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Junho 1986
  • 30 Jun 1986

    Argentina reconquista o título mundial numa final de muita emoção

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    Maradona passeado em ombros no Estádio Azteca, exibe o troféu que simboliza o título mundial de futebol, conquistado pela segunda vez em oito anos pelos argentinos.

    É com esta foto (NP/Reuter) que o Diário de Notícias ilustra a capa para noticiar a vitória da Argentina sobre a Alemanha Federal (3-2) na final do Campeonato Mundial de Futebol realizado no México em 1986.

    Contra todas as previsões, que davam o favoritismo à Alemanha, os argentinos saem vencedores e com o mérito reconhecido.

    “Foi, sem dúvida, a equipa mais compenetrada, a das exibições mais brilhantes e a que possui o melhor jogador da actualidade – Maradona”, escreve o DN.

    O autor do texto considera, porém, que a equipa da RFA esteve à beira de “uma sensacional proeza” na reta final do jogo, realizado na Cidade do México.

    “Com a desvantagem de dois golos, os alemães reagiram e fizeram prevalecer a sua força sobre a técnica, chegaram à igualdade ainda com oito minutos por jogar e parecia serem capazes de concretizar o que já ninguém esperava”, lê-se no relato dos acontecimentos.

    Mais de cem mil pessoas assistiram à final do campeonato e milhões de adeptos acompanharam pela televisão em todo o mundo, segundo a mesma fonte.

  • 29 Jun 1986

    PS não quer mulheres nem à frente nem atrás dos homens

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto António CotrimFoto António Cotrim

    A Organização das Mulheres Socialistas, criada cinco anos antes, é extinta no VI Congresso do PS, por proposta de uma militante do Porto, Julieta Sampaio, e apoiada pelos delegados de Vítor Constâncio.

    A militante socialista justifica a extinção da organização, autónoma do PS, argumentando que as mulheres devem caminhar ao lado dos homens, “não atrás, nem à frente”.

    “Temos de nos abrir à sociedade”, defende Julieta Sampaio, citada pelos jornais, que dão ainda conta da rejeição de uma proposta da JS para lhe serem atribuídas quotas para a organização de listas de candidatos a deputados.

    O Diário de Notícias destaca que o PS tem uma nova imagem a partir de 29 de junho de 1986, ao eleger Vítor Constâncio como secretário-geral.

    Além de Constâncio, a lista oficial de candidatos ao Secretariado Nacional integra nomes como Arons de Carvalho, António Guterres, Elisa Damião, Jorge Sampaio, Torres Couto, Manuel Alegre, Sottomayor Cardia e Nuno Brederode Santos, entre outros.

  • 28 Jun 1986

    Governo anuncia descida nas taxas de juro

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Manuel de MouraFoto Manuel de Moura

    O ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, anuncia no Porto, que as taxas de juro vão baixar três por cento, uma medida que é vista como “o segundo fôlego” do governo, depois de aprovada a moção de confiança.

    Perante uma plateia de empresários, Cadilhe anuncia também a criação de um novo incentivo: o crédito fiscal por investimento, correspondendo a uma reivindicação dos empresários.

    Quem investir vai poder descontar, na fatura de contribuição industrial, 10% do valor investido.

    O ministro anuncia as medidas durante as Primeiras Jornadas do Investidor, explicando que se trata de uma redução da própria coleta da contribuição industrial, ou seja, do imposto a pagar.

    Miguel Cadilhe sublinha que o novo incentivo é automático, sem necessidade de requerimentos.

    No palco da iniciativa, organizada pela Associação Industrial Portuense em colaboração com a Confederação Portuguesa da Indústria, Cadilhe diz que a descida das taxas de juro foi possível porque “a política macroeconómica governo, de redução da inflação teve, em sete meses, um êxito espetacular”.

    Frisa ainda que a descida da inflação permitirá ao governo “diminuir o ritmo de desvalorização deslizante do escudo”, que passa a ser de 0,7% ao mês no terceiro trimestre e 0,6% no quarto trimestre.

  • 27 Jun 1986

    Governo ganha a confiança solicitada ao Parlamento

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    Durante a madrugada, o parlamento aprova a moção de confiança solicitada pelo governo, com os votos a favor do PSD e do CDS, a abstenção do PRD e contra do PS, PCP e MDP.

    Cavaco Silva reclama vitória, declarando: “Para este Governo não há alternativa credível”.

    No total, contam-se 108 votos a favor, 93 contra e 44 abstenções.

    No discurso final antes da votação, Aníbal Cavaco Silva frisa que o voto favorável dos deputados significaria “a legitimidade do Governo”, do seu programa e objetivos.

    O primeiro-ministro defende que não se pode confundir uma maioria relativa com um governo de gestão e encara o voto do parlamento como “uma clarificação das responsabilidades”.

    “Uma oposição responsável”, diz, “não é uma oposição sistemática à acção governativa”.

    No mesmo dia, é noticiada a intenção de dispensar 2.000 trabalhadores da TAP.

    Sob o título “TAP faz-se à pista para dispensar 2.000”, o Correio da Manhã avança que a decisão será tomada “na base do diálogo e comum acordo”.

    O conselho de gerência da transportadora inicia, então, a distribuição a todos os trabalhadores de um pequeno questionário destinado a auscultar “o melhor processo a seguir para cumprir aquele objetivo”.

    O plano é alcançar, por etapas, a diminuição de cerca de 20 por cento do pessoal.

  • 26 Jun 1986

    Governo balança mas… não cai

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto António CotrimFoto António Cotrim

    O Governo ameaça cair no parlamento, com a oposição declarada do PS e do PCP à moção de confiança de Cavaco Silva, que obriga o PRD e o CDS a definirem posições.

    Conforme observa o Comércio do Porto, centristas e renovadores democráticos ficam “entre a espada e a parede”, uma vez que o repto não lhes interessa.

    Num cenário de eleições antecipadas teriam de disputar a corrida na posição de corresponsáveis pela queda de um governo com “um grau considerável de popularidade”, escreve o Comércio.

    No dia em que a Assembleia da República vota a moção de confiança proposta pelo governo, os jornais contam espingardas para sublinhar que caso o PRD e o CDS se abstenham na votação agendada para a noite o governo será demitido automaticamente.

    Cavaco Silva é considerado um mestre a gerir o “timing” político e não esconde a vontade de ver eleições antecipadas para conquistar a maioria absoluta.

    Enquanto o líder social-democrata recusa as acusações de afronta ao parlamento, a oposição frisa a situação minoritária do governo.

    Jornais como o Correio da Manhã noticiam que e a opinião pública está a favor de Cavaco.

  • 25 Jun 1986

    Sobrevivência do Governo nas mãos do PRD e do CDS

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    O PS decide unanimemente votar contra a moção de confiança proposta pelo governo de Cavaco Silva ao parlamento.

    Sabe-se já que o PCP e o MDP votam igualmente contra, mas subsistem dúvidas quanto à posição do PRD e do CDS no plenário.

    A rejeição da moção de confiança reúne o voto de 93 deputados, neste momento, pelo que “a sobrevivência do Governo” está dependente de o PRD se abster e de o CDS votar favoravelmente, conta o Diário de Notícias a 25 de junho de 1986.

    O jornal revela que o histórico do CDS Adriano Moreira se reuniu com o primeiro-ministro, Cavaco Silva, e com o Presidente da República, Mário Soares.

    O CDS não fora consultado previamente sobre a decisão de Cavaco avançar com a moção de confiança, o que terá feito saber ao primeiro-ministro.

    Segundo o Comércio do Porto, a decisão de Cavaco foi tomada de madrugada, durante uma reunião da Comissão Política Nacional do PSD e o plenário ministerial, realizado horas mais tarde, “quase se limitou a tomar conhecimento”.

    Mário Soares ouve todos os intervenientes, mas não se pronuncia.

  • 24 Jun 1986

    Cavaco confronta Parlamento com uma moção de confiança

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    Cavaco Silva, a braços com a oposição parlamentar às reformas que pretende adotar, faz uma declaração ao país para reafirmar que o governo não se demite.

    O chefe do governo avança com uma moção de confiança e declara: “Se não nos deixarem governar, a responsabilidade não é nossa”.

    Na moção, o governo liderado por Cavaco Silva pede “poder para exercer plenamente o mandato que lhe foi conferido”.

    Perante as câmaras da RTP, o primeiro-ministro explica que pretende perguntar à Assembleia da República se o governo “pode ou não executar o programa que a própria Assembleia viabilizou”.

    Cavaco tenta alterar várias leis, nomeadamente no plano laboral, e queixa-se da recusa da oposição em acompanhar as alterações que pretende impor.

    Alega que são necessárias mudanças para acabar com desperdícios de dinheiro e promover o investimento, criando postos de trabalho e estabilidade no emprego, mas não convence a oposição.

    No discurso que profere, defende a necessidade de reduzir o peso do Estado e de “libertar e rentabilizar a comunicação social”.

    Os jornais aproveitam a época – de futebol e santos populares - para ironizar nos títulos:

    Correio da Manhã - “Governo e Assembleia também vão a penalties”

    Comércio do Porto - “Cavaco lança bomba de S. João”.

  • 23 Jun 1986

    Dez mortos e 25 feridos num desastre próximo do Porto

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    O Expresso Braga – Lisboa despista-se na autoestrada do Norte, num dia de chuva, provocando a morte a 10 pessoas e deixando 25 feridas, algumas em estado grave.

    Os feridos são transportados para os hospitais de São João da Madeira, de Vila Nova de Gaia e do Porto.

    Um dos passageiros relata o acidente ao Diário de Notícias, indicando que o autocarro seguia a pouca velocidade. O piso molhado e possivelmente algum óleo na estrada terão estado na origem do despiste.

    Segue-se o relato do pânico entre os passageiros antes do embate final, depois de o veículo ter batido por duas ou três vezes nas margens da via.

    “Não sei como aquilo aconteceu, foi um terror”, conta ao jornal uma das vítimas, ainda nas urgências do hospital.

    Segundo a mesma fonte, o autocarro viajava a 70 – 75 quilómetros por hora.

    A tragédia na autoestrada ocupa as manchetes dos jornais neste dia, em que é também notícia de primeira página a vitória do PSOE em Espanha, com maioria absoluta.

    Apesar de vencer as eleições legislativas, os socialistas liderados por Felipe Gonzalez baixam a votação.

    Fraga Iribarne obtém um resultado desanimador - vinca o Comércio do Porto -, enquanto Suarez e os independentistas bascos sobem.

    As eleições decorrem com normalidade, com os espanhóis a confirmarem a votação de 1982.

    De acordo com as previsões apuradas na véspera e divulgadas por Alfonso Guerra, número dois do PSOE, os socialistas conseguem 186 deputados, num parlamento de 350 lugares, perdendo 16 em relação à legislatura anterior.

    A “Coligação Popular”, principal força da oposição perde três deputados, elegendo 103 parlamentares, ao obter 26% dos votos expressos.

  • 22 Jun 1986

    Acidentes de trabalho matam uma pessoa por dia

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Luís ForraFoto Luís Forra

    Em 1986 morria em Portugal uma pessoa por dia vítima de acidente de trabalho e existiam mais de 600.000 deficientes em consequência daqueles acidentes.

    A revelação surgia nas páginas dos jornais com base em declarações de um dirigente associativo à agência NP, antecessora da Lusa.

    Durante um encontro da Associação Nacional dos Deficientes Sinistrados no Trabalho, realizado em Coimbra, um dos responsáveis, José Pais, defendia a necessidade de orientar as vítimas de acidentes de trabalho sobre os direitos sociais e de lhes ser prestado apoio jurídico.

    A associação decidira, neste sentido, solicitar a revisão da tabela nacional de incapacidade, a revisão das pensões e a lista das doenças profissionais.

    De acordo com as estatísticas mundiais e nacionais apresentadas no encontro, a maior taxa de sinistralidade verificava-se entre os jovens.

    Um trabalho publicado na revista da Associação Portuguesa de Seguradoras especificava que, a nível nacional, os trabalhadores com menos de 25 anos eram vítimas de 11,4% do total de acidentes neste segmento, cabendo 9% dos sinistros à faixa etária situada entre os 25 e os 45 anos.

    Em pessoas com mais de 65 anos, registavam-se 10,8% dos acidentes e 8,2% ocorria em funcionários entre os 45 e os 65 anos.

  • 21 Jun 1986

    Governo abre inquérito a conselho de gerência da TAP

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto António CotrimFoto António Cotrim

    O secretário de Estado dos Transportes, Sequeira Braga, propõe ao governo a abertura de um inquérito a dois atos do conselho de gerência de TAP considerados “extremamente graves”, por lesarem a companhia em mais de 500 mil contos.

    A proposta merece despacho favorável por parte do ministro Oliveira Martins e o processo transita para o Ministério das Finanças, que o encaminha para a Inspeção Geral de Finanças.

    Na base das suspeitas está um documento confidencial elaborado pela nova administração da transportadora, presidida por João Lencastre, que substituíra Gomes Mota em abril.

    Nesse documento, os novos responsáveis da TAP começam por denunciar “algumas situações que parecem menos claras” e que revelam “certa gravidade”, noticia o Expresso a 21 de junho de 1986.

    A primeira situação respeita à concessão da exploração do Hotel Mundial em Luanda, que fora atribuído à TAP para alojamento do pessoal por um período de cinco anos.

    Segundo o documento relatado pelo semanário, a TAP tratou o assunto como se de uma concessão para exploração pública se tratasse, negociando com a sua subsidiária ESTA “um contrato de gestão do mesmo hotel” e investindo cerca de 500 mil contos (2,5 milhões de euros) “num ambicioso processo de reconstrução e reequipamento.

    O hotel, à data de produção da notícia, ainda não está em funcionamento, sendo entretanto inaugurado.

    O conselho de gerência da TAP considera praticamente inviável a recuperação do investimento, dado já terem passado dois anos do contrato de cinco.

    O projeto inicial previa um investimento de apenas 50.000 contos (250.000 euros).

    O segundo caso reportado refere-se à compra da Air Atlantis, empresa onde a TAP controla 99,9% do capital, de um conjunto imobiliário por 230.000 contos (1,2 milhões de euros), em Lisboa.

  • 20 Jun 1986

    Lisboa volta a ter gás após quatro dias de greve

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    O governo põe fim a quatro dias de greve na Petroquímica e Gás de Portugal ao aplicar uma requisição civil, que os sindicatos contestam.

    A medida é aprovada em Conselho de Ministros na sexta-feira, devido à greve que começara às 00:00 de segunda-feira e que terá afetado cerca de 800.000 utilizadores.

    A resolução, imediatamente contestada pelos sindicatos, chega às redações sob a forma de nota oficiosa, que os jornais publicam na íntegra.

    O governo considera que a posição assumida pelos sindicatos no conflito laboral (devido a questões salariais) se revela contrária ao diálogo e “colide com os princípios da vida democrática e solidariedade social”, pondo ainda em risco a segurança dos utentes.

    Entre 730 trabalhadores da Petroquímica, 150 são abrangidos pela requisição civil, fundamentalmente funcionários da produção de gás e da segurança das instalações fabris.

    O porta-voz do governo, o ministro Fernando Nogueira, volta a apelar à população para seguir as regras de segurança difundidas pela EDP, a empresa distribuidora de “gás de cidade”.

  • 19 Jun 1986

    PCP defende que existem condições para novo Executivo sem eleições

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    O governo de Cavaco Silva pretende uma autorização da Assembleia da República para alterar leis laborais, o que merece a oposição de partidos como o PRD e o PCP, com os comunistas a defenderem que há condições para um novo Executivo sem eleições.

    O Partido Renovador Democrático (PRD) opõe-se a que o parlamento conceda autorização ao governo para alterar o direito do trabalho, defendendo que as autorizações legislativas “só devem ser concedidas em termos muito restritos”.

    O PRD vinca que o problema da alteração da legislação laboral deve ser debatido no hemiciclo, sob a forma de proposta de lei, e com audição das organizações sindicais.

    O PCP, pela voz de Álvaro Cunhal, diz que existem condições institucionais para substituir o governo, “sem necessidade de eleições antecipadas”.

    Este é apresentado na imprensa como o objetivo central do PCP.

    O secretário-geral do partido afirma, em conferência de imprensa de balanço do Comité Central, que o PCP continuará a lutar pela “convergência e unidade de todas as forças democráticas”, o que para os comunistas é “não só necessário, como possível a todos os níveis”.

    Cunhal recorda que PCP, PS, PRD, MDP e Os Verdes dispõem de maioria na Assembleia da República, considerando essencial “tornar normais, regulares e naturais o diálogo e encontros” entre aquelas forças.

    Objetivo: “procurar pontos de possível ação comum” e “não ceder às campanhas e intrigas, visando impedir ou travar a aproximação das forças democráticas”.

  • 18 Jun 1986

    Gás pode faltar até ao dia 28 após fracasso nas negociações

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Estela SilvaFoto Estela Silva

    Os trabalhadores da Petroquímica decidem prolongar uma greve por mais cinco dias.

    “Os 600.000 consumidores de gás de Lisboa ficarão assim privados desde combustível por duas semanas”, escreve o Diário de Notícias.

    O protesto prende-se com o fracasso de negociações entre os representantes dos trabalhadores e a administração da empresa relacionada com a contratação coletiva.

    Em consequência, os trabalhadores decidem prolongar a paralisação que inicialmente duraria até domingo, noticia a edição de quarta-feira do DN a 18 de junho de 1986.

    O jornal cita declarações de uma fonte sindical à ANOP para informar que a maior parte das fábricas portuguesas de adubos está em vias de “paralisação total” por falta de amoníaco, devido à greve.

    “A menos que importem amoníaco, as fábricas de adubo, primeiro, e as empresas consumidoras de amoníaco, como tinturarias e lavandarias, logo a seguir, terão de encerrar”, afiança José Bento, da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Químicos.

    A greve dos trabalhadores da Petroquímica e Gás de Portugal, além de afetar os lisboetas consumidores de gás da companhia, provoca também a paralisação das fábricas de adubos da Quimigal de Alverca e de Estarreja e ameaça paralisar igualmente a Isopor.

  • 17 Jun 1986

    Regime de segregação racial na África do Sul está longe do fim

    Por: ANA MENDES HENRIQUESBispo Desmond TutuBispo Desmond Tutu

    O regime de segregação racial na África do Sul está ainda longe do fim e a pouca informação que sai do país é sujeita aos cortes da censura imposta pelas autoridades de Pretória, a braços com a revolta da população negra.

    “O que se está a passar ao certo na África do Sul é coisa que não é conhecida – com alguma certeza – fora das fronteiras daquele país”, escreve o Comércio do Porto, frisando que a par do estado de emergência fora decretado um bloquei informativo total.

    Todas as imagens e textos saídos na véspera da República da África do Sul são submetidos a censura prévia, mas o governo reconhece que 90 por cento dos trabalhadores negros fizeram greve, por ocasião do 10.º aniversário da revolta do Soweto.

    Num ofício religioso evocativo daquele massacre, o bispo Desmond Tutu afirma que reina no Soweto “uma paz raivosa”.

    A situação do país é enquadrada com um texto da NP – Notícias de Portugal (antecessora da Lusa), assinado pela jornalista Anabela Neves Ferreira:

    “Grande Tribo Branca domina África do Sul

    Os negros da África do Sul têm um ditado que diz - quando o homem branco chegou tinha uma Bíblia e nós tínhamos a terra, agora nós temos a Bíblia e ele a terra.

    Um regime com 38 anos de existência está na origem da situação que o ditado popular exprime: um quinto da população, de origem europeia, mantém 24 milhões de negros confinados a 13 por cento do território do país.

    Em 1963, um primeiro-ministro sul-africano afirmava no Parlamento, constituído unicamente por brancos, que o problema do regime de segregação racial, reduzido à sua expressão mais simples, consistia na vontade de manter a África do Sul branca, de garantir o domínio dos brancos, não a sua direcção, nem a sua tutela, mas a sua supremacia”.

  • 16 Jun 1986

    “Escudo deve fortalecer-se segundo relatório da OCDE”

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) defende que a política de desvalorização do escudo deve ser alterada.

    Num relatório anual sobre Portugal, a organização considera também que deve ser dada maior atenção à política salarial e alerta para a necessidade de medidas de controlo do desemprego e de correção na Agricultura.

    “Considerando os bons resultados conseguidos pela política de desvalorização do escudo, sobretudo ao nível do reajustamento exterior e dos reganhos de produtividade nos mercados internacionais, e da contração da procura, a organização não deixa de chamar a atenção para a pesada contrapartida que daí adveio”, noticia o Correio da Manhã.

    Níveis de inflação elevados e as consequentes distorções para a economia são apontados pela OCDE, segundo a qual a desvalorização da moeda constitui “um meio politicamente mais fácil de adotar”, com os agregados familiares a serem vítimas de “uma certa ilusão monetária”.

    O jornal nota que o combate à inflação se tornou a principal tarefa do executivo liderado por Cavaco Silva.

    A OCDE recomenda que o recurso à depreciação do escudo, como elemento de equilíbrio exterior “deverá ser progressivamente reduzido e trocado por uma política de moderação da evolução salarial”.

  • 15 Jun 1986

    Jorge Luís Borges morreu em Genebra

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    O escritor argentino Jorge Luís Borges morreu em Genebra, aos 86 anos, vítima de cancro no fígado, três meses depois de casar com a secretária e companheira de longa data, Maria Kodama.

    Borges residia em Genebra desde o casamento e havia manifestado o desejo de ser sepultado na Suíça, onde passou a juventude.

    Nascido a 24 de agosto de 1899 em Buenos Aires, considerava-se um cidadão mundial.

    Reconhecido como um dos maiores escritores da América Latina e da literatura mundial, Borges inspirou escritores como Umberto Eco e Vergílio Ferreira, deixando uma vasta obra também como poeta e ensaísta.

    O Diário de Notícias recordou, neste dia, as palavras de Borges sobre a sua própria morte: “Enfrento a morte como uma esperança, a de que tudo acabe. Quando morrer, quero morrer de corpo e alma. Não quero ser ameaçado com a imortalidade”.

    Para Vergílio Ferreira, a literatura mundial ficou privada de um grande valor - “Sem dúvida do maior escritor do nosso tempo, do mundo de hoje”.

    Sophia de Mello Breyner, que contava encontrá-lo em breve em Florença, lamentou igualmente a morte do escritor como “um dos grandes” da sua época.

    Agustina Bessa Luís saudou o talento de Borges e Alçada Bpatista sublinhou que se perdeu “uma referência viva” do que era verdadeiramente a arte literária.

    Mais do que lamentar a perda do escritor, Alçada Baptista reagiu com um apelo para uma derradeira homenagem: “Nobel à obra de Borges, que era até ontem, indiscutivelmente, o maior escritor vivo do nosso tempo”.

  • 14 Jun 1986

    Incêndio provoca tragédia no Funchal

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    Um incêndio destrói um dos edifícios mais antigos do Funchal, a casa onde terá vivido o navegador Cristóvão Colombo, provocando a morte a duas pessoas e ferimentos em 12, deixando 20 famílias desalojadas.

    O edifício albergava provisoriamente várias famílias que aguardavam por outras residências e tinha obras de recuperação planeadas pelo Governo Regional da Madeira.

    As primeiras estimativas apontam para prejuízos na ordem dos cem mil contos (meio milhão de euros).

    Entre os feridos no incêndio que deflagrou no mítico edifício de cinco pisos, contam-se duas crianças em estado grave.

    No continente, onde as temperaturas atingem os 36 graus, registam-se também vários incêndios, sobretudo nas regiões Norte e centro.

    Em Matosinhos, as chamas consomem três mil metros quadrados de mata próximo de duas unidades industriais, o que obriga a cortar o trânsito na Estrada Nacional.

    Em Leça do Bailio, verifica-se uma situação idêntica, que mantém os bombeiros em constante atividade.

  • 13 Jun 1986

    “Guerra no PS está a aquecer”

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    “Com Soares em Belém, trocando a família socialista pela cátedra presidencial, a sucessão no PS não se faz sem sobressaltos”, escreve O Comércio do Porto a 13 de junho de 1986.

    Vítor Constâncio enfrenta Jaime Gama na corrida à liderança do Partido Socialista e reúne a maioria dos apoios no congresso, o que lhe assegura a liderança, mas não o livra das críticas dos opositores e de uma comparação a Cavaco Silva.

    O Comércio refere-se a Constâncio dizendo que, imitando o “estilo Cavaco” na Figueira da Foz, declarou “guerra aos grupos” e ameaçou não os permitir.

    A candidatura de Gama “riposta com malícia” que se trata de uma posição estranha vinda de um ex-minoritário do partido.

    O jornal relata que as dores de cabeça do ex-governador do Banco de Portugal se agravam quando à anunciada “rebelião permanente” dos gamistas insubmissos se somam as quezílias nas suas próprias hostes, com diversos grupos de pressão a disputarem os favores do futuro chefe.

    É o VI Congresso do PS e, em fase de constituição de listas, Constâncio vê-se a braços com dificuldades para gerir os vastos apoios que conseguiu.

    Constâncio tem então de gerir um vasto leque de minorias, enquanto os gamistas, “vencidos, mas não convencidos”, troçam da proibição de se assumirem como oposição organizada dentro do PS.

  • 12 Jun 1986

    Portugal perde com Marrocos e sai do mundial

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    Portugal é afastado do Campeonato Mundial de Futebol, no México, depois de perder o jogo com Marrocos, uma derrota relatada com emotividade pela imprensa portuguesa.

    Marrocos, Inglaterra, México e Paraguai apuram-se para os oitavos-de-final.

    O Diário de Notícias escreve que a derrota da seleção portuguesa nunca terá estado nas previsões dos adeptos, nem mesmo quando os africanos evidenciavam possuir uma equipa capaz de largos voos.

    “Mas a derrota aconteceu e nada há a opor ao merecimento do que Marrocos alcançou, deitando por terra as ilusões portuguesas e classificando-se em primeiro lugar no grupo”, relata a edição de 12 de junho de 1986.

    O repórter conta que dois golos inapeláveis pronunciavam grandes dificuldades para a equipa portuguesa, “conhecido, para mais, o estilo e a força dos marroquinos”.

    Diz o autor do texto que os infantes, como eram apelidados os jogadores, “lutaram muito”, após o intervalo, para modificar o final do jogo e criaram algumas situações em que o golo poderia ter sido possível “se a sorte também não tivesse virado as costas à equipa”.

    “A sorte e o árbitro”, prossegue o redator, para dizer que a seleção nacional insistiu e fez um golo, “forjou alguns lances de sobressalto” para a defesa de Marrocos, mas “despertou muito tarde para evitar uma derrota inesperada e que não pode deixar de ser considerada humilhante”.

  • 11 Jun 1986

    “Mulheres na tropa…Só se quiserem”

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Cristina FernandesFoto Cristina Fernandes

    Um projeto sobre o serviço militar apresentado com a indicação de “prioritário” pelo Governo de Cavaco Silva e que esta semana deve subir ao plenário da Assembleia da República continua a dividir os portugueses entre cidadãos de primeira e de segunda, situação que os parlamentares certamente não terão “coragem” para alterar.

    É desta forma que O Comércio do Porto noticia a possibilidade de as mulheres virem a prestar serviço militar.

    Com efeito, a nova lei vai adiar “para momento mais oportuno o alargamento do serviço efetivo normal aos cidadãos do sexo feminino”, alegando-se para isso que o princípio da igualdade dos sexos, no caso da ida à tropa, “implicaria a mobilização de recursos financeiros e de estruturas praticamente inexistentes”.

    Duvida-se mesmo que eventuais requerimentos nesse sentido venham a ser autorizados, uma vez que fica nas mãos dos chefes militares a definição dos quantitativos dessas voluntárias para cada ramo das Forças Armadas.

    “E não se prevê que, com as estruturas existentes nos quartéis e a falta de verbas para investir em novas e adequadas instalações que evitem problemas e compreensíveis dores de cabeça aos comandantes das unidades, os chefes militares estabeleçam quantitativos para mulheres que vão além da estaca zero”, conclui o autor da prosa.

  • 10 Jun 1986

    Cartão Jovem a partir de 1 de julho

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    “A partir do dia 01 de julho, o poder de compra dos jovens portugueses com idades entre os 14 e os 25 anos vai subir grandemente”, vaticina o Correio da Manhã, referindo as vantagens da entrada em vigor do Cartão Jovem.

    No texto, frisa-se que, graças a um cartão da Comunidade Económica Europeia (CEE), os jovens portugueses vão poder auferir descontos que chegam aos 50 por cento.

    O cartão custa 500 escudos (dois euros e meio) e permite descontos em diversos produtos, desde livros, discos e computadores a serviços de “snack-bar, entre muitos outros.

    São também contemplados descontos nos grandes operadores de transportes como a TAP, a CP e a Rodoviária Nacional.

    A Secretaria de Estado da Juventude informa que o cartão será posto à venda em todo o país, nas delegações regionais do Fundo de Apoio aos Organismos Regionais (FAOJ), nos balcões do Banco Pinto & Sotto Mayor e nas dependências da Companhia de Seguros Mundial Confiança.

    No ato da aquisição, é oferecido ao utente um guia com a lista de produtos e serviços abrangidos, bem como as percentagens de desconto, que dependem do tipo de artigos e das empresas.

    Mais de mil empresas aderem ao projeto na fase de arranque.

  • 09 Jun 1986

    “Eanes assume ligação ao PRD”

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Manuel de MouraFoto Manuel de Moura

    “Há uma ligação real entre mim e o PRD”, afirma Ramalho Eanes, durante uma visita a Castelo Branco para contactos com militantes de um partido organizado para “garantir a continuidade” do ex-Presidente da República na cena política.

    O texto é do jornal O Comércio do Porto a 09 de junho de 1986, quando Ramalho Eanes quis “desvanecer” os receios de um propagado distanciamento em relação ao PRD e decidiu “assumir a obra que, sem a sua assinatura, foi concebida em seu nome”.

    Castelo Branco marca o início de uma viagem ao interior do Partido Renovador Democrático (PRD).

    O ponto de chegada, segundo o jornal, está aprazado para outubro, quando Eanes assumir não só a “ligação real” ao PRD, mas também a liderança do partido.

    Ramalho Eanes desfaz as dúvidas para esclarecer que tal ligação não se traduz ainda no ingresso naquela formação partidária, o que só está previsto para a Convenção do PRD, em outubro.

    O jornal do Porto cita a ANOP, agência antecessora da Lusa, para dizer que a resposta de Eanes a um convite feito pelo PRD se traduz “em observar pessoalmente aquilo que o PRD é” e “em mostrar politicamente que existe uma ligação real” entre si e o partido.

    O ex-Presidente refere-se ao contacto que iniciara no fim-de-semana em Belmonte (distrito de Castelo Branco) com as estruturas distritais e concelhias dos renovadores democráticos.

  • 08 Jun 1986

    Isabel II pressiona Margaret Thatcher para apdotar sanções contra Pretória

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    O diário londrino “Today”, citado pelo Diário de Notícias, afirma que a rainha Isabel II está a pressionar a primeira-ministra inglesa, Margaret Thatcher, para adotar sanções económicas contra a África do Sul, devido à política de segregação racial.

    Segundo o “Today”, numa das últimas audiências semanais, a soberana terá exprimido a Thatcher “crescente preocupação” pela deterioração da situação sul-africana e pelo isolamento da Grã-Bretanha na comunidade britânica de nações (Commonwealth), devido à sua negativa em sancionar economicamente o regime racista de Pretória.

    A rainha de Inglaterra preside à comunidade, uma associação entre a Grã-Bretanha e as suas 48 ex-colónias.

    O gabinete de Thatcher nega-se a confirmar ou desmentir as alegadas pressões da rainha Isabel e salienta que a oposição de Thatcher em aplicar sanções económicas contra a África do Sul não se modificou.

    Um porta-voz oficial declara: “Nunca comentamos o que se diz numa conversa privada entre a rainha e a primeira-ministra, mas a posição de Thatcher, de que as sanções não servem, continua”.

  • 07 Jun 1986

    Cavaco anuncia “ligeira” redução do serviço militar obrigatório

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Cristina FernandesFoto Cristina Fernandes

    Durante uma visita ao campo militar de Santa Margarida, o primeiro-ministro, Cavaco Silva, anuncia “uma ligeira redução” do serviço militar obrigatório, que se cumpre à época em 18 meses.

    O chefe do governo não precisa qual será a redução, mas admite que pode passar para 15 meses o tempo que os jovens obrigatoriamente passam nas Forças Armadas.

    A proposta está contida num projeto do governo que se pretende “desburocratizante” e aglutinador das “aspirações da população”, sem prejuízo “dos aspetos essenciais do ponto de vista dos requisitos militares”, escreve o Correio da Manhã a 07 de junho de 1986.

    Na mesma ocasião, Cavaco deixa um recado para as chefias militares e garante que reequipar as Forças Armadas só após a recuperação económica.

    Acompanhado pelo ministro da Defesa Nacional, Leonel Ribeiro de Almeida, o líder do executivo afirma que a prioridade é concentrar esforços nas áreas económicas e sociais, pelo que as Forças Armadas terão de esperar.

    Autoriza, porém, que em sede de orçamento suplementar, seja inscrita, com pedido de urgência, uma verba de sete milhões de contos, dos quais quatro para as forças armadas e militarizadas.

    O montante destina-se a suprir as dificuldades orçamentais dos militares resultantes do imposto sobre combustíveis aprovado na Assembleia da República, conforme relata o Diário de Notícias.

  • 06 Jun 1986

    “Caso ANOP leva MNE a chamar diplomata da Guiné-Bissau”

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    O encarregado de negócios da Guiné-Bissau em Lisboa é chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde lhe é manifestada “estranheza e preocupação” pela expulsão do delegado da agência de notícias que antecedeu a Lusa (ANOP).

    Enquanto isto, a Direção de Informação da agência manifesta-se solidária, tanto no plano pessoal como profissional, com o jornalista José António Salvador, expulso pelo governo de Nino Vieira.

    O caso volta a ser notícia de capa do Diário de Notícias, à semelhança do dia anterior e do que virá a acontecer com a primeira página do semanário Expresso no fim-de-semana.

    Em comunicado, a direção da ANOP destaca “a independência relativamente aos poderes locais” do trabalho do jornalista, classificando-o como “um canal quase único de divulgação para o exterior da grave situação política, económica e social” vivida naquele país.

    Recorda ainda que se trata do terceiro caso de expulsão de jornalistas da ANOP.

    “Em nenhum dos casos, as autoridades guineenses desmentiram ou acusaram os jornalistas de violação das leis do país ou das regras deontológicas do jornalismo”, defende a ANOP.

    A mesma posição assume o Sindicato dos Jornalistas, dando especial ênfase à recusa de José António Salvador revelar as suas fontes: “É a única maneira, num caso destes, por um profissional de informação”.

    O jornalista é expulso depois de escrever uma notícia sobre o início do julgamento de Paulo Correia, ex-vice-presidente do Conselho de Estado, acusado de liderar uma alegada conspiração.

  • 05 Jun 1986

    “Bissau expulsa delegado da ANOP”

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    O delegado da ANOP, o jornalista José António Salvador, é expulso da Guiné-Bissau por ordem das autoridades daquele país, depois de se ter recusado a revelar as fontes de uma notícia.

    “A ordem de saída, no primeiro avião com destino a Lisboa, foi dada oralmente pelos responsáveis guineenses, escreve o Diário de Notícias a 05 de maio de 1986.

    A informação pretendida pelas autoridades da Guiné-Bissau relacionava-se com uma notícia divulgada na semana anterior a dar conta do início do julgamento de Paulo Correia, ex-vice-presidente do Conselho de Estado, acusado de liderar uma alegada conspiração.

    O Correio da Manhã, por seu lado, destaca o surgimento do seguro de doença, por iniciativa da então ministra da Saúde Leonor Beleza, à qual o jornal se refere como “ministro” por ser ainda pouco habitual as mulheres desempenharem o cargo.

    A medida é anunciada no Porto, com a intenção de se minimizarem “as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde”.

    Leonor Beleza diz, então, que o objetivo é dar aos portugueses direitos consagrados na Constituição que “nunca foram além do sonho ou da propaganda”.

    A criação do seguro de doença constava no programa do governo, liderado por Cavaco Silva como um esquema de assistência social, de acordo com a informação divulgada pelo CM há 30 anos.

  • 04 Jun 1986

    “Guardas prisionais à beira da greve”

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Paulo CarriçoFoto Paulo Carriço

    Os guardas prisionais ameaçam fazer a primeira greve da classe contra as baixas remunerações, salários em atraso e um horário de trabalho que chega às 70 horas por semana, sem pagamento extra.

    “Os guardas prisionais – mais de dois mil em todo o país – estão a encarar seriamente a hipótese de virem a paralisar a actividade ainda no decorrer do presente mês, eventualmente durante oito horas em três dias seguidos”, noticia o Correio da Manhã a 04 de junho de 1986.

    De acordo com o jornal, as razões que motivam os guardas prisionais são muitas e antigas, relacionadas com as condições de trabalho e remuneração (horários, salários e subsídios).

    Os guardas afirmam-se cansados de “promessas sucessivamente adiadas” e depositam a última esperança numa audiência com o ministro da tutela, Mário Raposo.

    O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional vai para a reunião pressionado pelos guardas, no sentido de avançar com formas de luta e já com uma assembleia geral agendada para o dia 07, em Coimbra, na qual se prevê aprovar o calendário de paralisações.

    Os jornais continuam a dar destaque ao Campeonato Mundial de Futebol, no México, destacando que a vitória sobre a Inglaterra abre caminho a Portugal (1 -0), enquanto o resultado México – Bélgica se fica por 2-1. Argélia e Irlanda empatam (1-1).

  • 03 Jun 1986

    “Porto de Lisboa e estuário do Tejo já têm planos para o século XXI”

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Inácio RosaFoto Inácio Rosa

    O Porto de Lisboa apresenta em 1986 as primeiras linhas para um plano que dará uma nova imagem ao estuário do Tejo e que prevê a construção de infraestruturas ainda em discussão 30 anos depois.

    À data, transitava pelo porto de Lisboa mais de um terço do comércio externo português (37 por cento) e mais de cinco mil navios num ano.

    Anuncia-se então um plano diretor com um período de vigência de 2000 a 2020 para “uma repartição espacial mais correcta” das atividades urbano portuárias no estuário do Tejo.

    A intervenção abrange a área de Vila Franca de Xira, Muge e zonas marítimas.

    De acordo com números inscritos na edição do Diário de Notícias a 03 de junho de 1986, o Porto de Lisboa registava há 30 anos um tráfego total na ordem de 15 milhões de toneladas, das quais somente duas e meia correspondiam a tráfego local, referindo-se todo o restante movimento a carga marítima internacional.

    O projeto para o maior porto do país, com uma superfície de 32.500 hectares e 25 quilómetros de comprimento, terá de receber os pareceres de várias entidades, do turismo à capitania, passando pela Junta Autónoma de Estradas.

    No plano, inscrevem-se a marina de Algés, a linha ferroviária Coruche – Ponte de Sor, com ligação à Trafaria – para transporte de contentores em direção a Espanha -, nós rodoviários amplos em Algés e Alcântara com ligação ao porto de Lisboa e ampliação da Nacional 10, em Beirolas.

    Prevê-se igualmente, na margem sul do Tejo, uma ligação da Trafaria a Pinhal Novo, através de um troço ferroviário e a polémica construção de um terminal de contentores na Trafaria.

    Para o Montijo, fica reservado um aterro para construir um novo cais de “grandes proporções”, enquanto a margem norte do concelho de Almada se destina à acostagem exclusiva de navios pesqueiros.

  • 02 Jun 1986

    “Rebelião dos Infantes poderá ser castigada”

    Por: ANA MENDES HENRIQUESFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Silva Resende, declara em Saltillo, no México, que vai ser elaborado um dossiê sobre a “rebelião” dos jogadores portugueses, que ameaçaram boicotar o Mundial se não recebessem melhores prémios.

    “Esse processo será cuidadosamente feito para que no futuro não volte a acontecer um caso destes com uma seleção portuguesa”, sublinha Silva Resende, citado pelo Diário de Notícias.

    O dirigente desportivo acrescenta que a ação dos jogadores, que ameaçaram não jogar para fazer valer as reivindicações, se refletiu no Congresso da FIFA, causando “prejuízos irreparáveis” ao futebol português.

    Interrogado sobre as consequências do processo, Silva Resende responde: “Se resultar algum procedimento disciplinar, isso não depende de mim, mas do Conselho de Disciplina”.

    As declarações de Silva Resende surgem no dia em que a equipa nacional se desloca a Monterrey para um treino de adaptação ao piso do estádio em que no dia seguinte defronta a Inglaterra, num jogo de estreia das duas equipas no Mundial de 1986.

    No dia anterior, o Correio da Manhã destacava o início da “festa” do Mundial e a estrutura técnica montada para a cobertura: Doze câmaras em cada estádio do “Grupo F”, iniciado pelas seleções da Polónia e de Marrocos.

  • 01 Jun 1986

    “Foguetão Ariane destruído em voo”

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    Poucos minutos após o lançamento, o foguetão Ariane 18, que deveria colocar em órbita um valioso satélite, acaba por explodir, falhando mais uma missão do programa espacial europeu.

    “O programa Ariane sofreu ontem mais um revés, quando os técnicos foram obrigados a fazer explodir o foguetão e o sofisticado satélite de comunicações que deveria colocar em órbita, ao verificarem que os motores de terceira fase não entravam em funcionamento”.

    O relato dos acontecimentos é feito pelo Diário de Notícias, segundo o qual o acidente levou a Agência Espacial Europeia a ordenar, horas depois, a suspensão de futuros lançamentos, até à conclusão do inquérito sobre as causas do fracasso.

    O Ariane 18 transportava um satélite no valore de 35 milhões de dólares (31,5 milhões de euros).

    O terceiro andar do foguetão começou a desviar-se da rota, acabando por ser destruído em pleno voo, bem como o satélite, pelos técnicos do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa.

    O lançamento ocorrera às 02:00 de Lisboa, mas um dos motores não entrou em funcionamento.

    “Este é o quarto fracasso nos 18 lançamentos realizados no âmbito do programa espacial Ariane, considerado atualmente o único veículo susceptível de colocar em órbita satélites comerciais, numa base regular”, escreve o DN a 01 de junho de 1986.

    O satélite tinha capacidade para “15.000 mil linhas telefónicas e dois canais de televisão a cores”.

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