Abril, a democracia, a liberdade, a estabilidade e a paz social”, lê-se no jornal.

    No mesmo dia em que arrancou a campanha da segunda volta para as presidenciais em Portugal, o papa João Paulo II iniciou uma viagem de dez dias à Índia, que incluiu uma homenagem a Mahatma Gandhi.

  • 01 Fev 1986

    Uma lei para combater a cassete pirata

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos era publicado o Código do Direito do Autor e um novo decreto-lei que permitiriam um “combate mais eficaz à distribuição pública de videogramas ilegalmente produzidos, vulgarmente designados por videocassetes pirata”, noticiava o Diário de Notícias.

    Na altura, a Direção-Geral dos Espetáculos e do Direito de Autor (DGEDA) alertaram que a partir de 04 de fevereiro apenas seriam considerados ‘legalmente produzidos’ os títulos classificados e registados por aquela entidade.

    A 04 de fevereiro terminava o prazo para a legalização de “videogramas em distribuição”. As cassetes legalizadas passariam a ter uma etiqueta na qual constaria o título, a classificação, o número de registo e o da cópia.

    Ainda no tema do audiovisual, o DN publicava a 01 de fevereiro um artigo dando conta que os “discos compactos [CD] sobem em flecha”.

    Recorda o jornal que quando o leitor de CD surgiu, três anos antes nos Estados Unidos, a custar mil ou mais dólares [cerca de 900 euros], foi visto por muitos “como um brinquedo para entusiastas ricos”.

    Entretanto, os preços baixaram para 150 dólares [cerca de 135 euros] fazendo com que as vendas “ultrapassassem as previsões mais otimistas, pelo que subitamente a indústria do som passou a olhar o futuro de maneira diferente”.

    Pela primeira vez, “falava-se abertamente na perspetiva de os discos compactos ultrapassarem e depois substituírem os discos tradicionais, se não para já pelo menos dentro de cinco a dez anos.

  • 01 Fev 1986

    Primeira ampliação do aeroporto da Madeira contou com o empenho de Ramalho Eanes

    Por: Emanuel CorreiaFoto Manuel MouraFoto Manuel Moura

    A noite estava invernosa quando, a 19 de novembro de 1977, um avião da TAP, oriundo de Lisboa, com 164 pessoas a bordo, se despenhou no fim da cabeceira 06 da pista do Aeroporto de Santa Catarina, na ilha da Madeira.

    A morte de mais de 130 pessoas alertou para a necessidade urgente da ampliação daquela infraestrutura aeroportuária, tendo o relatório do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) apontado expressamente o comprimento da pista como uma das causas do acidente, a par das condições meteorológicas adversas e de falha humana.

    A criação de “margens de segurança” levou à primeira fase das obras de ampliação daquele aeroporto, de 1.600 para 1.800 metros.

    Os trabalhos decorreram a partir de 1982 e, a 01 de fevereiro de 1986, foram inaugurados pelo então Presidente da República, Ramalho Eanes, que é recordado na ilha como uma das pessoas que mais se empenhou para que a ampliação da pista fosse uma realidade.

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