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Janeiro 1986
  • 31 Jan 1986

    Greco canta Brel com Carlos do Carmo e Sérgio Godinho

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Herbert P. OczeretFoto Herbert P. Oczeret

    A presença da cantora francesa Juliette Greco em Lisboa, a propósito de um concerto de homenagem a Jacques Brel que decorreria nessa noite na Aula Magna em Lisboa, mereceu destaque nos jornais a 31 de janeiro de 1986.

    Numa conversa com jornalistas, Juliette Greco, na altura com 59 anos, contou que desde a primeira vez que ouviu Brel “rendeu-se ao seu valor, recordando que foi a primeira a cantá-lo, em 1955”.

    Para a cantora, naquela altura a música francesa não estava em crise. “Nós, os ‘clássicos’, continuamos a encher salas de gente nova, essa geração que também gosta de música moderna, do rock”, disse em entrevista ao Diário Popular (DP).

    O concerto contava com a participação, entre outros, de Carlos do Carmo, Janita Salomé, José Mário Branco, Teresa Silva Carvalho, Sérgio Godinho e Vitorino.

    O DP de 31 de janeiro notícia também a inauguração, nesse dia, de duas salas de cinema, nas galerias Alto da Barra, em Oeiras.

    “A Honra dos Padrinhos”, de John Huston, e “Cocoon”, de Ron Howard, seriam os dois filmes a inaugurar as salas, com 140 e 120 lugares cada.

  • 30 Jan 1986

    PCP pede voto contra Freitas e convoca congresso

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    O não apelo ao voto em Mário Soares, mas sim contra Freitas do Amaral, por parte do PCP na segunda volta das eleições presidenciais de 1986 mereceu destaque nas páginas dos jornais a 30 de janeiro.

    “O voto dos comunistas não é de apoio a Soares, mas contra Freitas do Amaral”, afirmou o então líder do PCP Álvaro Cunhal, explicando que o partido “mantém inteiramente a sua caracterização da candidatura de Mário Soares como uma candidatura de direita”, mas considera irrecusável que “o maior perigo, no atual momento, decorre da dinâmica ultrarreacionária, fascizante e agressiva da candidatura de Freitas do Amaral e da possibilidade de este ser eleito Presidente da República”.

    No X Congresso, em dezembro 1983, o Comité Central considerou “questão excluída” dar qualquer apoio a Mário Soares ou “indicação de voto a seu favor”.

    No entanto, os resultados da primeira volta das eleições levaram o PCP a decidir reunir-se em Congresso Extraordinário a 02 de fevereiro a fim de discutir a posição tomada no X Congresso.

    Também a 30 de janeiro, o Diário Popular contava que dois antigos cinemas de Lisboa, o Jardim Cinema e o Pathé, iriam reabrir como discotecas, locais de “dança e diversão, de copos e laser, ao som dos últimos êxitos musicais”.

  • 29 Jan 1986

    “Challenger”, uma tragédia no espaço

    Por: Joana Ramos SimõesFoto NASAFoto NASA

    A 29 de janeiro de 1986 os jornais destacavam nas suas primeiras páginas “a maior tragédia na conquista do espaço”.

    No dia anterior, pelas 16:38 de Lisboa, o vaivém espacial “Challenger” explodia pouco depois de ter descolado do Cabo Canaveral, no estado norte-americano da Florida. Os sete tripulantes, entre os quais estava uma professora que iria dar uma aula aos seus alunos a partir do espaço, morreram.

    O momento estava a ser transmitido em direto pelo canal de televisão CNN, tendo a explosão sido presenciada por milhões de pessoas.

    O lançamento, o décimo do “Challenger” e o 25.º voo do vaivém espacial, já tinha sido adiado várias vezes, devido ao atraso na anterior missão do Columbia, ao mau tempo e a problemas técnicos.

    Este desastre foi, na altura, considerado o mais grave sofrido pela agência espacial norte-americana NASA desde 27 de janeiro de 1967, dia em que a primeira cápsula do programa espacial Apolo se incendiou na plataforma de lançamento.

  • 28 Jan 1986

    Processo das FP-25 regressa ao Monsanto

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Luis VasconcelosFoto Luis Vasconcelos

    A reabertura do julgamento do caso da organização armada FP-25 (Forças Populares 25 de Abril), no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, foi um dos assuntos em destaque a 28 de janeiro de 1986.

    Na sessão daquele dia previa-se que fosse retomada a inquirição, por parte da defesa, do réu “arrependido” João Macedo Correia.

    Lembra o Diário de Notícias (DN) que declarações anteriores de Macedo Correia sobre alegados financiamentos àquela organização por parte da Líbia motivaram um desmentido do embaixador líbio em Lisboa. “Nada temos a ver com as FP-25”, afirmou na altura Nuri Betelmal, negando “formalmente” que alguma vez lhes tenha sido dado dinheiro.

    Na esfera internacional, o DN dava na sua primeira página destaque fotográfico à campanha eleitoral nas Filipinas, referindo que esta estava “a registar um entusiasmo crescente” e que o último comício da candidata Corazon Aquino, em Manila, “teve a presença de dezenas de milhares de pessoas”.

  • 28 Jan 1986

    Challenger, a tragédia da aventura espacial que comoveu o mundo há 30 anos

    Por: Sofia CastroA tripulação do Challenger. Foto NASAA tripulação do Challenger. Foto NASA

    Apenas 73 segundos depois de ter descolado em Cabo Canaveral, Florida, o vaivém espacial Challenger explodia sob o olhar incrédulo da multidão que assistia à sua partida no local e dos muitos milhões que acompanhavam pela televisão.

    A 28 de janeiro de 1986, as imagens do vaivém espacial a desintegrar-se e a transformar-se numa enorme bola de fogo percorreram o mundo e, 30 anos depois, continuam na memória coletiva de várias gerações.

    Nesse dia, os sete tripulantes do vaivém, incluindo a professora natural de Boston Christa McAuliffe – a primeira civil do programa espacial norte-americano -, perderam a vida.

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  • 27 Jan 1986

    Freitas tem mais votos, Soares passa à segunda volta

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    A 27 de janeiro o destaque das primeiras páginas dos jornais foi para os resultados das eleições presidenciais: “Freitas vence primárias. Soares na segunda volta”.

    Freitas do Amaral teve 46,31% dos votos, seguido de Mário Soares com 25,43%, Salgado Zenha com 20,89% e Maria de Lurdes Pintasilgo com 7,37%. A abstenção foi de cerca de 24% e os votos brancos e nulos 0,82% cada.

    O Diário Popular (DP) recorda um “lamentável incidente” naquela que deveria ser a primeira conferência de imprensa de Freitas do Amaral após a vitória na primeira volta.

    Conta o jornal que depois de Freitas ler uma curta declaração, os jornalistas presentes “deram-lhe conta de que se consideravam ofendidos pela preferência dada à equipa da RTP e recusaram-se a fazer qualquer pergunta, abandonado a sala em sinal de protesto”.

    O candidato tinha participado antes numa “conferência de imprensa em privado” para a RTP, o que obrigou os outros jornalistas, “dezenas de repórteres portugueses e estrangeiros”, a uma “longa espera de 45 minutos”.

  • 26 Jan 1986

    Presidenciais: o professor, o advogado, a senhora e o advogado

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos, 26 de janeiro foi dia de eleições presidenciais, às quais concorreram Mário Soares, Freitas do Amaral, Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo.

    “Oito milhões de portugueses vão hoje às urnas escolher o terceiro Presidente da República eleito desde o 25 de Abril [de 1974]”, escrevia o Diário de Notícias.

    Além de enumerar os dirigentes da “‘terra’ de Portugal (ora como região nos reinos de Leão ou Castela, ora como Estado independente): 12 condes, 34 reis, 14 presidentes e ainda alguns regentes e vários delegados dos reis de Leão”, o DN dedica meia página ao “palácio de muitos inquilinos” - o Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República.

    Já o Correio da Manhã publicou pequenos textos sobre cada um dos candidatos: Freitas do Amaral - “O professor da esperança”, Mário Soares – “Um combatente da liberdade”, Maria de Lurdes Pintasilgo – “Uma senhora especial” e Salgado Zenha – “O advogado por excelência”.

  • 25 Jan 1986

    Pompa e circunstância para primeiro cheque da CEE

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    Os jornais deste dia davam destaque ao “primeiro cheque da CEE (Comunidade Económica Europeia)”, de 5,4 milhões de contos (ou 26,9 mil euros), depois da adesão de Portugal.

    O comissário de Portugal na CEE, Cardoso e Cunha, tinha entregado ao primeiro-ministro, Cavaco Silva, “simbolicamente” numa cerimónia no ministério dos Negócios Estrangeiros, “a primeira fase de comparticipação comunitária no desenvolvimento regional”.

    Estes 5,4 milhões de contos faziam parte de um crédito global de 34 milhões de contos (ou 169 mil euros) destinados a 17 projetos de desenvolvimento regional, aprovados pela Comissão Europeia.

    Entre os projetos aprovados estavam o sistema de abastecimento de água a 12 povoações dos municípios de Castro Daire (Viseu) e Ourique (Beja), o aeroporto de Ponta Delgada (São Miguel, Açores), a construção e equipamento da escola técnica de Faro, a instalação de uma unidade térmica e carvão na central elétrica de Sines (Setúbal), a secção Mealhada-Albergaria da autoestrada 1, que liga o Porto a Lisboa e a ponte ferroviária sobre o rio Douro.

  • 24 Jan 1986

    Moda e estilistas portugueses bem recebidos em Madrid

    Por: Joana Ramos Simões

    Ao folhear a edição de 24 de janeiro de 1986 do Diário Popular (DP) fica a saber-se, entre uma série de outras coisas, que a moda portuguesa obteve “boa recetividade em Madrid”.

    As coleções para o inverno 86/87 de 16 empresas e um “estilista” foram apresentadas perante uma assistência com mais de 400 pessoas, entre profissionais do setor e compradores.

    Os desfiles que se realizaram no dia anterior iriam repetir-se, em duas sessões, no dia em que o jornal estava nas bancas, “durante um período destinado a contactos entre os empresários portugueses e os importadores espanhóis”.

    Segundo o DP, este desfile foi “a primeira e mais importante promoção das confeções portuguesas em Espanha, após 1981, quando os tecidos e a moda portuguesa encontraram boa recetividade no mercado espanhol, o que não se concretizou em termos comerciais, devido ao protecionismo espanhol, elevados direitos aduaneiros e algumas barreiras administrativas (além do contrabando)”.

    Recorda o jornal que, com a entrada de Portugal e Espanha na Comunidade Económica Europeia (CEE), a partir de 01 de março daquele ano entravam em vigor as normas “pelas quais a quase totalidade dos produtos portugueses deixa de pagar impostos aduaneiros à entrada em Espanha”.

  • 23 Jan 1986

    E Ângelo Veloso desistiu da corrida a Belém

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    A campanha para as eleições presidenciais de 26 de janeiro de 1986 continuava a ser destaque nos jornais da altura.

    A 23 de janeiro, dia em que o Diário de Notícias (DN) destacava os “grandes comícios na zona de Lisboa no penúltimo dia de campanha”, o candidato Ângelo Veloso, apoiado pelo PCP, formalizava no Tribunal Constitucional a sua desistência da corrida eleitoral.

    Conta do DN que o penúltimo dia de campanha eleitoral foi escolhido pelos candidatos para a realização de grandes comícios na zona de Lisboa.

    Salgado Zenha, Freitas do Amaral, Mário Soares e Maria de Lurdes Pintasilgo estariam nesse dia, respetivamente, no Pavilhão dos Desportos, na Alameda Afonso Henriques, nos pavilhões da Feira Internacional de Lisboa (FIL), todos em Lisboa, e em Setúbal.

    O DN dá também destaque ao primeiro jogo de preparação da seleção portuguesa de futebol para o Mundial do México, no qual enfrentou a Finlândia, dando conta que esta “esteve longe de corresponder à natural expectativa dos adeptos”, depois de empatar 1-1.

  • 22 Jan 1986

    Portugueses são os mais insatisfeitos em toda a CEE

    Por: Joana Ramos Simões

    “Portugueses não estão satisfeitos”, “Satisfeitos em Portugal só três por cento”, assim titulavam, respetivamente o Diário de Notícias e o Correio da Manhã, uma notícia que dava conta de uma sondagem feita a nível europeu e que mereceu honras de primeira página nos dois jornais.

    Segundo a sondagem do Eurobarómetro, os menos satisfeitos com a vida, de todos os habitantes dos países da Comunidade Económica Europeia (CEE), eram mesmo os portugueses.

    Apenas três por cento dos portugueses estavam no grupo dos “muito satisfeitos” com a vida, liderado pelos dinamarqueses, com 55%. Este dado colocou Portugal no último lugar do ranking da satisfação, antecedido de Itália (10%) e Grécia (13%).

    Portugal entrou também no grupo dos países da CEE onde estavam em maior número aqueles que consideravam que 1986 iria ser pior do que 1985, do que os que consideravam que iria ser melhor.

    Já quanto à adesão de Portugal à CEE, 42% dos portugueses consideraram-na “uma boa coisa”, 10% consideraram que “não é boa nem má” e 10% que se tratava de “uma má coisa”. Trinta por cento recusaram-se a responder a esta questão.

  • 21 Jan 1986

    E as novelas continuam com o “maior êxito”

    Por: Joana Ramos Simões

    O anúncio da telenovela brasileira a ser exibida pela RTP depois de “Louco Amor”, “Roque Santeiro”, mereceu destaque nas páginas do Correio da Manhã há 30 anos.

    Considerada na altura a telenovela de “maior êxito” na história da TV Globo, tinha como protagonistas José Wilker, Lima Duarte e Regina Duarte, nos papéis de Roque Santeiro, Sinhozinho Malta e Viúva Porcina, respetivamente.

    No Brasil, a popularidade da telenovela escrita em 1976 por Dias Gomes, e cuja história se desenrola na “cidade” de Asa Branca, no interior da Bahia, “ultrapassou todas as previsões e todos os picos de popularidade, ao ponto de as últimas sondagens lhe atribuírem 90 por cento de audiência”.

    Previa-se que “Roque Santeiro” começasse a ser exibida em meados de fevereiro, altura em que os atores Lima Duarte e Paulo Gracindo viriam a Portugal para a apresentação da telenovela.

  • 20 Jan 1986

    Franca e Reino Unido lançam obras do túnel da Mancha

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Mikael LibertFoto Mikael Libert

    Há 30 anos, a 20 de janeiro, era assinado, pela primeira ministra britânica Margaret Thatcher e o presidente francês François Mitterand, o acordo de construção do túnel submarino que hoje liga a Grã-Bretanha a França, sob o canal da Mancha.

    O projeto previa duas vias ferroviárias e tinha um custo avaliado em 2,3 mil milhões de libras. Tratava-se de dois túneis paralelos, com oito metros de diâmetro cada, numa extensão de cerca de 50 quilómetros, posicionados a uma profundidade de 40 metros.

    As duas vias seriam adaptadas “para a circulação dos últimos e mais velozes modelos de comboios elétricos”, que permitiriam, numa fase inicial, “o tráfego de mil veículos por hora em cada direção”. O terminal do lado francês situar-se-ia em Frethum, perto de Calais, a 200 quilómetros de Paris, e o do lado inglês em Cheriton, perto de Dover, a cerca de 100 quilómetros do centro de Londres.

    Com a construção do túnel, previa-se que a viagem de automóvel entre Londres e Paris fosse encurtada de seis horas e 30 minutos para três horas e 15 minutos.

  • 19 Jan 1986

    Ouvir “Balada da Neve” por João Villaret em vinil

    Por: Joana Ramos Simões

    A morte de 96 pessoas na sequência da queda de um avião na Guatemala, a oito quilómetros da cidade de Santa Elena, foi assinalada há 30 anos na primeira página do Diário de Notícias.

    A queda do avião vitimou todos os tripulantes e passageiros, entre os quais estavam 24 turistas estrangeiros: nove americanos, seis colombianos, quatro venezuelanos, dois costa-riquenhos, dois holandeses e um grego.

    O aparelho, da companhia guatemalteca Aerovias, despenhou-se no solo quando estava a terminar a viagem entre a cidade da Guatemala, capital do país, e Santa Elena, na região norte.

    No mesmo dia em que se soube da queda do avião no Guatemala, o Correio da Manhã dava conta que havia “um novo disco nos escaparates, cuja compra é obrigatória”.

    O jornal referia-se a “Poesia”, do “diseur” João Villaret, que chegava às lojas numa altura em que se assinalavam 25 anos da sua morte.

    O álbum incluía nove poemas, entre estes “Balada da Neve”, de Augusto Gil, “La Cozida y la Muerte”, de Garcia Lorca, “Canção da Rua Deserta”, de António Botto, e “Canção Grata”, de Carlos Queirós.

  • 18 Jan 1986

    Mais de 93 mil carros novos nas estradas

    Por: Joana Ramos Simões

    Em 1985, as vendas de automóveis em Portugal aumentaram 22 por cento face ao ano anterior, e o assunto foi destaque de primeira página do Diário Popular.

    Segundo a Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), em 1985 foram vendidos em Portugal 93.500 automóveis ligeiros de passageiros e mistos, mais 17 mil do que em 1984, o que significou um aumento de 22 por cento.

    A ACAP considerou, na altura, que este incremento nas vendas deveu-se “ao aumento das facilidades na obtenção de crédito pelos particulares”, mas também ao facto de em Portugal o parque automóvel ter uma idade média entre os 7,5 e os oito anos.

    Já no caso dos veículos pesados, registou-se um decréscimo nas vendas.

    Para 1986, a ACAP perspetivava que a venda de automóveis ligeiros de passageiros e mistos pudesse atingir entre as 95 e as 105 mil unidades, o que significaria um aumento de sete por cento.

  • 17 Jan 1986

    Cavaco Silva aumentou 17% o Salário Mínimo em1986

    Por: Rosária RatoFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    Há 30 anos o governo de Cavaco Silva aumentou 17% o Salário Mínimo da indústria, comércio e serviços, que passou a ser de 22. 500 escudos (112,5 euros), num ano em que a inflação foi de 12,6%.

    O decreto-lei n.º10 de 17 de janeiro de 1986, aprovado a 26 de dezembro de 1985 em Conselho de Ministros, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 1986, determinou ainda que a remuneração mínima dos trabalhadores do serviço doméstico passasse para os 15.200 escudos e a dos trabalhadores da agricultura, pecuária e silvicultura passasse para os 19.500 escudos.

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  • 17 Jan 1986

    Quando o serviço militar foi reduzido para ajudar os jovens

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Cristina FernandesFoto Cristina Fernandes

    A aprovação por parte do governo de medidas dirigidas à juventude mereceu há 30 anos honras de primeira página em pelo menos três jornais.

    No dia anterior, o governo aprovou em Conselho de Ministros um conjunto de medida que visavam ajudar na resolução dos problemas dos jovens.

    Para estimular a que fosse dado o primeiro emprego a jovens com idades entre os 18 e os 25 anos, o governo aprovou uma deliberação que determinava que as entidades patronais fossem “isentas do pagamento de contribuição à Segurança Social e ao Fundo de Desemprego por certo período”, quando celebrassem contratos de trabalho por tempo indeterminado, com jovens em situação de primeiro emprego, sem que tal resultasse para estes uma diminuição de direitos perante a Segurança Social.

    Além disso, o governo decidiu propor à Assembleia da República a redução do serviço militar para 12 a 15 meses no Exército e 18 a 20 meses na Marinha e na Força Aérea.

    Na mesma reunião do Conselho de Ministros foi ainda decidido o relançamento do programa de tempos livres e o lançamento de um projeto de ocupação temporária de jovens desempregados, envolvendo cerca de duas mil pessoas.

    Outro assunto que mereceu destaque nas primeiras páginas foi o projeto de recuperação das áreas degradadas do Alto do Lumiar, em Lisboa, cuja apresentação da maquete tinha sido feita no dia anterior pelo presidente da Câmara de Lisboa, Krus Abecassis.

    O projeto abrangia uma área de intervenção de cerca de 300 hectares, situada entre o aeroporto da Portela e a Alameda das Linhas de Torres.

    Destes terrenos, 85% eram de posse camarária e onde viviam, em “construções abarracadas”, cerca de quatro mil famílias agrupadas nos bairros da Musgueira Norte, Musgueira Sul, Quinta Grande, Quinta do Louro, Pailepa, Cruz Vermelha, Calvanas e Quinta das Pedreiras.

  • 16 Jan 1986

    A agressão a Soares que virou a campanha

    Por: Joana Ramos Simões

    A 16 de janeiro surgiu nos jornais um dos acontecimentos mais marcantes da campanha para as eleições presidenciais de 1986: a agressão a Mário Soares numa visita à Marinha Grande.

    Recorda o DN que a 15 de janeiro, Mário Soares foi recebido na Nazaré “em braços por milhares de pessoas que o saudaram e vitoriaram de forma entusiástica”, mas poucos minutos depois, pelas 18:00, a Marinha Grande recebia-o “com ruidosos apupos e algumas agressões”.

    Quando chegou ao portão da fábrica-escola Irmãos Stephen, que iria visitar, “dois grupos de manifestantes aguardavam-no, um para o saudar e manifestar o seu apoio à sua candidatura e outro, mais numeroso, para o apupar e protestar contra as suas ideias e práticas políticas”, composto maioritariamente por trabalhadores da empresa Manuel Pereira Roldão.

    Das agressões resultaram três feridos, embora sem gravidade: um elemento da comitiva de Soares, o coordenador do PS da Marinha Grande e um apoiante do candidato.

    Apesar do ocorrido, Soares conseguiu entrar, como pretendia, na fábrica-escola, onde permaneceu cerca de 45 minutos, saindo depois de automóvel e sob proteção policial.

    Durante a visita, o candidato lamentou o sucedido disse que violência partiu “da candidatura de Zenha e do PCP, e que já é habitual (são tipos treinados no estrangeiro para fazer arruaça)”.

    As candidaturas de Maria de Lurdes Pintasilgo, Salgado Zenha e Freitas do Amaral condenaram o sucedido, assim como o Presidente da República, Ramalho Eanes.

    O PCP defendeu “o espírito de serenidade da campanha”. E em comunicado, os trabalhadores da empresa Manuel Pereira Roldão diziam que teria sido a segurança de Mário Soares a provocar os incidentes, ao puxar por pistolas.

    “O senhor Mário Soares, quando primeiro-ministro, entregou a empresa a um escroque e hoje são devidos aos trabalhadores dez meses e meio de salários. Assim, aproveitámos a vinda de Mário Soares para o responsabilizar pela situação em que se encontra a empresa”, diziam ainda na nota.

    O ministro de Estado e da Administração Interna anunciou estarem a ser tomadas “as medidas necessárias”.

  • 15 Jan 1986

    Pinto Balsemão deixa Parlamento

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Há 30 anos, o militante número um do PSD e fundador do grupo de comunicação social Impresa, Francisco Pinto Balsemão, suspendia o mandato de deputado no Parlamento português, depois de se recusar a assumir as funções de deputado no Parlamento europeu.

    A decisão de Balsemão baseou-se “acima de tudo em razões de dignidade pessoal e, principalmente, de dignidade política” e na sequência da indicação do presidente da Comissão Política do PSD, Cavaco Silva, à presidente do grupo liberal-democrático de reformista do Parlamento Europeu, Simone Veil, segundo a qual o deputado Rui de Almeida Mendes era o presidente do grupo social-democrata e porta-voz do PSD no Parlamento Europeu.

    Em conferência de imprensa, Balsemão defendeu não ser admissível que “o número 1 da lista de deputados do PSD para o Parlamento Europeu seja discriminado como eu o fui pela direção do partido, do qual sou fundador, e cujas mesas do Congresso e Conselho Nacional presidi”.

  • 15 Jan 1986

    Infeção de hemofílicos por VIH foi há três décadas e justiça falhou

    Por: Sandra Moutinho

    Três décadas passadas desde a contaminação de hemofílicos através da administração em hospitais públicos de produtos derivados do plasma humano com sida são poucos os que sobreviveram à tragédia e há quem considere que a justiça tardou e falhou.

    “Não foi feita justiça, porque Leonor Beleza [ministra da Saúde na altura] não se sentou no banco dos réus”, disse à agência Lusa Maria Lurdes Fonseca, antiga presidente da Associação Portuguesa de Hemofilia (APH) e um dos rostos da defesa destes doentes.

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  • 14 Jan 1986

    Um “Watergate” à portuguesa nas presidenciais

    Por: Joana Ramos Simões

    A descoberta de um aparelho de escuta na sede de candidatura de Freitas do Amaral à Presidência da República, no palácio de Santa Catarina, em Lisboa, mereceu destaque nas primeiras páginas do Diário Popular (DP) e do Correio da Manhã (CM).

    “Watergate à portuguesa”, assim classificavam os jornais este episódio. “A escuta instalada no gabinete do prof. Freitas do Amaral é um dispositivo artesanal e de eficácia mais que duvidosa e a caixa de derivação que aparece nas fotos não é do tipo das que são utilizadas pelos TLP [empresa pública Telefones de Lisboa e Porto]”, disse um técnico da empresa ao DP.

    Segundo o CM, o aparelho tinha sido descoberto na semana anterior e foi apresentada uma queixa na Polícia Judiciária.

    Os serviços da candidatura de Freitas do Amaral minimizaram o acidente, ao qual não atribuíram grande importância. Já Freitas do Amaral condenou o acidente, mas sublinhou não ser “uma questão que perturbe o bom andamento da campanha”.

  • 13 Jan 1986

    Vaivém “Columbia” no ar

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos, o vaivém espacial ‘Columbia’ era lançado para o espaço, de Cabo Canaveral, no estado norte-americano da Florida, após seis tentativas falhadas.

    O ‘Columbia’, recorda o Diário de Notícias (DN), iniciava assim uma série de 15 missões previstas para 1986.

    O vaivém, que pesava cem toneladas e levava uma tripulação composta por sete pessoas, partiu às 06:55 locais (11:55 em Lisboa).

    No mesmo dia em que o ‘Columbia’ foi lançado para o espaço, o Benfica sofreu o primeiro golo após onze jornadas com nove vitórias e dois empates, a zero.

    A “proeza”, lê-se no DN, coube a Roçadas, jogador do Marítimo, “que até aos 76 minutos pareceu capaz de conseguir o que seria o resultado-surpresa”. Apesar do golo, “a pressão do Benfica acabou por levar ao triunfo”.

  • 12 Jan 1986

    Portugueses a ver “Regresso ao Futuro” no cinema

    Por: Joana Ramos Simões

    Em 1986, o ator Sylvester Stallone era o mais bem pago do mundo. O ‘Rambo’, de acordo com o Correio da Manhã, ganhava o dobro do que auferiam os colegas Robert Redford ou Dustin Hoffman.

    Para rodar ‘Rocky IV’, Stallone recebeu 12 milhões de dólares (1,9 milhões de contos ou 9,4 milhões de euros), e era provável que ainda recebesse uma percentagem dos lucros de bilheteira.

    Naquela altura, Robert Redford e Dustin Hoffman ganhavam cerca de seis milhões de dólares (cerca de 900 mil contos ou 4,4 milhões de euros) por filme.

    Já as atrizes mais bem pagas, Meryl Streep e Goldie Hawn, recebiam cerca de três milhões de dólares (500 mil contos ou 2,4 milhões de euros) por filme.

    A 12 de janeiro de 1986 estavam em cartaz nas salas de cinema portuguesas filmes como “Os Gonnies” e “Regresso ao Futuro”, de Steven Spielberg, “The Cotton Clube”, de Francis Ford Coppola, “Dune”, de David Lynch, e “ A Honra dos Padrinhos”, de John Huston.

  • 11 Jan 1986

    Arranca a campanha presidencial: “começou o grande jogo”

    Por: Joana Ramos Simões

    Foi neste dia, há 30 anos, que arrancou a campanha para eleições presidenciais que teve como candidatos Salgado Zenha, Ângelo Veloso, Maria de Lurdes Pintasilgo, Freitas do Amaral e Mário Soares.

    Na edição desse dia, o Diário de Notícias referia que “a participação de cinco candidatos, todos considerados ‘com possibilidades’ nas eleições presidenciais marcadas para o dia 26, torna pouco provável que qualquer deles venha a obter o número de votos necessários para chegar a um resultado definitivo na primeira volta do sufrágio”.

    Até ao dia 24, os candidatos iriam percorrer o país, “por cidades e vilas”, tentando “captar os votos dos cidadãos”. Como titulava o Diário Popular na sua primeira página: “Começou o grande jogo”, que duraria até ao dia 24.

    Foi também neste dia que ficou a saber-se da morte do poeta checoslovaco Jaroslav Seifert, Nobel da Literatura em 1984.

    Seifert, paraplégico há 25 anos, faleceu no dia anterior, com 84 anos, no hospital de Strahov, em Praga, na antiga Checoslováquia.

    O Diário de Notícias recordava que o poeta “foi uma das figuras de destaque na liberalização das artes, que levou à ‘Primavera de Praga’ de 1968”, tendo dirigido a Associação de Escritores Checoslovacos.

  • 10 Jan 1986

    Debate vivo e cordato entre Soares e Freitas

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos foi criada a Taxa Social Única (TSU), e essa foi uma das notícias em destaque na primeira página da edição de 10 de janeiro do Diário de Notícias.

    A decisão de criar uma TSU, “resultante da fusão das contribuições para a Segurança Social e Fundo de Desemprego, adotando como base de incidência comum a que é aplicável para as contribuições para a Segurança Social”, foi tomada no dia anterior em Conselho de Ministros.

    Ficou decidido que a medida constaria da proposta de lei para o Orçamento do Estado de 1986, acompanhada do desagravamento em um por cento das taxas globais em vigor “pela diminuição de meio por cento para os trabalhadores e meio por cento para as entidades patronais dos encargos até agora suportados com as quotizações para o Fundo de Desemprego”.

    A 10 de janeiro mereceu também destaque o debate “vivo mas cordato entre Freitas e Soares”, o último antes do arranque oficial da campanha para as eleições presidenciais de 26 de janeiro. Segundo o Diário Popular, este debate “bateu todos os níveis de audiência dos que o precederam, atingindo os 63 por cento”.

  • 09 Jan 1986

    Portugal não alinhou com Reagan contra a Líbia

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Um dos destaques do Diário de Notícias a 09 de janeiro vai para os países aliados europeus dos norte-americanos, que não alinharam no boicote dos Estados Unidos da América à Líbia.

    Recentemente o presidente dos EUA, Ronald Reagan, tinha anunciado a imposição de sanções económicas à Líbia, na sequência de “provas” que disse possuir dos massacres terroristas de que o regime de Kadhafi é responsável, os últimos dos quais ocorreram em dezembro nos aeroportos de Roma e de Viena.

    Vários governos da Europa Ocidental, nomeadamente Alemanha, Reino Unido, França e Espanha, anunciaram o seu propósito que não alinhariam nas sanções norte-americanas. Semelhante posição foi adotada pelo governo português.

    Num comunicado divulgado na altura, o ministério dos Negócios Estrangeiros, afirmava acompanhar “com precaução” os acontecimentos, mas “não alinha nas sanções económicas, nem isso foi pedido”.

    A Austrália e o Japão mostraram-se dispostos a acatar a proposta do presidente norte-americano, que garante que os EUA fizeram abortar 126 potenciais incidentes terroristas no seu território e no estrangeiro em 1985.

  • 08 Jan 1986

    Um problema chamado IVA

    Por: Joana Ramos Simões

    Diz o Diário Popular na sua edição de 08 de janeiro que “remédios baixam mas comida sobe”. De acordo com o jornal, a então ministra da Saúde, Leonor Beleza, tinha anunciado numa comissão parlamentar que “alguns medicamentos vão baixar de preço”, estando em preparação uma portaria que estabelecia um teto máximo para os preços dos fármacos.

    Por outro lado, a Confederação do Comércio Português (CCP) alertava os agentes económicos para o facto de “os preços não dispararem com a introdução do IVA [em vigor desde 01 de janeiro, em substituição do Imposto de Transações (IT), criado em 1966]” e discordava do governo quando este defendia que o IVA não iria provocar aumentos na maioria dos bens alimentares.

    Isto porque, a maioria dos bens alimentares, e outros de primeira necessidade, agora com uma taxa de IVA de oito por cento, não estavam sujeitos ao IT.

    Ou seja, se por um lado os bens anteriormente taxados com IT e agora isentos de IVA, e os artigos com um IT maior do que 30 por cento ou com sobretaxas, baixavam de preço, outros bens que não tinham IT e agora têm IVA a oito por cento, aumentavam o preço.

    Na altura, também a Associação de Defesa do Consumidor (DECO), apesar de concordar com a introdução do IVA, alertou que este imposto iria agravar os preços dos bens alimentares, já que ia taxar serviços anteriormente isentos.

  • 07 Jan 1986

    Nadar na “nova” piscina do Areeiro por 37 cêntimos

    Por: Joana Ramos Simões

    Há 30 anos, a reabertura, “com vultuosos melhoramentos”, da Piscina do Areeiro, em Lisboa, mereceu chamada de capa no Diário de Notícias (DN).

    A piscina encerrou a 24 de setembro de 1984, “após duas décadas de intenso uso, numa área densamente habitada da capital, as Avenidas Novas”, para obras de conservação e melhoramento que duraram cerca de um ano e meio.

    A piscina ganhou uma nova caldeira elétrica, com uma potência térmica de 800 mil quilocalorias por hora e uma capacidade de produção de vapor que atinge os 1.380 quilos no mesmo período de tempo, e foi renovada a tubagem e o equipamento de termoventilação.

    Além disso, foram realizadas obras para eliminar barreiras arquitetónicas, permitindo assim o acesso a deficientes motores.

    A entrada na piscina passou a custar 75 escudos [0,37 cêntimos], mais 15 escudos do que anteriormente.

    Na manhã do dia de abertura, conta o DN que “apenas uma senhora tinha ido à piscina nadar um pouco, o que os responsáveis explicavam pelo facto de muita gente, após tanto tempo com a piscina encerrada, ainda não saber que finalmente abriu”.

  • 06 Jan 1986

    O penálti que Bento defendeu e levantou 120 mil na Luz

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    Um jogo de futebol entre o Benfica e Porto, que ficou empatado e ajudou o Sporting a retomar o primeiro lugar do Campeonato Nacional de Futebol, foi uma das notícias em destaque a 06 de janeiro. Segundo o Diário de Notícias, o jogo teve “a maior assistência de sempre num estádio português”, com cerca de 120 mil pessoas nas bancadas do Estádio da Luz.

    Conta o DN que o “momento cume do encontro, que deixou em suspenso a multidão”, aconteceu na segunda parte. Um penálti contra o Benfica colocou frente a frente o guarda-redes Bento, há 11 jogos sem deixar entrar um golo, e Fernando Gomes, o melhor marcador europeu.

    Bento defendeu e o empate na Luz ajudou o Sporting a reocupar, em igualdade de pontos com o Benfica, o primeiro lugar do campeonato. O Porto continuava em quarto lugar, em igualdade com o Vitória de Guimarães.

    Outro assunto que mereceu destaque foi o anúncio do líder líbio Muammar Kadhafy, de que os mísseis anti-aéreos SAM-5 estavam prontos a ser usados e que a Líbia tinha entrado em alerta militar.

    O anúncio de Kadhafy surgiu numa altura em que o líder da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, acusava a Síria e a Líbia de financiarem os atentados ocorridos recentemente na Europa, “com o objetivo de fazerem desacreditar as possíveis negociações israelo-árabes”.

    No dia anterior, o The New York Times, revelou que os governos italiano e austríaco estariam a considerar a hipótese de encerrar as embaixadas líbias em Roma e em Viena, como represália pelos atentados recentes.

    Na mesma altura, Israel anunciou que não atacaria a Líbia, enquanto diversos países árabes e a URSS continuavam a enviar mensagens de apoio a Tripoli contra a hipótese de um ataque norte-americano.

  • 05 Jan 1986

    Comunistas apoiam Zenha a Presidente

    Por: Joana Ramos SimõesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Os destaques de 04 de janeiro vão para a política: a Conferência Nacional do PCP e o Conselho Nacional do CDS.

    Os 845 delegados à Conferência Nacional do PCP, no pavilhão do Sacavenense, aprovaram, no dia anterior, por unanimidade, o apoio à candidatura de Salgado Zenha à Presidência da República. A candidatura do ex-dirigente do PS, “dispondo à partida de fortes apoios é a única que está a caminho de alcançar o consenso e a divergência democrática”.

    No entanto, decidiram manter em campanha Ângelo Veloso, militante comunista, que desistiria em “momento oportuno”.

    Na mesma resolução, os delegados sugerem a desistência de Maria de Lurdes Pintasilgo, cuja candidatura o PCP considerava como “não tendo condições para derrotar Freitas do Amaral e Mário Soares”.

    Já no Conselho Nacional do CDS, reunido no dia anterior em Leiria, ficou decidida a realização do próximo Congresso Nacional do partido a 11, 12 e 13 de abril, tendo sido aprovado o respetivo regulamento e o modo de eleição dos delegados, uma questão com alguma polémica, que levou os conselheiros a adotar uma solução de compromisso entre duas propostas.

    Apesar de haver uma solução de compromisso, esta não escondia “as divergências no seio dos centristas”, pesem embora as palavras do então líder dos democratas-cristãos, Adriano Moreira, ao sustentar que este “Conselho Nacional foi de unidade”, tendo “unanimemente adotado os regulamentos para a organização do congresso”.

    Fez ainda votos para que as eleições presidenciais “correspondam à vontade de mudança no país”, o que adiantou passa pela “estabilidade governativa” pelo menos até à sua realização.

  • 04 Jan 1986

    Desabamento e morte na Madeira

    Por: Joana Ramos Simões

    A 04 de janeiro o destaque do Diário de Notícias vai para um desabamento de terras numa furna na Madeira, que matou cinco pessoas da mesma família, pai e quatro filhos.

    A família, constituída pelos pais e sete filhos, vivia naquela furna, no Bom Sucesso, na zona alta do Funchal, há cerca de 20 dias, depois de ter sido despejada da sua anterior residência, situada na zona de São Roque, também no Funchal.

    Conta o DN que, tal como esta família, naquela altura várias outras habitavam em furnas nas imediações na zona do Bom Sucesso.

    Os bombeiros enfrentaram “grandes dificuldades técnicas” para poderem retirar os corpos que ficaram soterrados na furna, isto porque a deslocação de terras provocou a queda de duas rochas de grandes dimensões, uma das quais “ameaçava cair a qualquer momento”, e o local não tinha eletricidade.

    Na altura correram duas versões para as causas do incidente: “desabamento devido a perfurações no interior da furna para ampliação do espaço disponível e acidente devido aos trabalhos realizados numa pedreira existente no local há vários anos”.

  • 03 Jan 1986

    Quando os debate Soares-Zenha bateu a telenovela

    Por: Joana Ramos Simões

    Ao terceiro dia do ano ficou a saber-se, através do Diário Popular (DP), que o Tribunal Constitucional validou cinco das oito candidaturas entregues para as eleições presidenciais de 26 de janeiro. Os candidatos às presidenciais de 1986 foram: Maria de Lurdes Pintasilgo, Ângelo Veloso, Mário Soares, Freitas do Amaral e Salgado Zenha.

    Apesar de só se ter sabido agora quem eram, de facto, os candidatos, os debates televisivos entre estes arrancaram em dezembro de 1985 na RTP1.

    De acordo com o DP, a telenovela brasileira “Louco Amor”, um dos programas favoritos dos portugueses a par do concurso “1,2,3”, apresentado por Carlos Cruz, perdeu no dia anterior “amplamente”, em termos de audiências, em confronto com o debate Mário Soares – Salgado Zenha.

    Conta o jornal que “a expectativa gerada pelo frente a frente entre velhos amigos que a política uniu e separou fez concentrar perante os aparelhos de televisão um auditório que bateu o da telenovela por 56-49 por cento”.

    Este frente a frente moderado pelo jornalista Miguel Sousa Tavares, relata o DP, foi “mais um ajuste de contas do que um debate”. “Os candidatos não conseguiram evitar a erupção dos ressentimentos pessoais e, por isso tudo, falou-se pouco do futuro e desenterrou-se muito o passado”.

  • 02 Jan 1986

    Bandeira de Portugal içada em Bruxelas

    Por: Joana Ramos Simões

    A adesão de Portugal e Espanha à CEE voltou a estar em destaque nas notícias do segundo dia de 1986, desta vez para dar conta que tinha sido assinalada no dia anterior, em Bruxelas, com o içar das bandeiras dos dois países.

    No dia 02 de janeiro de 1986, o Diário de Notícias destacava também a mensagem de Ano Novo do então presidente da República, António Ramalho Eanes.

    “Numa necessária hierarquia de prioridades, importa sublinhar a necessidade de estabilidade governativa benéfica, que deve ser preocupação e obra de todos”, disse.

    O jornal registava que “a solidariedade foi uma das principais linhas de força da mensagem” de Ramalho Eanes, na qual o Presidente da República apontava “situações de injustiça social”, como a dos salários em atraso, o aumento do desemprego, a quebra do nível de vida e “o agravamento da situação dos idosos e a desesperança dos jovens face às dificuldades no acesso ao ensino, ao emprego e à habitação”. Ramalho Eanes recordou também alguns dos acontecimentos “mais dramáticos” ocorridos em 1985 em Portugal, como “o flagelo repetido dos incêndios” e “o horror do desastre ferroviário de Alcafache”.

    A 02 de janeiro de 1986, o Diário de Notícias destacava ainda a “trágica passagem de ano” nas estradas portuguesas. Só no último dia de 1985, a GNR registou 124 acidentes de viação, que provocaram 13 mortos e 82 feridos, 22 destes em estado grave.

    Num só dia houve quase tantos mortos como nos quatro dias anteriores, nos quais decorreu a segunda fase da Operação Rota Certa. Entre 27 e 31 de dezembro de 1985 ocorreram 481 acidentes nas estradas portuguesas, dos quais resultaram 27 mortos e 339 feridos, 84 dos quais em estado grave.

  • 01 Jan 1986

    Portugal na CEE: um “passo histórico”

    Por: Joana Ramos Simões

    O primeiro dia de 1986 ficou marcado pela entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE). “Ano zero do futuro europeu”, lia-se na primeira página da edição de 01 de janeiro do Diário de Notícias (DN).

    O primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva, falava no arranque de “um novo ciclo”, “um passo histórico”. Um objetivo do país que reuniu “um vasto consenso nacional” e obrigou a quase uma década de negociações.

    Cavaco Silva chegou a comparar a integração de Portugal na CEE “aos grandes desafios da História da nação portuguesa”.

    Com a entrada de Portugal e Espanha, a CEE, lembra o DN, passou a ser a “primeira potência comercial do mundo.

    Apesar de 01 de janeiro marcar entrada dos países ibéricos na CEE, a sua integração económica foi sendo feita, de forma gradual, ao longo de dez anos. Essa janela de tempo foi considerada a ideal para que as estruturas produtivas e comerciais dos dois países se adaptassem às regras da Comunidade.

    A partir de 01 de janeiro de 1986, a título de exemplo, acabaram as limitações quantitativas às importações, com exceção da indústria automóvel e do setor têxtil.

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