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Março 1986
  • 30 Mar 1986

    Escudo volta a deslizar

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    A moeda portuguesa, o escudo, vai voltar a ser alvo da “desvalorização deslizante”, que estava suspensa desde 26 de setembro deste ano.

    A medida foi anunciada como de “proteção à competitividade dos produtos portugueses nos mercados externos”.

    Assim, a partir de 01 de abril, o escudo passa a desvalorizar em relação ao dólar norte-americano, ao ritmo de 0,9 por cento por mês.

    Até à interrupção, que surgiu após a tomada de posse do governo de Cavaco Silva, o escudo desvalorizava um por cento por mês.

    A desvalorização deslizante foi introduzida m 1977, no governo liderado por Mário Soares, pelo então ministro das Finanças, Medina Carreira.

  • 29 Mar 1986

    Portugal não discute Timor-Leste na ONU

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto António CotrimFoto António Cotrim

    O governo português admitiu não haver interesse em pressionar a Indonésia nos fóruns internacionais, uma vez que mantém aberto o diálogo com Jacarta sobre a sua antiga colónia, noticiou o semanário Expresso.

    “Ninguém estaria interessado em levantar o problema nas Nações Unidas numa altura em que os contactos prosseguem”, disse ao Expresso o diplomata português Duarte Costa, da missão portuguesa na ONU, em Nova Iorque.

  • 28 Mar 1986

    Senado dos EUA aprova ajuda a “contras” da Nicarágua

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    Por uma margem mais estreita do que a prevista, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma ajuda de cem milhões de dólares aos “contras” que combatem o regime sandinista na Nicarágua. O apoio foi votado favoravelmente por 53 senadores mas teve 47 votos contra.

    “Nada de bom pode sair do Congresso norte-americano. Temos que nos preparar”, reagiu um dirigente sandinista, na estação de rádio oficial Voz da Nicarágua.

    A aprovação “à tangente” da ajuda aos rebeldes foi comentada pelo senador James Sasser, um dos principais críticos da administração Reagan.

    “Não se pode considerar uma vitória para a política da administração neste organismo que o seu partido controla”, considerou o senador democrata do Tenessee.

  • 27 Mar 1986

    Falta mão-de-obra na agricultura

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Paulo CunhaFoto Paulo Cunha

    Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam “uma escassez acentuada” de trabalhadores no setor da agricultura, segundo noticia o diário Correio da Manhã.

    “Esta tendência já se vem revelando há longo tempo”, considera o jornal, que afirma que a escassez afeta sobretudo a mão-de-obra agrícola especializada.

    Mesmo assim, o país apresenta na Europa um dos maiores índices de população rural, o que é explicado pela baixa presença da agricultura mecanizada.

  • 26 Mar 1986

    Jaime Gama anuncia candidatura à liderança do PS

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Jaime Gama disse estarem reunidas as condições para avançar como candidato ao cargo de secretário-geral do PS, no congresso do partido, marcado para junho.

    Gama é o segundo socialista a expressar a intenção de liderar o partido, depois de Vítor Constâncio, Governador Banco de Portugal, ter anunciado a sua vontade em substituir Mário Soares, que foi este mês empossado no cargo de Presidente da República.

    Jaime Gama propõe-se “modernizar profundamente o PS através de um diálogo ativo com a esquerda democrática”.

  • 25 Mar 1986

    Mota Amaral desmente contestação interna a Cavaco

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Guilherme VenâncioFoto Guilherme Venâncio

    O presidente do Governo Regional dos Açores, João Mota Amaral, negou a existência de oposição interna ao líder do PSD e primeiro-ministro, Cavaco Silva.

    “Todo o PSD está de acordo em apoiar Cavaco Silva, disse o dirigente açoriano, para quem o primeiro-ministro “tem uma liderança incontestada”.

    Mota Amaral anunciou que vai apresentar uma moção de apoio a Cavaco Silva no próximo congresso do partido a qual será elaborada em conjunto com o seu correligionário madeirense, Alberto João Jardim.

  • 24 Mar 1986

    Adriano Moreira adianta-se na corrida à liderança do CDS

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    O antigo ministro do Estado Novo, e atual dirigente do CDS, elegeu 46 dos 47 delegados da quota do CDS/Lisboa ao congresso do partido, marcado para junho, enquanto o seu principal adversário, Morais leitão, apenas se elegeu a si próprio para aquela reunião magna.

    Com estes resultados em Lisboa, de fora ficaram conhecidos militantes do CDS, que apoiam Morais Leitão, como Rui Pena, Azevedo Soares e Emídio Pinheiro, entre outros.

    Durante o mês de março, o CDS vai eleger 816 delegados ao congresso, aos quais se juntam 350 delegados por inerência, o que representa um aumento no número dos eleitos e uma diminuição nas inerências.

    As eleições de delegados decorrem durante o mês de março.

  • 23 Mar 1986

    Imprensa privada espanhola recebeu subsídios de dois milhões de contos

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    Os jornais diários privados espanhóis receberam em 1985 ajudas de mais de dois milhões de contos (cerca de 10 milhões de euros), em forma de subsídios de papel e de difusão.

    No total, cerca de 190 empresas jornalísticas beneficiaram destas ajudas. À data, e ao contrário de Portugal, já não circulavam jornais estatais em Espanha.

  • 22 Mar 1986

    Vítor Constâncio candidata-se a líder do PS

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Cristina FernandesFoto Cristina Fernandes

    O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, demitiu-se do cargo para se candidatar à liderança dos socialistas no congresso do PS, marcado para junho.

    O economista, que apelou ao espírito de unidade do partido, disse “ter projetos para o futuro de Portugal”.

    Segundo o semanário Expresso, a longa indecisão de Constâncio foi quebrada após uma série de encontros com Mário Soares, Torres Couto, António Guterres e António Barreto, entre outros.

    Com o anúncio de Constâncio, as atenções viram-se para Almeida Santos, apontado como seu provável rival na corrida à liderança socialista. Jaime Gama é outro nome que os jornais avançam como provável candidato.

  • 21 Mar 1986

    Orçamento do Estado aprovado no Parlamento

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    O Orçamento foi aprovado, por maioria, com os votos do PSD E CDS e a abstenção de PS e PRD. PCP e UDP votaram contra.

    O documento prevê uma taxa de inflação não superior a 12 por cento e dificulta os aumentos salariais de mais de 15 por cento.

    Os combustíveis, exceto a gasolina, vão baixar de preço.

    O fundador e militante número um do PSD Francisco Pinto Balsemão demitiu-se do cargo de presidente da mesa do Congresso do partido, em solidariedade com os dois sindicalistas recentemente expulsos do PSD.

    Rui Oliveira e Costa e José Veludo, dirigentes sindicais dos TSD, foram expulsos do PSD por terem apoiado a candidatura presidencial de Mário Soares, quando o seu partido apoiava a candidatura rival de Freitas do Amaral, que foi derrotada nas urnas.

    A decisão de Balsemão foi apoiada por outro histórico do PSD, João Bosco Mota Amaral. “Tem todo o meu respeito e compreensão”, disse o presidente do Governo regional dos Açores, ao Diário de Notícias.

  • 20 Mar 1986

    “Maratonista da bandeja” ameaça desistir por falta de apoios

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto José Manuel RibeiroFoto José Manuel Ribeiro

    Fardado a rigor e segurando uma bandeja com garrafa e copo, Alberto Ferreira, o “maratonista solitário da bandeja”, chegou à capital 15 dias e 460 quilómetros depois de ter partido de Melgaço.

    No entanto, Alberto Ferreira aproveitou a presença de jornalistas à sua passagem por Sacavém para se queixar da falta de apoios e ameaçou desistir quando chegar ao Algarve.

    ”Se não tiver apoio em Lagos, fico por aí”, disse o maratonista, de 39 anos, que considerou que, independentemente da decisão que venha a tomar, conseguiu os seus objetivos de “Promover o turismo hoteleiro”.

    Pereira, que anteriormente tinha efetuado a ligação de Braga a Lisboa, sempre fardado e de bandeja na mão, é empregado de mesa num hotel da capital.

  • 19 Mar 1986

    Dukla de Praga afasta Benfica da Taça das Taças

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Guilherme VenâncioFoto Guilherme Venâncio

    Mais de cem mil adeptos do Benfica assistiram frustrados à eliminação das sua equipa da Taça das Taças, pelos checos do Dukla de Praga, nos quartos de final da prova.

    “Esta derrota não é motivo para alarme porque ainda se mantêm boas perspetivas em duas provas”, disse o treinador do Benfica, o inglês John Mortimore.

    Os encarnados juntam-se ao Sporting, eliminado na véspera da mesma competição pelos alemães do Colónia.

  • 18 Mar 1986

    PSD expulsa sindicalistas que apoiaram Mário Soares

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    Rui Oliveira e Costa e José Veludo, dirigentes sindicais, foram expulsos do PSD por terem apoiado a candidatura presidencial de Mário Soares.

    A medida de expulsão dos dois dirigentes foi decidida pelo Conselho de Jurisdição do PSD, partido que formalmente tinha apoiado a candidatura rival de Freitas do Amaral.

    Os dois sindicalistas disseram ponderar um recurso da decisão para o Tribunal Constitucional, por “violação dos seus direitos constitucionais”.

    Dias depois, António Sande Lemos, que, com Pereira Leite, votou contra a expulsão dos dois sindicalistas, demitiu-se daquele órgão¸ de que era o elemento mais antigo.

  • 17 Mar 1986

    Direita alcança maioria absoluta em França

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    A UDF, uma coligação conservadora, obteve a maioria absoluta nas eleições legislativas francesas.

    A coligação liderada por Jacques Chirac, Giscard D’Estaing e Raymond Barre, obteve 299 lugares, dos 597 da Assembleia Nacional, o que lhe permite formar governo sem necessidade de apoio da Frente Nacional, de Jean Marie Le Pen, que alcançou 37 mandatos.

    Os socialistas, do Presidente François Miterrand, tornaram-se no maior partido francês, com 204 deputados, enquanto o PCF ficou-se pelos 42 deputados, na pior votação que os comunistas tiveram no pós-guerra.

  • 16 Mar 1986

    Suíços votam contra adesão à ONU

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    A maioria dos suíços votou contra a adesão do seu país à Organização das Nações Unidas, num referendo que reafirmou a neutralidade de um país que, desde há séculos, não integra nenhuma organização internacional.

    Mais de 75 por cento dos votantes manifestou-se contra a adesão à ONU, que tem vários organismos sediados naquele país.

  • 15 Mar 1986

    PS e PCP reatam relações ao fim de sete anos

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    Delegações do PS e do PCP reuniram-se oficialmente em Lisboa, durante mais de uma hora, pondo termo a sete anos de relações cortadas.

    O encontro, que decorreu na sede do PCP, surgiu dos convites feitos pelo PS aos demais partidos parlamentares, foi considerado por PS E PCP como o início de uma nova era de relacionamento entre ambos.

    Manuel Alegre e Álvaro Cunhal lideraram as delegações socialista e comunista, respetivamente, tendo o poeta socialista notado que o momento para o encontro era propício por se ter esgotado o ciclo eleitoral. Cunhal considerou que “alguma coisa está a mudar em Portugal” no sentido “do reforço da democracia”.

    Este encontro integrava-se numa série de audiências cruzadas entre partidos da oposição propostas pelo PS, na sequência das eleições presidenciais, em fevereiro deste ano, vencidas Por Mário Soares, que contou com o apoio decisivo, embora a contragosto, manifestado pelo PCP na segunda volta.

  • 14 Mar 1986

    Banca nacional empresta 9,5 milhões de dólares à URSS

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    Três bancos portugueses assumiram o empréstimo de 1,4 milhões de contos (9,5 milhões de dólares) à União Soviética, considerando ter-se tratado de “uma operação normal”.

    Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (BESCL), Banco Português do Atlântico (BPA) e Banco Borges e Irmão (BBI) participaram neste empréstimo internacional, que envolveu o banco soviético Vneshtorgbank, tido como “bom pagador” pela banca portuguesa.

    Citada pelo Diário de Notícias, uma fonte do BPA garantiu que a operação não envolveu a saída de divisas “utilizando-se fundos disponíveis em Londres”.

  • 13 Mar 1986

    Espanha vota pela permanência na NATO

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    A maioria dos espanhóis votou pela manutenção do país como membro da NATO. Os votos no “sim” ultrapassaram os 52 por cento.

    Este resultado abriu caminho à redução do número de soldados norte-americanos estacionados nas bases do seu país em Espanha, estimados em 12.600.

    O resultado foi considerado uma vitória do PSOE e do governo socialista de Felipe Gonzalez, que, quase solitariamente, fizeram campanha pela permanência na NATO.

  • 12 Mar 1986

    Soares e Cavaco reúnem-se pela primeira vez

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Guilherme VenâncioFoto Guilherme Venâncio

    Foi um “encontro de trabalho”, nas palavras de Cavaco Silva, a primeira reunião entre o líder do governo do PSD e o Presidente da República recém-empossado, Mário Soares.

    A reunião entre os dois líderes, que passará a ter periodicidade semanal, durou três horas mas não foi revelada a agenda do encontro.

    No entanto, Cavaco Silva adiantou que na mesa estiveram em análise questões de política externa e que foi debatida a constituição da delegação portuguesa às exéquias, do primeiro-ministro, Olof Palme, assassinado no início do mês, e que será liderada por Mário Soares.

    No teatro, os lisboetas podiam ver, nesta época, a peça “Bodas de Sangue”, de Garcia Lorca, pelo Teatro Ibérico, enquanto no cinema eram exibidos os filmes “Regresso ao Futuro” e “A Honra dos Padrinhos”.

  • 11 Mar 1986

    CEE alerta para gastos públicos

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    A Comunidade Económica Europeia (CEE), liderada por Jacques Delors, alertou o Governo português, liderado por Cavaco Silva, para a necessidade de controlar as despesas públicas, segundo revela o diário Correio da Manhã.

    De acordo com um relatório da Comissão Europeia, a taxa de inflação de 14% esperada para Portugal “é muito elevada”.

    O mesmo documento refere que o financiamento das empresas públicas disparou para 12% do PIB, num aumento “muito mais rápido do que o previsto”.

    A Comissão Europeia recorda que no futuro “os Orçamentos de Estado terão que se apresentar equilibrados, afastando os enormes défices que se vêm acumulando de ano para ano”.

    A Comissão Europeia destaca como positivo o “ajustamento que Portugal tem conhecido desde 1983, tendo em vista a sua integração na CEE”.

  • 10 Mar 1986

    Mudança de presidente na TAP

    Por: LUÍS ANDRADE SÁ

    João Lencastre é o novo presidente da transportadora aérea portuguesa, substituindo no cargo Gomes Mota, anuncia hoje o Correio da Manhã.

    O jornal adianta que esta nomeação é mais um passo na aproximação que se está a verificar entre o PSD e o CDS.

    O novo homem forte da TAP, um centrista, era um dos administradores do IPE – Instituto de Participações do Estado.

    Gomes Mota, desempenhava as funções de presidente da TAP, mas suspendeu-as para dirigir a campanha presidencial de Mário Soares, sendo apontado como futuro governador de Macau.

    O líder do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu a necessidade de existirem duas agências noticiosas em Portugal para evitar o “monopólio no setor”.

    “As agências alimentam os jornais e as rádios e, por isso, são importantes”, disse Jardim.

  • 09 Mar 1986

    Na “maior festa de sempre”, Soares tomou posse como Presidente

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto Guilherme VenâncioFoto Guilherme Venâncio

    Nos jornais o destaque vai para o “dia de festa em Lisboa” que acolheu a Presidência de Mário Soares.

    “Tudo farei no sentido da cooperação que nos permita desenvolver o país”, prometeu Soares, no discurso de tomada de posse, a que assistiram centenas de convidados nacionais e estrangeiros, bem como dirigentes políticos, com destaque para os europeus e africanos.

    Manuela Eanes, mulher do Presidente cessante, enviou um telegrama à nova primeira-dama, Maria Barroso, agradecendo-lhe o convite para assistir à tomada de posse de Mário Soares, a que no, entanto, não assistirá.

    “Impossibilitada de estar presente, agradeço penhorada o convite”, refere Manuela Eanes, que fez votos para que Maria Barroso “encontre na sua área de trabalho as motivações e os meios que lhe permitam sentir-se útil e realizada”.

  • 08 Mar 1986

    Todos à espera de Constâncio

    Por: LUÍS ANDRADE SÁFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    PD, PSD e PRD continuam suspensos da decisão que Vítor Constâncio tarda em tomar: Se é candidato à liderança dos socialistas ou se permanece como governador do Banco de Portugal.

    Segundo o semanário Expresso, só o eventual passo de Constâncio para liderar o PS permitirá aos restantes partidos iniciarem a definição da política de alianças e as novas estratégias políticas.

    Mas o próprio parece não ter pressa e rejeitou a qualificação de “indeciso” que lhe foi atribuída pelo semanário O Jornal.

    Numa carta enviada aquele semanário, Vítor Constâncio rejeitou o epíteto, mas manteve o suspense: “Não deixo de notar que se o PS tivesse verdadeiramente Pressa em resolver o problema, faria o Congresso daqui a quatro semanas e não daqui a quatro meses”, escreveu Constâncio.

  • 07 Mar 1986

    Lua-de–mel com Cavaco? “Salvo seja”, diz Eanes

    Por: Luís Andrade SáFoto Manuel de MouraFoto Manuel de Moura

    O Presidente cessante, António Ramalho Eanes, afastou a possibilidade de se recandidatar ao cargo nas presidenciais de 1991.

    Ressalvando que “em matéria de política nunca se deve ser definitivo, Eanes garantiu não estar interessado”, em declarações proferidas durante uma entrevista à RTP.

    Num balanço de final de mandato, Ramalho Eanes foi entrevistado na RTP por Margarida Marante e Miguel Sousa Tavares, ambos da estação pública. A dado momento, sobre as relações do Presidente com o primeiro-ministro Cavaco Silva, Sousa Tavares, ‘picou’ Eanes:

    -“ Mas vive numa lua-de-mel com Cavaco Silva quando as condições económicas e financeiras estão mais favoráveis”.

    Eanes responde-lhe: “Essa da lua-de-mel é demasiado forte”.

    Sousa Tavares retorque: “Salvo seja”.

    Eanes finaliza: Com salvo seja fica relativamente claro””.

  • 06 Mar 1986

    Acidente mata dois espetadores no Rali de Portugal

    Por: Luís Andrade Sá

    Um acidente com o Ford RS 200, de Joaquim Santos, causou a morte a duas pessoas e provocou 34 feridos, na passagem na zona da Lagoa Azul, em Sintra, noticiava a imprensa no dia a seguir ao acidente.

    Face à gravidade do desastre, os pilotos de fábrica decidiram abandonar a prova, “por considerarem indispensável a garantia de segurança nos espetadores”.

    Uma concentração anormal de espetadores levou o piloto português a perder o controlo do carro, irrompendo pela zona do público.

    “Apenas senti as pessoas a entrarem no carro por todo o lado”, disse Santos ao Diário de Notícias.

    Pouco antes do acidente, já dois pilotos, Salonen e Mário Silva, tinham alertado para o grande número de espetadores “que estavam onde não deviam estar”.

    Do acidente acabariam por resultar três mortes.

  • 05 Mar 1986

    O despiste na serra de Sintra que ajudou a mudar o mundial de ralis

    Por: Luís Filipe SebastiãoFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    O despiste do Ford RS200 de Joaquim Santos no troço da Lagoa Azul do Rally de Portugal, faz hoje 30 anos, provocou três mortos e três dezenas de feridos, contribuindo também para o fim dos “supercarros” nos ralis.

    “Não gosto de falar do meu acidente. Andei anos em que fazia tudo para não ver as imagens. Marcou-me muito”, confessou à agência Lusa o antigo piloto Joaquim Santos, de 63 anos.

    O piloto de ralis português despistou-se a 05 de março de 1986, ao volante do Ford RS200, na primeira classificativa do Rally de Portugal Vinho do Porto, na serra de Sintra.

    Ver Reportagem
  • 05 Mar 1986

    Parlamento abre hostilidades com governo de Cavaco Silva

    Por: Luís Andrade Sá

    A Assembleia da República rejeitou o decreto das carreiras médicas, no primeiro conflito aberto com o governo do PSD, chefiado por Aníbal Cavaco Silva.

    Apenas o PSD votou favoravelmente a proposta do governo e a sua rejeição levou a Ordem dos Médicos a desconvocar a greve que tinha marcado, mas que não era apoiada pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul.

    O “chumbo” da Assembleia da República, que contou com os votos das bancadas do PS, PCP, PRD e CDS, e dos deputados independentes Lopes Cardoso, Maria Santos e Ribeiro Teles, manteve em vigor artigos que tinham sido revogados por decreto do governo.

    Filetes de linguado com recheio de marisco e lombo de porco com cogumelos e legumes foram servidos num inédito almoço que juntou em São Bento todos os membros do governo chefiado por Cavaco Silva e o Presidente cessante, Ramalho Eanes.

    O repasto foi acompanhado por Bucelas Velho (branco) e Quinta da Bacalhoa (tinto), mas no final ninguém proferiu declarações.

  • 04 Mar 1986

    Música portuguesa e animação popular na posse de Mário Soares

    Por: Luís Andrade Sá

    Conhecidos músicos e bandas portuguesas, como Rui Veloso, Pedro Barroso, UHF, Heróis do Mar e Xutos e Pontapés, vão participar nos festejos associados à investidura do novo Presidente da República, Mário Soares, no dia 09 de março.

    O programa foi fechado por Soares e pelo presidente da Assembleia da República, Fernando Amaral, depois de ter sido submetido parecer ao presidente cessante, António Ramalho Eanes.

    Na tomada de posse está prevista a presença de mais de cem convidados, portugueses e estrangeiros, e estima-se que, ao longo do dia, o novo chefe de Estado tenha que dar mais de 1.800 apertos de mão.

    A tomada de posse será transmitida por dois ecrãs gigantes – em São Bento e no Rossio - em simultâneo com atuações, nas ruas da cidade de bandas de música popular e desfiles de zés pereiras.

  • 03 Mar 1986

    Empresas públicas acumulam prejuízo de 54 milhões de contos

    Por: Luís Andrade Sá

    Um conjunto de 52 empresas públicas acumulava prejuízos de 54 milhões de contos (cerca de 270 milhões de euros, ao câmbio atual).

    As contas foram feitas num relatório do setor enviado pelo governo à Assembleia da República, no âmbito do debate do Orçamento de Estado para 1986.

    Deste conjunto, apenas cinco empresas – CNP, Petrogal, Quimigal, Setenave e Siderurgia Nacional, tiveram, em 1985, um total de prejuízos de 86 milhões de contos cerca de 430 milhões de euros).

    “Os prejuízos acumulados pelas mesmas empresas entre 1979 e 1984 ascenderam a mais de 151 milhões de contos” cerca de 755 milhões de euros), notava o Diário de Notícias.

  • 02 Mar 1986

    Figueiredo Lopes não resiste a processo

    Por: Luís Andrade Sá

    O secretário de Estado Adjunto do ministro da Defesa Nacional, Jorge Figueiredo Lopes, apresentou a sua demissão, que foi aceite pelo primeiro-ministro, Cavaco Silva. O pedido de exoneração surgiu na sequência de uma decisão judicial de abrir a instrução contraditória num processo em que era acusado.

    O governante era suspeito de conduta irregular de alteração de datas em despacho, no exercício de funções de governo, que desempenhou em 1980.

    Para o governante, o seu processo mais não era do que um “ato de desespero” e o resultado de um “longo e grave conflito entre grupos profissionais ou interesses particulares que agora entendem conferir à sua luta uma qualificação política”.

  • 01 Mar 1986

    Olof Palme morreu

    Por: Luís Andrade Sá

    O assassinato do primeiro-ministro sueco, Olof Palme, na véspera, enche a capa do Diário de Notícias, que reproduz telexes das agências, ainda com poucos pormenores, de um crime cometido no coração da capital da tranquila Suécia.

    O crime, que ainda hoje continua insolúvel e sem autoria conhecida, vitimou um dos mais respeitados e populares políticos europeus, um dirigente social-democrata, conhecido pelo seu empenho na defesa de causas, como a palestiniana e a denúncia do apartheid, na África do Sul. Quando foi atingido, Palm passeava à noite com a mulher, a pé e, como habitualmente, sem guarda-costas.

    Em Portugal, o Presidente cessante, Ramalho Eanes, continuava nas despedidas, mas ainda com tempo para receber o primeiro-ministro Cavaco Silva, que foi a Belém queixar-se da oposição, acusando-a de estar a “governamentalizar o parlamento”.

    Em São Bento, os partidos da oposição questionavam a proposta de concessão de canal de televisão à Igreja Católica e Cavaco dizia-se surpreendido com essa posição, “uma vez que, contrapôs, todos os partidos democráticos em campanha eleitoral defenderam a abertura da televisão à iniciativa privada e ainda recentemente o Presidente da República eleito (Mário Soares) também a defendeu”.

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