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Maio 1986
  • 31 Mai 1986

    “BNU descobre golpe de mais de um milhão de contos”

    Por: ANA MENDES HENRIQUES

    A Alta Autoridade Contra a Corrupção não tem conhecimento oficial da existência de várias fraudes praticadas na agência de Caldas de Vizela do BNU – em que o banco foi lesado em mais de um milhão e cem mil contos, escreve o Expresso.

    O banco é desfalcado através de cheques sem provisão e financiamentos irregulares a várias empresas da região, segundo a edição do semanário de 31 de maio de 1986.

    “Embora os actos que defraudaram o banco tenham sido praticados ao longo de quatro anos, e a natureza dos mesmos indicie práticas que deveriam cair sob a alçada do gabinete de Costa Braz, a verdade é que, embora sem confirmação oficial, soubemos que o dossier de Caldas de Vizela não consta entre os processos em investigação naquele organismo”, sublinha o jornal.

    Ao que o Expresso consegue apurar, parece também não existir qualquer participação criminal contra os funcionários do balcão (entre os quais dois gerentes) que “colaboraram nos atos dolosos” e se encontram com “parte de doente”, sendo alvo de processo disciplinar com intenção de despedimento.

    Costa Braz desempenhou o cargo de alto comissário contra a Corrupção de 1983 a 1993.

  • 30 Mai 1986

    OCDE prevê inflação de 13,5% em Portugal este ano

    Por: Ana Mendes Henriques

    A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê uma inflação de 13,5 por cento em 1986 e estima que no ano seguinte o índice de preços ao consumidor baixe para 10,5%.

    O relatório da organização, divulgado em Paris, contraria as previsões do governo de Cavaco Silva, que apontam para uma meta de 12%, segundo a informação divulgada pelo Diário Popular.

    “Para 1987, aquela prestigiada organização internacional, de que o nosso país faz parte, aponta uma inflação de 10,5 por cento”, lê-se na edição do Popular de 30 de maio de 1986.

    A OCDE prevê para estes dois anos um crescimento económico mais sustentado, mas também uma deterioração da balança comercial.

    O aumento dos salários e das transferências públicas deverão, segundo as previsões, fomentar uma nítida subida do consumo privado, a par de um forte crescimento das importações, que em 1985 apenas registaram um acréscimo de três por cento.

    Quando às exportações, “progredirão somente cinco por cento em 1986 e 1987, contra 10,5 por cento no ano passado”.

  • 29 Mai 1986

    Reformas na função pública mais cedo e com mais dinheiro

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto António CotrimFoto António Cotrim

    O Correio da Manhã noticiava há 30 anos que a reforma na Função Pública ia ser possível aos 60 anos, com 20 por cento de bónus.

    “Qualquer funcionário da Administração Pública, com pelo menos 60 anos de idade e 20 anos de serviço, ou simplesmente 30 anos de serviço, vai poder aposentar-se com um acréscimo de 20% sobre a pensão mensal do Estado a que teria direito”, avançava o diário a 29 de maio de 1986.

    A informação fora obtida pelo jornal através de fonte governamental, que frisava “a necessidade de a Assembleia da República não voltar a complicar a intenção do Executivo” que, no caso, visava “reduzir drasticamente o excessivo peso do funcionalismo público”.

    A medida abrangia cerca de 40.000 trabalhadores já muito próximos da idade da reforma e que, segundo o CM, deixavam de ter de se apresentar a uma junta médica para “viabilização” da reforma.

    “O próprio Ministério das Finanças vai lançar uma grande campanha de informação sobre esta matéria, tentando convencer os funcionários públicos abrangidos a aceitarem as convidativas condições do Governo”, lê-se no jornal, consultado pela Lusa na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

  • 28 Mai 1986

    Mário Soares diz que Constituição não é texto sagrado

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    O Presidente da República, Mário Soares, afirmou há 30 anos que o texto fundamental não é sagrado, “no sentido de intocável”.

    A intervenção foi feita durante a sessão comemorativa do 10.º aniversário da Constituição da República, em maio de 1986, reportada pelo Diário de Notícias.

    Numa cerimónia promovida pelo Tribunal Constitucional, Soares referiu que a Constituição é “sempre susceptível de correcções e aperfeiçoamentos, desde que introduzidos no lugar e no tempo próprios”, ajustando-a à realidade social, económica e cultural.

    O jornal sublinhou no artigo que a cerimónia juntou pela primeira vez as cinco figuras de topo da hierarquia do Estado – Presidente da República, Presidente da Assembleia da República (Fernando Amaral), primeiro-ministro (Cavaco Silva) e os presidentes do Supremo Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional.

    “Marques Guedes (que preside a este último órgão), com efeito, esteve presente na cerimónia, ao contrário do que chegou a ser noticiado, devido ao conflito protocolar que vem mantendo sobre a precedência com o Supremo Tribunal de Justiça”, lê-se na edição do DN de 28 de maio de 1986.

    O texto prossegue com mais declarações de Mário Soares sobre a revisão da Constituição que se previa para o ano seguinte: “Trata-se, no fundo, de ir ajustando periodicamente o texto constitucional à realidade social, económica e cultural, que, como sabemos, é dinâmica e essencialmente mutável”.

    Soares acrescentou, ainda, que a Constituição deveria ser “um instrumento, tanto quanto possível, não polémico” e “um factor de estabilidade e segurança”.

  • 27 Mai 1986

    Choque de dois jactos militares causa a morte a major piloto

    Por: Ana Mendes Henriques

    A colisão de dois aviões A-7 da Base Aérea de Monte Real causa a morte a um dos pilotos, que não conseguiu ejactar-se a tempo, e a uma mulher atingidas pelos destroços de um dos aparelhos.

    Os aviões faziam uma aproximação à base, por radar, em condições de “má visibilidade”, conta o Diário de Notícias de 27 de maio de 1986, citando um comunicado do Estado Maior da Força Aérea.

    Os dois pilotos acionaram os mecanismos de ejecção das aeronaves, mas apenas um conseguiu saltar do aparelho, uma vez que o outro terá ficado com o para quedas preso na cauda do avião, segundo o relato de testemunhas.

    “Este desastre eleva para 11 o número de mortos da Força Aérea, nos últimos oito anos, e foi o terceiro acidente este ano”, lê-se na antiga edição do DN, consultada pela Lusa na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

    Os jornais deste dia relatam também uma crise na Seleção Portuguesa de Futebol, em jogo no Campeonato Mundial no México, em Saltillo, com os chamados “Infantes” a reclamarem melhores prémios.

    O Correio da Manhã refere-se mesmo a uma “greve” dos jogadores, que recusaram participar num jogo treino com os “Trigres”.

    A situação é descrita como “uma bronca monumental”, que levou inclusive o Presidente da República, Mário Soares, a fazer um apelo para a calma.

  • 26 Mai 1986

    Computador cresce mais do que a TV

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto João RelvasFoto João Relvas

    O número de computadores cresce nas casas portuguesas a um ritmo superior ao das televisões.

    “Os microcomputadores estão decididamente a invadir as casas portuguesas, sendo o seu ritmo de crescimento calculado em cerca de 30 por cento por ano até 1989, ou seja, superior ao esperado para a televisão nesse mesmo período de tempo”, noticia o Correio da Manhã em 26 de maio de 1986.

    O jornal cita dados da revista da Associação Portuguesa de Informática, dando conta de que em janeiro do ano anterior já existia em “um parque de microcomputadores estimado em 145 mil unidades, distribuídas pelos lares portugueses, contra 3.900 unidades instaladas em empresas e organizações diversas”.

    As estimativas apontam, então, para meio milhão de unidades em 1989.

    No mesmo dia, é notícia no Diário Popular um relatório da Alta Autoridade contra a Corrupção que revela “prejuízos injustificados” de 74.000 contos (370.000 euros) na Rodoviária Nacional.

    A Alta Autoridade conclui que os gestores da empresa devem ser responsabilizados pelos prejuízos causados pela cedência de operação do Hotel Eva, em Faro, integrado no património da transportadora.

    O vespertino anuncia que os gestores, que terminam o mandato no mês seguinte, não serão reconduzidos e que na base da decisão estará o inquérito em curso na Autoridade.

    A investigação aponta para irregularidades na gestão “da responsabilidade do engenheiro Feio Borges”.

    No relatório, sugere-se que o governo acione judicialmente os gestores responsáveis para que indemnizem a empresa naquele montante.

  • 25 Mai 1986

    Horizontes dos jovens têm nuvens negras

    Por: Ana HenriquesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Perante 3.000 jovens universitários, o cardeal patriarca de Lisboa, António Ribeiro, afirma que as dificuldades no ensino devem ser um estímulo.

    A declaração é proferida no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, “transformado em templo” para acolher mais de 3.000 estudantes e professores na tradicional celebração da “Benção dos Finalistas” das universidades de Lisboa.

    O Correio da Manhã relata que o espaço foi pequeno para a iniciativa da Diocese de Lisboa, que em maio de 1986 regista “uma adesão ímpar”.

    “Há que lutar pela esperança, mesmo quando custa confiar e esperar”, foi a exortação que o cardeal dirigiu aos jovens, lê-se na edição do CM com 30 anos, consultada pela agência Lusa na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

    No mesmo dia, o Diário de Notícias dá conta de “um aparato de bombeiros” na Avenida da Liberdade, por suspeita de sobreviventes nos escombros do incêndio da semana anterior.

    Depois de dois jovens terem reportado ouvir gritos e gemidos no local, as buscas acabam por salvar dois gatos, que “aparentemente havia sobrevivido ao braseiro”.

    A Polícia Judiciária continua a investigar as causas do incêndio numa pensão clandestina, que provocou oito vítimas mortais.

  • 24 Mai 1986

    Soares e Cavaco não acertam o passo com Pequim

    Por: Ana Mendes HenriquesCerimónia de posse de Pinto Machado como Governador de Macau. Foto António CotrimCerimónia de posse de Pinto Machado como Governador de Macau. Foto António Cotrim

    A 24 de maio de 1986, o Expresso noticia que Mário Soares pensa nomear um assessor diplomático para funcionar junto do governador de Macau, Pinto Machado, para “compensar o facto de Cavaco Silva não lhe fornecer informações suficientes”.

    Em causa estão as negociações com a China sobre o futuro de Macau, à data território sob administração portuguesa.

    O semanário cita uma fonte de Belém para revelar que Cavaco Silva, primeiro-ministro, se limitaria a participar a Soares, Presidente da República, questões de cariz administrativo, como a indicação do embaixador Rui Medina para conduzir as negociações, sem fornecer mais pormenores.

    O Expresso cita também “um informador governamental” para dizer que o primeiro-ministro já manifestara ao Presidente da República “a maior preocupação pela composição do novo executivo macaense”.

    Isto, dada “a necessidade de nomear para este órgão pessoas que estivessem em condições de apoiar os negociadores” do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

    “Na opinião do nosso informador, Mário Soares limitara-se a seguir um critério de distribuição de favores para pessoas que trabalham no MASP (Movimento de Apoio Soares à Presidência) e que não se encontram vocacionadas para as questões do território”, escreve o jornal.

  • 23 Mai 1986

    Em 1988 Portugal terá 5% de inflação

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    O Governo estima que em 1988, a taxa de inflação será de 5%, com juros abaixo dos 10%.

    O ministro das Finanças, Miguel Cadilhe, apresenta os números durante a tomada de posse do governador do Banco de Portugal, Tavares Moreira.

    Miguel Cadilhe avança, então, que em finais de 1988 as taxas de juro não ultrapassarão a casa dos 10 por cento, podendo “muito provavelmente” ficar nos 6 a 7 por cento para a remuneração da poupança e 8 a 10 por cento para o custo do crédito.

    Esta é uma das notícias em destaque na edição do Correio da Manhã de 23 de maio de 1986, a par das comemorações do 10 de junho em Évora e do incêndio que, na véspera, deflagrara num edifício da Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde funcionava uma pensão clandestina.

    “Sete mortos e uma dezena de feridos, quatro dos quais ainda internados em estado grave, era o fatídico balanço feito ontem, no que toca a prejuízos do pavoroso incêndio que deflagrou ao princípio da madrugada num velho prédio”, lê-se na antiga edição do Diário de Notícias.

    Em Évora, preparam-se as comemorações do 10 de junho, já com lotação esgotada.

    “Mais Camões e menos discursos”, titula o Diário Popular, reportando múltiplas atividades culturais e um orçamento reduzido (15.000 contos ou 75.000 euros), estando a organização a cargo da arquiteta Helena Roseta.

  • 22 Mai 1986

    Fogo na Baixa

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Cristina FernandesFoto Cristina Fernandes

    “Iluminou-se a velha baixa lisboeta com o clarão pavoroso de labaredas devorando um velho prédio da Avenida da Liberdade”, assim começa a descrição que o Diário Popular faz de um incêndio que provoca oito mortos, sete feridos e 66 desalojados, em Lisboa.

    Com o subtítulo “Vidas Queimadas”, o vespertino prossegue o relato da tragédia contando que tudo aconteceu de madrugada.

    “Os silvos estridentes das sirenes da maioria das corporações de bombeiros da capital eram abafados pelos gritos horrorizados de uma centena de pessoas – gente que fugia das chamas, que procurava inutilmente salvar parcos haveres”, lê-se na edição de 22 de maio.

    O diário destaca o trabalho do repórter naquela noite da seguinte forma: “Por entre esse inferno na cidade, o jornalista registou a tragédia, a par e passo: Humberto Vasconcelos, lesto como os socorros, viu, ouviu, escreveu – e fotografou – esta nova tragédia que se abate sobre a baixa lisboeta”.

    No mesmo dia, o também vespertino Diário de Lisboa consegue igualmente publicar a notícia, que viria a ser amplamente divulgada pelos restantes jornais no dia seguinte, com mais pormenores.

  • 21 Mai 1986

    Praias do Estoril vão ficar limpas

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Manuel de MouraFoto Manuel de Moura

    A despoluição das praias da linha é anunciada com a adjudicação da primeira fase de um sistema de saneamento orçado em um milhão e duzentos mil contos (seis milhões de euros).

    Na ocasião, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Pimenta, diz que as obras ficarão concluídas em 1990, com um custo total de cinco milhões e meio de contos (mais de 25 milhões de euros).

    Projetam-se três vetores principais, a defesa das praias, as cheias e a gestão do espaço, conforme reporta o Diário de Notícias na edição de há 30 anos, guardada na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

    A obra vai beneficiar os concelhos de Cascais, de Sintra, da Amadora e de Oeiras, respondendo às exigências da Comunidade Económica Europeia (CEE), à qual Portugal acaba de aderir.

    Para a primeira fase do empreendimento é então estabelecido um calendário de 920 dias.

    O projecto apresenta-se como solução para a crónica poluição daquelas praias, devido à falta de tratamento de esgotos de uma forma adequada.

  • 20 Mai 1986

    Armas e caras descobertas em assalto a supermercado

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Manuel de MouraFoto Manuel de Moura

    Mais uma ação reivindicada pelas FP – 25 enche as manchetes dos jornais, desta vez o assalto a um supermercado, em Cascais, de onde terão levado 20.000 a 30.000 contos (100.00 a 150.000 euros).

    O Diário de Notícias destaque que o assalto foi perpetrado em pleno dia, por cinco homens armados com G3.

    “Ostentando perfeito à-vontade e invulgar sangue-frio, os autores da ocorrência reivindicaram o roubo em nome das FP-25, em telefonema posteriormente feito para a NP”, a agência Notícias de Portugal, que existiu antes da Lusa.

    O DN relata que tudo aconteceu com bastante rapidez, “não obstante o difícil percurso que os assaltantes tiveram de efectuar”.

    Segue-se a descrição: “penetraram no centro comercial situado num primeiro andar, daí atingindo o rés-do-chão, onde se encontram os escritórios e onde surpreenderam o pessoal da segurança com os sacos do dinheiro”.

    O Correio da Manhã publica igualmente a notícia, mas chama também para capa uma intervenção do cardeal patriarca de Lisboa, António Ribeiro, sobre as escolas portuguesas que, na opinião do prelado, “deseducam mais do que ensinam”.

    “Falta de seriedade, incompetência, corrupção, droga, insegurança, ociosidade e facciosismo”, tudo isto, segundo o cardeal, os jovens encontram nas escolas.

    Numa carta de 78 páginas publicada no domingo de Pentecostes, António Ribeiro, considera que a escola é pior do que a sociedade.

  • 19 Mai 1986

    Portugal na mira de grupo terrorista financiado pela Líbia

    Por: Ana Mendes Henriques

    A 19 de maio de 1986 era notícia nos jornais nacionais a possibilidade de atentados terroristas em Portugal e um ataque das FP-25 reivindicado por telegrama para a ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa, antecessora da Lusa.

    O Correio da Manhã noticiava que Portugal também estava na mira de terroristas financiados pela Líbia, nomeadamente no caso de uma organização designada “Chamada de Jesus Cristo”.

    Os receios surgiam na sequência da detenção do líder de “um grupo terrorista financiado pela Líbia e baseado em Espanha”, do qual fazia parte um português já detido, que afirmou estarem previstos ataques de guerrilha em Portugal.

    A fonte da notícia, também divulgada pelo Diário de Notícias, é o jornal espanhol El País, que cita fontes policiais.

    Segundo o diário madrileno, o encarregado de negócios líbio na capital espanhola, Ahmed Mohammed, pagou ao grupo “Chamada de Jesus Cristo” a quantia de 70.000 dólares (64.169 euros) para a concretização de ataques contra interesses judeus e norte-americanos em Espanha e Portugal.

    No mesmo dia, o DN reportava um ataque com rajadas de metralhadora contra uma base da NATO, em Oeiras durante a noite de sábado para domingo.

    O facto viria a ser confirmado pela Direcção Central de Combate ao Banditismo.

    Na tarde de sábado, um alegado porta-voz das FP – 25 (Forças Populares 25 de Abril) havia reivindicado o ataque, em telegrama enviado para a ANOP, dizendo que o ato constituía “uma retaliação pela ajuda e cumplicidade da NATO no raid norte-americano contra a Líbia”.

  • 18 Mai 1986

    Futuro da moda desceu à rua

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    O Diário de Notícias ilustra a capa com o desfile de moda das “Manobras de Maio”, ainda a dar os primeiros passos, sublinhando que nem os promotores esperavam o sucesso da iniciativa, que levou milhares de jovens à Rua do Século, em Lisboa.

    “Na passarela montada no largo, estilistas de todos os gostos mostraram como veem a moda e, sobretudo, o seu futuro”, escreve o DN a 18 de maio de 1986.

    O jornal destaca a vontade de romper com as linhais mais convencionais, afirmando que cabe aos jovens a utilização do vestuário como forma de expressão.

    Na mesma edição, uma notícia que se repetirá pelas décadas seguintes: “Municípios não aceitam mais competências sem meios financeiros”.

    Vem a propósito do II Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), realizado em Montechoro, Albufeira.

    Cerca de 900 delegados, representantes de 290 câmaras municipais, aprovaram um documento em que declaravam não aceitar mais competências da Administração Central sem verem assegurados os respetivos meios técnico-financeiros de execução.

    O congresso reconduziu ainda o social-democrata Torres Pereira como presidente da ANMP.

  • 17 Mai 1986

    Parlamento condena agressão a deputado

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Manuel de MouraFoto Manuel de Moura

    A Assembleia da República condena, de forma unânime, a agressão de que foi vítima o deputado social-democrata Vargas Bulcão, na sequência da votação que recusou a criação do concelho de Vizela.

    “O desencanto que a decisão causou aos vizelenses que assistiram aos debates deu origem a alguns excessos no exterior do Palácio de São Bento”, relata a edição do Diário de Notícias a 17 de maio de 1986.

    As forças de segurança são acusadas de passividade, com o deputado democrata-cristão Gomes de Pinho a pôr em causa o papel da PSP na garantia de segurança dos parlamentares.

    Em Vizela, continua a contestação com vários jornais a darem conta do hastear de uma bandeira americana, num mastro com mais de dez metros de altura, segundo o semanário Expresso.

    “Não queremos ser portugueses”, gritam os habitantes de Vizela, depois de gorada a pretensão de elevação a concelho.

    No mesmo dia, é notícia um concerto de James Brown, em Cascais, que o Correio da Manhã descreve como algo memorável, apesar das más condições da sala, especialmente ao nível do som.

    “Living in America” abre e fecha um espetáculo, a que não faltaria “o já histórico Sex Machine”.

    Em Cannes, estreia o filme “The Mission”, com Robert de Niro, “numa expectativa sem precedentes”, segundo o enviado especial do Expresso Augusto M. Seabra.

    “De Niro contra o Marquês de Pombal” é o título da crónica que enquadra o processo de produção de “A Missão”, no título em português, película em que o ator norte-americano interpreta um mercador de escravos do século XVIII que mais tarde se junta aos jesuítas.

  • 16 Mai 1986

    Guimarães quer distrito se Vizela for concelho

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Francisco NevesFoto Francisco Neves

    Concentrada no Largo do Toural, a população de Guimarães exigia o estatuto de distrito se a localidade de Vizela fosse elevada a concelho, um protesto transformado em celebração pelos vimaranenses quando foi conhecido o resultado da votação parlamentar.

    “Passava da uma da madrugada quando, em Guimarães, estrelejaram foguetes. Em Lisboa, os deputados contrariaram as pretensões dos vizelenses e rejeitaram a criação de um concelho que desmembraria o território de Guimarães”, escreve o Diário Popular a 16 de maio de 1986.

    Entretanto, em Vizela, vivia-se o “reverso da medalha”, relata o vespertino.

    “Regressados da capital (onde agrediram um deputado do PSD), os vizelenses montaram uma forca no largo principal e deram um grito simbólico de independência, hasteando uma bandeira… inglesa”, lê-se na edição do Popular que agora completa 30 anos.

    O debate parlamentar sobre Vizela é descrito pelo jornal como “o teatro do absurdo”, para dizer que nem defensores, nem opositores deixaram mais clara esta questão.

    O Diário de Notícias noticiou o caso, mas sem resultados, uma vez que – como explica – à hora de fecho da edição ainda não se tinha realizado a votação, já que “a sessão da noite” se iniciou depois das 22:00 e o debate se prolongou “pela madrugada”.

  • 15 Mai 1986

    Guimarães em estado de sítio

    Por: Ana Mendes HenriquesHabitantes de Vizela concentram-se em frente à Assembleia da República em Lisboa. Foto Manuel de MouraHabitantes de Vizela concentram-se em frente à Assembleia da República em Lisboa. Foto Manuel de Moura

    “Ninguém pode entrar ou sair de Guimarães depois da manifestação de ontem à noite, as ruas estão barricadas com carros do lixo, os cidadãos organizam piquetes, o comércio está a fechar, as repartições públicas também”.

    Assim noticia o Diário Popular a situação que se vive em torno do chamado “Caso Vizela”, no dia em que o parlamento discute se a localidade do concelho de Guimarães será ou não concelho.

    “Os vimaranenses, através do presidente da câmara, já avisaram os deputados: se Vizela passar a concelho, a desordem que reinará nas ruas, depressa chegará a S. Bento”, prossegue o repórter do vespertino.

    Enquanto isto, os habitantes de Vizela concentram-se em frente à Assembleia da República. Em Guimarães, erguem-se barricadas.

    “A área urbana de Guimarães está completamente paralisada e ninguém lá pode entrar porque há barricadas nos acessos, feitas com carros de recolha do lixo, aos quais foram esvaziados os pneus”, conta o jornalista Jorge Ferreira.

    No texto, é também descrita a existência de piquetes de cidadãos a percorrer as repartições públicas que “insistem em funcionar”, aconselhando o encerramento.

    Parte do comércio tem as portas abertas, mas os estabelecimentos vão fechando a pouco e pouco. “O ambiente é de grande tensão”.

  • 15 Mai 1986

    “Invasão” de vizelenses causa sessão “turbulenta” na Assembleia da República  

    Por: Joana CarneiroA elevação de Vizela a concelho acabaria por acontecer em 1998 . Foto Francisco NevesA elevação de Vizela a concelho acabaria por acontecer em 1998 . Foto Francisco Neves

    A 15 de maio de 1986, as gentes de Vizela “invadiram” Lisboa com a esperança de verem a vila elevada a concelho e acabaram por ser protagonistas daquela que foi uma das mais “turbulentas” sessões da Assembleia da República.

    A pretensão de Vizela, que à data pertencia ao concelho de Guimarães e só viu reconhecida a “independência” em 1999, havia já sido chumbada no plenário de 18 de janeiro de 1983 pelo PSD e CDS (com 113 votos contra e 102 votos do PS, PCP, e Partido Popular Monárquico), dando origem a “escaramuças” nas galerias da sala de plenário e até à agressão de deputados, segundo relata a edição de 15 de Maio do Diário de Lisboa de 1986.

    Ver Reportagem
  • 14 Mai 1986

    Diagnóstico revelou leucemia em 299 vítimas de Chernobyl

    Por: Ana Mendes Henriques

    Gorbachev quebra finalmente o silêncio para se dirigir ao povo soviético com uma declaração de 25 minutos sobre o desastre nuclear de Chernobyl, quando são diagnosticadas 229 pessoas com leucemia.

    “Uma tragédia abateu-se sobre nós e ainda não é hora de descansar”, declara o líder soviético numa comunicação televisiva.

    É nesse momento que revela o diagnóstico das 229 pessoas hospitalizadas em consequência do acidente, portadoras de diferentes níveis de leucemia.

    Garante, no entanto, que graças às “medidas eficazes” tomadas, o pior já teria passado.

    “As consequências mais graves foram evitadas. Claro que o fim ainda não chegou e ainda não é hora de descansar”, declara.

    O Chefe de Estado soviético anuncia também, na ocasião, segundo o Diário de Notícias daquela data, que a União Soviética decidira prolongar a moratória unilateral sobre os ensaios nucleares, até 06 de agosto, data do 40.º aniversário da explosão da bomba de Hiroshima.

    Convida ainda o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, para um encontro “sem demoras” na capital de qualquer país europeu que se prontifique a recebê-los ou, por exemplo, em Hiroshima, para debater “uma proibição permanente”.

    Gorbachev manifesta-se convicto de que o acidente nuclear de Chernobyl mostrara de novo “o abismo que se abrirá no caso de uma guerra nuclear se abater sobre a Humanidade”.

  • 13 Mai 1986

    Estaleiros navais abrem falência

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Inácio RosaFoto Inácio Rosa

    Em Portugal agudiza-se a crise na construção naval e em Chernobyl continuam a morrer pessoas em consequência da tragédia nuclear, o que leva a Comunidade Económica Europeia (CEE) a suspender as importações de produtos frescos do leste europeu.

    O Diário de Notícias de 13 de maio de 1986 noticia que os trabalhadores da Parry and Son se reúnem em plenário para apreciar a decisão de requerer a falência da empresa, aprovada em assembleia geral de acionistas.

    “Não se pode atirar assim para a rua centenas de trabalhadores, ainda por cima a dever-lhes 15 meses de salário”, denunciava um elemento da Comissão de Trabalhadores, António Germano.

    O plenário “irá tomar medidas, se calhar, drásticas”, lê-se na antiga edição do DN.

    Os acionistas (IPE- Investimentos e Participações do Estado e a Lisnave) decidiram declarar falência dois anos depois de o governo ter “inviabilizado uma proposta” no sentido da integração da empresa no processo de viabilização da Lisnave, que manifestara disponibilidade para absorver a Parry and Son.

    O jornal noticiava também neste dia a morte de mais seis pessoas em consequência das queimaduras sofridas na explosão de um reator nuclear em Chernobyl, na Ucrânia.

    As notícias vindas do leste europeu levam então a Comunidade Económica Europeia a suspender a importação de alimentos frescos de países como a Bulgária, a Hungria, Polónia, Roménia, Checoslováquia, União Soviética e Jugoslávia.

  • 12 Mai 1986

    Portugal estuda central nuclear

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    Ainda no rescaldo do desastre de Chernobyl, Cavaco Silva anuncia, em Londres, a intenção de instalar uma central nuclear em Portugal.

    A revelação é feita pelo então primeiro-ministro aos microfones da BBC, durante uma deslocação à capital britânica para as comemorações dos 600 anos do Tratado de Windsor, e replicada nos jornais portugueses.

    “Portugal está a estudar a possibilidade de possuir, no futuro próximo, uma central nuclear, anunciou ontem, em Londres, o primeiro-ministro, Cavaco Silva”, relata a edição de 12 de maio de 1986 do Correio da Manhã.

    Entrevistado no programa “It´s Our World”, o chefe do governo português diz que no estudo serão tomadas em conta todas as questões técnicas, incluindo o sucedido em Chernobyl (norte da Ucrânia), onde continuavam a surgir vítimas da explosão numa central nuclear.

    Na mesma entrevista, Cavaco aborda a questão de Timor para manifestar esperança de “num futuro próximo” ser dado ao povo timorense o direito de se expressar livremente sobre a autodeterminação ou a integração na Indonésia, o que só acontecerá em finais dos anos 90, quando os timorenses votam esmagadoramente pela independência.

    Macau, à data território português, é outro ponto sensível abordado na entrevista, com Cavaco a anunciar conversações “ em breve”sobre o futuro do território com as autoridades chinesas.

  • 11 Mai 1986

    Já temos museu computorizado

    Por: Ana Mendes Henriques

    O Museu da Cruz Vermelha torna-se o primeiro dotado de computador em Portugal, “numa iniciativa única no país”, conforme reporta o Correio da Manhã de 11 de maio de 1986.

    O computador, instalado à porta do museu, foi inaugurado em dia de comemorações, por ocasião do 123.º aniversário da Cruz Vermelha Internacional.

    “Por meio deste sistema, todos os objectos estão numerados e classificados quanto à característica e origem”, lê-se na edição de há 30 anos, conservada na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

    As celebrações foram presididas por Mário Soares, enquanto Chefe de Estado, servindo também para entregar condecorações e diplomas a enfermeiras.

    O trabalho é ilustrado com fotografias de algumas das peças expostas naquele espaço, entre as quais a maca rodada que transportou Sidónio Pais.

    Construída em 1898, “importou em 300 mil reis (300$00)” e destinava-se ao transporte se todas as classes sociais.

    Nesse mesmo dia, era notícia no Diário Popular o casamento do escritor argentino Jorge Luís Borges, aos 87 anos, com a secretária, Maria Kodama.

    O diário dá a notícia através da agência Anop e publica uma foto do casal quando passou por Lisboa, em 1984.

  • 10 Mai 1986

    Eurico de Melo reconhece abusos da PSP denunciados pelo Provedor de Justiça

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    O Expresso revela um despacho do ministro da Administração Interna, Eurico de Melo, em que este reconhece “a gravidade dos factos” recentemente denunciados pelo Provedor de Justiça sobre abusos policiais.

    Porém, o governante defende que estes não refletem a atitude, nem o comportamento que em regra é assumido pelos agentes da Polícia de Segurança Pública.

    Não é referido o contexto em que surgem estas denúncias, mas ocorrem depois de fortes manifestações de trabalhadores, nomeadamente na Marinha Grande.

    O despacho, a que o Expresso teve acesso, começa por mandar remeter ao Comando Geral da PSP uma cópia do relatório “com vista à rigorosa consideração dos factos”.

    Sugerem-se, em seguida, “ações de formação, aperfeiçoamento e reciclagem” dos agentes, aconselhando que se lhes “ministrem conhecimentos” no que se refere à possibilidade de detenções e às situações em que se pode exigir a identificação a um cidadão”.

    O despacho estabelece também que deve ser “dedicada especial atenção” ao esclarecimento e delimitação das situações em que o recurso a meios de coação justifica os atos praticados.

    O documento contém ainda uma ordem para se ensine aos agentes “as circunstâncias em que podem fazer uso das armas”.

    Quanto ao resto, escreve o Expresso, “tudo indica que a reação à denúncia das graves arbitrariedades policiais deverá ficar por aqui”.

  • 09 Mai 1986

    Acordo no parlamento para escolaridade obrigatória de nove anos

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Há precisamente 30 anos, todos os partidos com assento parlamentar concordavam em aumentar a escolaridade obrigatória de seis para nove anos.

    As diversas forças políticas formalizavam a intenção através de projetos de lei de bases do sistema educativo.

    A Comissão de Educação, Ciência e Cultura admitia como bons os projetos do PSD, do PS, do PRD, do PCP e do MDP, considerando-os “uma boa base de trabalho” e sugerindo que todos os textos fossem votados favoravelmente na generalidade para regressarem à especialidade e se elaborar “um texto síntese”.

    De acordo com o Diário de Notícias da época, todos os partidos estavam de acordo também sobre a necessidade de serem adotadas medidas de ação social para que o novo ensino obrigatório fosse cumprido por todos os jovens.

    Outro ponto comum aos projetos das diferentes bancadas parlamentares, era a existência de duas vias de ensino após a escolaridade obrigatória, uma profissional e outra académica.

    Na altura, o PSD, o PS e o PRD (Partido Renovador Democrático) concordavam com a manutenção do 12.º ano, enquanto o PCP pretendia extingui-lo e o MDP (Movimento Democrático Português) pretendia integra-lo no ano zero das universidades.

  • 08 Mai 1986

    Minas da Panasqueira propõe 500 despedimentos

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto João RelvasFoto João Relvas

    A multinacional concessionária das Minas da Panasqueira, na Beira Baixa, apresentou aos trabalhadores uma proposta de Acordo de Empresa que implicava a redução de 38 por cento dos efetivos, ou seja, 523 mineiros.

    O documento, noticiado pelo Diário de Lisboa a 08 de maio de 1986, fora entregue no início do mês.

    Seguiu-se um plenário que rejeitou a intenção da administração e no qual ficou decidido que os mineiros só aceitariam discutir tal proposta se fosse afastada a hipótese de despedimentos.

    No mesmo dia, era notícia o funeral da atriz Laura Alves, no qual se fizeram representar o Presidente da República, Mário Soares, e o governo de Cavaco Silva.

    O Diário de Notícias descreve o acontecimento como “impressionante”, referindo-se a Laura Alves como uma atriz “justamente considerada uma das maiores figuras da cena portuguesa dos últimos 50 anos”.

    São descritos os pormenores da missa de corpo presente e o ambiente de ovação no Largo da Estrela, seguido da despedida no cemitério dos Prazeres, em Lisboa, com “centenas de lenços brancos”.

  • 07 Mai 1986

    Vidreiros ocupam bancos

    Por: Ana Mendes HenriquesTrabalhadores da fábrica vidreira Ivima ocupam a estação de caminhos-de-ferro da Marinha GrandeTrabalhadores da fábrica vidreira Ivima ocupam a estação de caminhos-de-ferro da Marinha Grande

    Os vidreiros da Marinha Grande ocuparam várias agências bancárias, no âmbito de uma jornada de protesto contra a decisão do governo de cortar financiamento ao setor.

    Segundo o Diário de Lisboa de 07 de maio de 1986, só na Marinha Grande e em Sines havia 4.000 postos de trabalho ameaçados.

    “A Petroquímica de Sines, uma das principais indústrias nacionais, e a cristalaria da Marinha Grande, composta por cinco empresas, foram de uma assentada postas em causa pelo governo, que anunciou pretender extinguir a primeira, vendendo o equipamento para a sucata, e cortar financiamento à segunda”, escrevia o vespertino há 30 anos.

    No dia seguinte, o Diário de Notícias dá também a notícia, acrescentando que durante a madrugada se deslocaram para a vila diversos contingentes da GNR e da PSP, sem que desta vez se registassem incidentes.

    A iniciativa dos operários levou ao encerramento, durante todo o dia, dos balcões do Banco Português do Atlântico, da Caixa Geral de Depósitos, do Banco Espírito Santo e do Banco Nacional Ultramarino.

    Os vidreiros pretenderam, desta forma, chamar a atenção para a situação das cinco unidades fabris visadas pelo governo e que, segundo fonte sindical citada pelo DN, se traduzia no risco de desemprego para 2.500 trabalhadores.

    Os operários cortaram também a circulação na estrada que liga a Marinha Grande a Leiria, uma ação que culminaria pelas 18:30 com a intervenção da PSP.

  • 06 Mai 1986

    Admitem-se 24 mortos na tragédia da Póvoa

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    O choque frontal de dois comboios na Póvoa de Santa Iria, com dezenas de vítimas mortais e cerca de 80 feridos, enche as páginas dos jornais a 06 de maio de 1986.

    Era o segundo desastre o género em oito meses, após a tragédia de Alcafache.

    No dia seguinte ao acidente, o Diário de Notícias admitia a morte de 24 pessoas, relatando que ao início da madrugada estavam identificados 15 corpos.

    Prometiam-se conclusões provisórias sobre as causas do acidente em 48 horas, enquanto a lista de feridos contava com 82 pessoas, oito das quais em estado grave.

    As fotos que ilustram o caso mostram carruagens destruídas e o socorro às vítimas. Nas legendas lê-se que a tragédia aconteceu em poucos segundos:

    “Da amálgama de destroços, os bombeiros retiraram mais de cem pessoas entre mortos e feridos, perante a curiosidade e a consternação de centenas de populares que acorreram à estação da Póvoa de Santa Iria”, lê-se na edição do DN de há 30 anos, disponível na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

    O comboio rápido da Beira Baixa colidiu, a 110 quilómetros à hora, com um transvia que manobrava a linha naquela localidade.

    O maquinista saiu ileso e apontou uma falha técnica, enquanto testemunhas recordavam “um estrondo tremendo” que abalou a Póvoa no momento da colisão, à hora de almoço.

    Mário Soares deslocou-se ao local enquanto Presidente da República, manifestando-se “fortemente impressionado com a tragédia”.

    O Correio da Manhã citava Mário Soares e Cavaco Silva, primeiro-ministro, para dizer “O país está de luto”.

  • 05 Mai 1986

    Jóias da Coroa Portuguesa expostas 76 anos depois

    Por: Ana Mendes HenriquesFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    A 05 de maio de 1986, as joias da coroa portuguesa eram expostas ao público pela primeira vez desde 1910, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

    A coroa e o cetro de Dom João VI, lado a lado com uma gargantilha e um par de botões de Dona Carlota Joaquina foram algumas das preciosidades expostas, 76 anos depois da instauração da República em Portugal.

    A edição do Diário de Notícias nesse dia descreve os objetos e materiais, referindo que os portugueses vão poder apreciar “as admiráveis joias da coroa”, executadas com ouro e pedras preciosas do Brasil e usadas pelos monarcas.

    A exposição, patente até 04 de junho, foi inaugurada pelos presidentes de Portugal, Mário Soares, e do Brasil, José Sarney, que se encontrava em Lisboa em visita de Estado.

    O Diário de Lisboa destacava o encontro entre os dois chefes de Estado como uma oportunidade para se realizar “finalmente o diálogo em democracia”.

    O Brasil iniciara dois anos antes o processo de transição para um regime democrático, após 20 anos de ditadura.

  • 04 Mai 1986

    Vitória da canção belga no Eurofestival de Bergen

    Por: Ana Mendes HenriquesDora a representante portuguesa no Eurofestival. Foto Acácio FrancoDora a representante portuguesa no Eurofestival. Foto Acácio Franco

    A canção da Bélgica vencia o Eurofestival, em Bergen, onde a portuguesa Dora se ficava pelo 14.º lugar, mas merecia a simpatia da imprensa nacional.

    Dora foi “uma presença agradável pela maneira como cantou”, escrevia o Diário de Notícias, referindo de seguida que a belga Sandra Kim deu “uma força muito especial” à canção que interpretou: “J´aime la Vie” (vencedora do festival).

    “Com uma composição que pode ser considerada um grito de amor à vida, e de alegria, a Bélgica venceu ontem o 31.º Festival da Canção da Eurovisão, realizado na cidade norueguesa de Bergen”, lê-se na edição do DN de 04 de maio de 1986.

    O diário português considerava, então, que Dora ficou “um tanto prejudicada pelo vestuário inspirado num certo regionalismo nazareno, que não resultou”.

  • 03 Mai 1986

    Americanos afirmam financiar UGT e CDS

    Por: Ana Mendes Henriques

    O financiamento norte-americano a organizações conservadoras ou em oposição ao PCP, num caso que envolvia a UGT e o CDS, vem a lume em Portugal através do semanário Expresso.

    O jornal revela que, segundo documentos consultados em Washington, a Administração Reagan terá canalizado para Portugal quase um milhão de dólares (cerca 150.000 contos à época), com o objetivo de apoiar “organizações conservadoras ou em oposição ao PCP”.

    As verbas terão sido distribuídas através de um Fundo Nacional para a Democracia (N.E.D, na sigla em inglês), estabelecido em 1983 pelo Congresso americano.

    Entre os beneficiários contava-se a União Geral de Trabalhadores (UGT), afirmava o Expresso, fazendo referência a um caso já noticiado pelo jornal francês “Libération” em novembro, no âmbito dos apoios financeiros de Washington a organizações sindicais de outros países.

    Estamos em 3 de maio de 1986 e o semanário luso revela igualmente que beneficiaram dessas verbas o CDS e uma organização próxima do partido, a Associação para a Cooperação e Desenvolvimento Social (ACDS).

    A “ajuda monetária”, como lhe chama o jornal, foi confirmada pelo secretário-geral da UGT, Torres Couto, mas os valores em causa não.

    A informação foi também confirmada por um dos responsáveis da ACDS, Gomes de Pinho, mas desmentida por diversas fontes centristas no que ao CDS dizia respeito.

  • 02 Mai 1986

    Um milhar de prisões no Chile

    Por: Ana Mendes HenriquesAugusto PinochetAugusto Pinochet

    O Diário Popular registava há 30 anos as comemorações do 1.º de maio com telexes das agências antecessoras da Lusa, noticiando detenções no Chile, tanques nas ruas de Varsóvia, e uma greve de trabalhadores negros na África do Sul.

    Em Portugal, as duas centrais sindicais assinalavam a efeméride em campos opostos: a CGTP na Alameda e a UGT no Parque Eduardo VII.

    Enquanto a CGTP, então liderada por Armando Teixeira da Silva, lutava pelas 40 horas semanais de trabalho, a UGT, de Torres Couto, elogiava o parlamento e criticava o governo.

    “Uma festa que não pôde ser comemorada nem no Chile, nem na Polónia, onde o 1.º de Maio foi, respetivamente, assinalado por mortes e prisões e tanques nas ruas”, lê-se na edição de 2 de maio de 1986 consultada pela agência Lusa na Hemeroteca Municipal de Lisboa.

    No Chile de Pinochet, as “comemorações” saldaram-se por seis mortos e quase mil pessoas presas e na Polónia “foi precisa coragem para celebrar o 1.º de Maio”, escreve o jornalista Paulo David, ao noticiar o desfile de carros de combate pelas ruas de Varsóvia em missão de patrulhamento.

    Prossegue o relato dando conta de uma greve de grandes proporções na África do Sul, desencadeada por trabalhadores negros, numa época em que ainda vigorava o regime de segregação racial.

    No Japão, o dia foi assinalado com “uma jornada sindical” em que terão participado quatro milhões de pessoas.

    “Foi o que soubemos e no qual se inclui informações da NP e da Anop”, rematava o redator do Diário Popular.

  • 01 Mai 1986

    Desastre nuclear em Chernobyl pode ter atingido outro reator

    Por: Ana Mendes Henriques

    A 1 de maio de 1986 comemorava-se o centenário do Dia do Trabalhador, mas o recente desastre nuclear de Chernobyl impunha-se na imprensa portuguesa, com o Diário de Notícias a avançar que teria sido atingido mais um reator.

    Técnicos norte-americanos tentaram reconstruir graficamente as causas do acidente que provocou a libertação de radiações, apontando falhas no sistema de manutenção e de arrefecimento, e é desta forma que o DN ilustra a notícia.

    “O desastre nuclear na central soviética parece ter atingido um segundo reator”, segundo revelaram ontem fontes norte-americanas dos serviços de informação, baseadas em imagens recolhidas por satélites, que detectaram um novo foco de calor, aparentemente resultante do incêndio”, lê-se na primeira página do jornal.

    Enquanto o governo soviético desmentia notícias publicadas no ocidente sobre um dos mais trágicos acidentes da história recente, o número de vítimas aumentava a cada dia.

    A 1 de maio de 1986, os dados oficiais do regime soviético apontavam para duas mortes e 197 pessoas internadas, 49 das quais teriam recebido alta após exame médico.

    No entanto, uma fonte soviética citada por estudantes franceses que tinham estado em Kiev falava de 500 mortes na catástrofe. Ainda hoje se desconhece ao certo o número de vítimas, dada a perpetuação de doenças como o cancro nas populações expostas aos agentes nocivos.

    O acidente, ocorrido a 26 abril, repercutiu-se nas bolsas de valores internacionais. Em Nova Iorque, por exemplo, baixou a cotação das ações das empresas ligadas a centrais nucleares, enquanto em Chicago subiram as cotações dos cereais, na expectativa de que a então URSS aumentasse as importações deste bem alimentar.

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