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Setembro 1986
  • 30 Set 1986

    EUA e Rússia libertam presos acusados de espionagem

    Por: Pedro FigueiredoFoto CRISTINA FERNANDESFoto CRISTINA FERNANDES

    Na imprensa de hoje era notícia a libertação definitiva por Moscovo do jornalista norte-americano Nicholas Daniloff, detido no início do mês em Moscovo pelo KGB, acusado de espionagem. Simultaneamente, Washington libertava Gennadi Zakharov, funcionário da missão soviética nas Nações Unidas, detido na posse de documentos confidenciais do governo norte-americano. “Esta troca de ´espiões´ desbloqueia, parcialmente, a cimeira Reagan-Gorbatchev, seriamente ameaçada desde a prisão do jornalista norte-americano”, escrevia o Diário de Lisboa.

    Em Portugal, a visita a Portugal do rei da Suécia era o grande destaque do dia, com o assunto a merecer ampla cobertura fotográfico nas páginas do Diário de Notícias. Na sua intervenção durante o banquete oficial oferecido a Carlos VXI Gustavo, Mário Soares aproveitou para recordar a situação em Timor-Leste, “onde se tem negado sistematicamente o direito à autodeterminação do povo maubere, perante a indiferença incompreensível de muitos Estados que deveriam estar na vanguarda da defesa dos direitos [do homem]”, relatava o DN.

    O clima de crispação na Saúde, prosseguia, desta vez com a Ordem dos Médicos a cortar relações com a ministra da tutela, Leonor Beleza. A OM, presidida por Gentil Martins, declinava “qualquer responsabilidade passada ou futura nos efeitos altamente negativos da orientação” seguida pelo governo, “objetivamente contrária aos mais elementares interesses dos doentes”.

  • 29 Set 1986

    Banco de Portugal vê luz ao fundo do túnel na economia portuguesa

    Por: Pedro Figueiredo

    “Luz ao fundo do túnel depois de penosa austeridade”. A manchete é do suplemento de economia do Diário de Notícias publicado na edição de segunda-feira do jornal, numa análise ao relatório anual do Banco de Portugal. “A economia portuguesa começou a ver a luz ao fundo do túnel, depois de dois anos de penosa austeridade, sendo os resultados obtidos a melhor resposta que o ex-ministro das Finanças Ernâni Lopes pode agora dar aos que o criticaram acerbamente nesse período”, escrevia o DN. Um governo de bloco central PS-PSD liderado por Mário Soares pediu em 1983, pela segunda vez desde abril de 1974, a intervenção do FMI, que emprestou ao país 750 milhões de dólares em troca de cortes nos salários da função pública, aumentos dos preços, redução do investimento público e cortes nos subsídios de Natal, entre outras medidas.

    Em Bruxelas, os ministros da Agricultura da CEE iniciam uma reunião de dois dias “para debater as alternativas de uma política agrícola comum, capaz de fazer frente ao problema dos excedentes”. “Todos estão conscientes de que, com o atual sistema, se estão a criar excedentes sem possibilidade de escoamento”, disse à chegada à capital belga o ministro da Agricultura português, Álvaro Barreto.

    No desporto era notícia a caminhada imparável do Belenenses, que era novamente líder do campeonato de futebol depois de impor ao Sporting em casa uma derrota por 2-0.

  • 28 Set 1986

    Governo quer antecipar pagamento da dívida externa

    Por: Pedro FigueiredoFoto LUíS VASCONCELOSFoto LUíS VASCONCELOS

    Num domingo de intensa atividade política, Cavaco Silva prosseguia o seu périplo pelo Alentejo sublinhando a intenção do governo de “pagar antecipadamente a dívida externa contraída no passado” e anunciando que até ao final de 1986 seriam destinados a esse fim 1500 milhões de dólares. “Não queremos um Estado caloteiro, mas um Estado de boas contas (…) Os trabalhos mais difíceis dos próximos meses serão contra os desperdícios dos dinheiros públicos (…) precisamos que todo o escudo seja bem gasto, numa luta contra os grupos de privilegiados a favor dos mais carenciados”, afirmou o chefe do governo, citado pelo Diário de Notícias.

    No encerramento das VII jornadas parlamentares do PS, o líder socialista, Vitor Constâncio, proclamava que “o governo faz muita propaganda, mas é escasso o seu mérito”. “Para o secretário-geral do PS, o executivo, embora tenha algum mérito, está sobretudo a beneficiar das conjunturas nacional e internacional”, escreve o DN, recuperando ainda as críticas de Vitor Constâncio ao governo minoritário do PSD – “é preciso reabilitar a noção de governo minoritário, que implica designadamente a necessidade de negociar, contrariamente àquilo que o gabinete liderado por Cavaco Silva tem vindo a fazer”, defendeu Constâncio.

    No Escoural, onde tinha ido evocar “a morte de dois trabalhadores da reforma agrária, Casquinha e Caravela, o líder comunista, Álvaro Cunhal, avisou que o PCP não esperaria que o governo “caia de podre”. “No dia em que os partidos democráticos decidam que o governo deve cair, o governo cairá e nem Santo António lhe poderá valer”, declarou.

  • 27 Set 1986

    Cavaco diz que agricultura será a prioridade do Orçamento para 1987

    Por: Pedro FigueiredoFoto LUÍS VASCONCELOSFoto LUÍS VASCONCELOS

    Em visita ao Alentejo, o primeiro-ministro, Cavaco Silva anunciava que a agricultura será a “prioridade da ação” do governo e que “as verbas destinadas para aquele setor no Orçamento de Estado de 1987 será superior em 77 por cento à do ano passado”, relata o Diário de Notícias. “O primeiro-ministro, que ontem [sexta-feira] e hoje visita a província alentejana, revelou ainda que a correção dos desequilíbrios económicos, o reforço da economia e da solidariedade social, bem como a língua, cultura e património portugueses são alguns dos nove pontos das Grandes Opções do Plano”, escreve o jornal. “Passados 12 anos sobre a revolução de abril, já era tempo de um governo pensar no futuro”, apontou Cavaco Silva. A propósito da passagem de Cavaco Silva pelo Alentejo, o Diário de Lisboa dava conta das “manifestações de hostilidade” com que o chefe do governo foi recebido em Évora “por parte de assalariados agrícolas”. “Em Évora estas manifestações assumiram maiores dimensões, tendo a PSP reprimido com violência os manifestantes que gritavam ´queremos trabalho e pão, Cavaco não”.

    No mundo era notícia a reativação da central nuclear de Chernobyl, “após cinco meses de encerramento em consequência do maior acidente atómico do mundo”. “O reator danificado foi isolado e o primeiro dos outros três vai ser agora ligado”, de acordo com o jornal soviético ´Pravda´, citado pelo DN.

    Em Assembleia Geral, Amado de Freitas foi eleito presidente da direção do Sporting, sucedendo a João Rocha, há 13 anos presidente do clube de Alvalade.

  • 26 Set 1986

    Governos da CEE decidem endurecer combate contra o terrorismo

    Por: Pedro FigueiredoFoto CRISTINA FERNANDESFoto CRISTINA FERNANDES

    Em Londres, os ministros do Interior dos países membros da CEE, entre os quais o português, Eurico de Melo, decidiam endurecer o combate ao terrorismo, sobretudo “face aos últimos acontecimentos em França”. “Os atentados em Paris, que causaram nove mortos e mais de 150 feridos, geraram uma onda de ansiedade na Europa sobre a capacidade de os grupos terroristas se moverem facilmente de país para país e poderem atacar, com toda a liberdade, cidades deste continente”, escrevia o DN. O Diário de Lisboa dava conta da decisão tomada pelos “12 ministros do Interior da Comunidade” de “exigir vistos de entrada mais rigorosos para os que não sejam oriundos do velho continente”. Na mesma reunião foi ainda decidido, como noticia o DN, “estabelecer uma nova rede telefónica direta entre as polícias respetivas”. “Os ministros da CEE mostraram-se convencidos de que, só com uma troca mais rápida e eficiente de informação entre os Estados-membros e a criação de novos esquemas para uma análise atualizada permanente das ameaças terroristas se tornará possível reprimir os responsáveis por tais atividades violentas”, escrevia o correspondente do DN em Londres Fernando Sousa.

    No mesmo dia, Mário Soares concluía ao 11º dia, em Lamego, a sua primeira presidência aberta. Na região de Entre Douro e Minho, o Presidente da República defendia a regionalização “como um dos grandes motores do desenvolvimento nos próximos anos”, embora ressalvando que a criação de regiões administrativas “é um problema delicado, pois suscita rivalidades” – “e certo tipo de rivalidades não é salutar num país como o nosso”, afirmou.

    Há 30 anos, um “grupo de portugueses” – entre os quais “João Soares do PS, Manuel Monteiro, presidente da Juventude Centrista” – dava conta em conferência de imprensa da sua participação no VI Congresso da UNITA, na Jamba, Angola. “O que vimos nessas áreas ocupadas pela UNITA é surpreendente e não há palavras para o descrever. Existe liberdade religiosa, hospitais, escolas, uma economia sem moeda, que funciona, uma arquitetura urbana original e uma sociedade aberta onde se pode ouvir o que as emissões radiofónicas internacionais dizem, incluindo a Rádio Nacional de Angola”, disse o dirigente socialista Duarte Teives. “O que ficou claro nesta visita é que Jonas Savimbi é um grande líder político contemporâneo na África de hoje, que apresenta em Angola uma experiência original de luta política e militar”, salientou, por seu turno, João Soares.

  • 25 Set 1986

    Constâncio desafia Cavaco Silva para debate televisivo

    Por: Pedro FigueiredoFoto CRISTINA FERNANDESFoto CRISTINA FERNANDES

    Na apresentação pública do “gabinete de porta-vozes do PS”, o líder socialista, Vitor Constâncio desafiava o então primeiro-ministro para um debate televisivo “sobre as grandes questões da política nacional” e deixou em aberto a possibilidade de os socialistas convergirem para “desencadear uma crise política mais cedo do que se previa”. “O líder do PS afirmou que tal posição será tomada ´se o governo persistir no abuso da sua situação de poder para distorcer certos mecanismos de funcionamento democrático. Considerou ´intolerável o clientelismo avassalador do PSD de norte a sul do país´ e particularmente ´o secretismo, o controlo e a manipulação da informação por parte do governo”, escrevia o DN. Na ocasião, Vitor Constâncio sublinhou a disponibilidade dos socialistas para “qualquer solução governativa”, “embora manifestando preferência por eleições antecipadas”.

    A economia era também notícia neste dia, com um relatório do Banco de Portugal a dar conta de um crescimento em 1985 de 3,3 por cento (acima dos três por cento previstos), “essencialmente devido ao aumento das exportações e a um crescimento reduzido da procura interna”. A inflação “desacelerou significativamente” para 19,3 por cento, “resultado mais favorável do que o inicialmente previsto” (22 por cento).

    Na sessão de abertura da 41ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o ministro português dos Negócios Estrangeiros reafirmava a intenção de Lisboa de “tudo fazer para a autodeterminação do povo de Timor. “Pires Miranda lançou novo apelo à comunidade internacional para que atente sobre a situação de Timor e reafirmou os propósitos de Portugal na defesa dos interesses do povo maubere”, podia ler-se.

  • 24 Set 1986

    Cavaco defende diálogo profícuo com os restantes órgãos de soberania

    Por: Pedro FigueiredoFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    Em destaque na primeira página do DN, uma foto a preto e branco de Mário Soares e Cavaco Silva, sorridentes, distendidos, longe ainda da crispação que viria a marcar a relação institucional entre dois dos protagonistas maiores da história política recente do país. Um chegara a Belém há apenas uns meses, o outro chefiava um instável governo minoritário que seria derrubado no ano seguinte, abrindo caminho às duas maiorias absolutas que viria a alcançar. Em Guimarães, na reunião semanal com o Presidente da República, realizada à margem presidência aberta que Soares realizava ao norte do país, Cavaco falava aos jornalistas para dar conta de “um encontro normal com o sr. Presidente da República”. “Em jeito de elogio a Mário Soares, Cavaco Silva ainda acrescentou, relacionado com o mesmo assunto: ´defendemos um diálogo profícuo com os órgãos de soberania. Tem sido possível entre o governo e o Presidente da República e gostávamos que fosse assim com a Assembleia da República”, disse Cavaco, comentando o diferendo que opunha o executivo e o Parlamento em torno do “Orçamento Suplementar do Estado para 1987”.

    Neste dia era também notícia o debate na subcomissão parlamentar de Comunicação Social da Assembleia da República, com a presença do secretário de Estado Marques Mendes, sobre a “implementação da nova agência noticiosa”. “Interrogado por José Magalhães (PCP) sobre a forma como o executivo pretende extinguir uma empresa pública (a Anop), Marques Mendes torneou a questão, garantindo apenas que o governo nada fará que desrespeite qualquer mecanismo legal”, podia ler-se no DN. Na reunião “resultou claro” que PRD, PCP e MDP “pretendem chamar ao Parlamento a decisão final sobre o assunto”.

  • 23 Set 1986

    Reagan disponível para reduzir armas defensivas na Europa

    Por: Pedro FigueiredoFoto LUÍS VASCONCELOSFoto LUÍS VASCONCELOS

    Há 30 anos era notícia a disponibilidade do então presidente norte-americano, Ronald Reagan, para assinar com as autoridades soviéticas um acordo, “adiando por sete anos a implementação do sistema de defesa de mísseis Guerra das Estrelas”. Numa intervenção perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Reagan “declarou-se pronto a assinar imediatamente um acordo sobre redução de armas estratégicas defensivas na Europa”. “O presidente norte-americano disse que tinha pensado numa redução de 50 por cento do arsenal, acrescentando: ´mas se os soviéticos quiserem uma redução menor, estamos dispostos a considerar o caso de maneira provisória”, podia ler-se no Diário de Notícias.

    De Nova Iorque surgiam outros sinais de desanuviamento internacional, com o então primeiro-ministro israelita, Shimon Peres, a abordar “os passos necessários para a normalização das relações” bilaterais com o chefe da diplomacia soviética, Eduard Shevardnaze – Moscovo tinha cortado relações diplomáticas com Israel na sequência da guerra do Médio Oriente de 1967.

    Em Lisboa, 88 “empresas desintervencionadas” (restituídas aos proprietários depois de terem sido nacionalizadas após a revolução de 25 de abril de 1974) pedem “medidas de fundo” para evitar a falência generalizada “até ao final do ano”. “A nomeação de uma comissão interministerial para proceder ao apuramento dos prejuízos provocados pelas intervenções estatais nas empresas entretanto desintervencionadas, o fim da contagem de juros e da exigibilidade dos créditos concedidos para liquidar situações criadas pelas mesmas intervenções e a formulação de uma ´conta-corrente entre o Estado e a banca´ são algumas das condições postas para a garantia de laboração”, escrevia o DN.

  • 22 Set 1986

    Ayrton Senna perde hipótese de ser campeão em Portugal

    Por: Pedro FigueiredoFoto LusaFoto Lusa

    “Deus não quis ser brasileiro”. O Diário de Lisboa (DL) titulava assim há 30 anos a oportunidade perdida pelos pilotos brasileiros Ayton Senna e Nelson Piquet de vencerem o Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1. “Na mesma pista onde venceu o primeiro grande prémio da sua carreira, o dia de ontem [domingo] foi dececionante para o brasileiro Ayrton Senna que ali enterrou todas as esperanças de ser campeão do mundo, frente a um Nigel Mansell em forma superior, servido por um carro extraordinário sob todos os pontos de vista. Colocado na grelha de partida atrás de Ayrton Senna, Mansell ultrapassou-o logo nos primeiros metros e comandou a corrida do princípio ao fim nunca deixando pôr em causa a sua posição”, relatou o DL.

    De Timor-Leste chega a denúncia de “elementos da comunidade timorense em Sidney”, ouvidos pela agência Anop, de que a Indonésia estaria a “adotar novas táticas repressivas numa tentativa de neutralizar os guerrilheiros da Fretilin e os seus simpatizantes”. “Membros da população de Timor-Leste estão a distribuir panfletos de propaganda da Fretilin que, de acordo com aquelas fontes, são da autoria dos serviços secretos e da polícia indonésia. Todos aqueles que aceitarem os panfletos são posteriormente denunciados e interrogados pelas forças indonésias”, escreve o DN. Esta ação “provocou já o desaparecimento de dezenas de pessoas nas últimas semanas em diversos pontos do território de Timor”.

    Fernando Nogueira, que enquanto ministro adjunto e para os Assuntos Parlamentares tutelava a comunicação social, garantia que a agência noticiosa Lusa “será um facto consumado a partir de 01 de janeiro de 1987”. Pelo PS, António Guterres defendia a necessidade de qualquer solução para as agências noticiosas salvaguardar “a existência de uma agência oficiosa cujo objetivo é o interesse do país”.

  • 21 Set 1986

    Soares prossegue primeira presidência aberta em Gondomar

    Por: Pedro Figueiredo

    Mário Soares prosseguia a sua primeira presidência aberta enquanto Presidente da República, apelando a um desenvolvimento mais rápido do país. “Estamos numa fase em que o período da democracia difícil foi ultrapassado e, hoje, somos um país moderno, que tem de procurar rapidamente desenvolver-se para colmatar os atrasos em relação às outras nações”, disse então Soares, durante uma sessão solene na Câmara Municipal de Gondomar. “No breve improviso que proferiu [Soares] abriu uma exceção e fez declarações de cariz mais político do que vem sendo habitual. Assim, o Presidente da República diria ser necessário manter um ´diálogo profundo´ entre todas as instituições num ´esforço conjugado´ para que as ´populações retirem daí rendimento pleno´”, relatava o DN.

    No Uruguai, responsáveis da CEE, Estados Unidos e “do grupo Cairns” (20 países, entre os quais a Austrália, a Indonésia e o Canadá) chegavam a acordo “sobre a questão agrícola, fundamental para a realização de um novo ´round´ comercial do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT)”, noticiava o DN. “O acordo definitivo, alcançado após 48 horas de acesa discussão, foi bem aceite pelos principais protagonistas (CEE, EUA e Austrália), com exceção da Argentina, que manifestou publicamente as suas reservas ao documento”. “Quanto à posição comunitária, o acordo evitou que fossem abandonados os subsídios agrícolas e que se fechassem as negociações num calendário rigoroso – duas importantes vitórias sobre a proposta conjunta da Suíça e Colômbia”, adiantava o DN.

  • 20 Set 1986

    Mansell pulverizou tempo de Senna no grande prémio de Portugal

    Por: Pedro Figueiredo

    No Autódromo do Estoril, após a sessão de treinos cronometrados, o Britânico Nigel Mansell completava o melhor tempo entre os 27 pilotos que no dia seguinte disputariam o Grande Prémio de Portugal em Fórmula 1, 14ª prova do campeonato do mundo da modalidade. “Mansell registou 1.19,047 e pulverizou o ´record´ de Ayrton Senna, estabelecido há um ano, com 1.21,007. O seu companheiro de equipa, Nelson Piquet, contribuiu também para marcar a supremacia dos Williams, com o segundo melhor tempo”, escrevia o Diário de Notícias.

    A guerra de palavras entre o PSD e a oposição conhecia novo episódio, com o PS a responder ao “nervosismo” dos sociais-democratas. “O PSD apenas veio confirmar aquilo que as sondagens já demonstravam. O PS faria melhor que o PSD. Vitor Constâncio faria melhor que Cavaco Silva”, declarou o porta-voz do PS, Arons de Carvalho. Também o CDS não gostou de ser qualificado pelos sociais-democratas como um partido “equivocado e confuso” e reagiu pela voz do seu secretário-geral, Fernando Seara: “Não deixa de ser surpreendente que o secretário-geral do PSD pretenda possuir informações, aliás falsas, sobre a vida interna do CDS e sobre elas se pronuncie publicamente. O comentário de Dias Loureiro era perfeitamente dispensável para quem pretende construir uma maioria política alternativa aos partidos socialistas e queira, para isso, manter relações corretas e dignas”, sublinhou Fernando Seara.

    Notícia do dia era também a aprovação pelo Conselho Geral da Anop dos estatutos “de uma nova agência de informação”, bem como “uma série de recomendações a enviar ao governo”. “Entretanto, o secretário de Estado da Comunicação Social, Marques Mendes, vai reunir-se terça-feira de manhã com a comissão parlamentar para o setor (…) para prestar esclarecimentos acerca da questão da criação da agência noticiosa Lusa”, podia ler-se no DN.

  • 19 Set 1986

    Diplomata francês assassinado em Beirute

    Por: Pedro Figueiredo

    O terrorismo na Europa continua a fazer manchetes em Portugal, com o Diário de Notícias (DN) a dar conta de que o adido militar francês “foi assassinado em Beirute” e que as autoridades francesas conseguiram identificar “os dois presumíveis autores dos atentados bombistas registados ultimamente em Paris”. “Enquanto isso, em Tuebingen, na Alemanha Federal, duas bombas explodiram ontem [quinta-feira] no exterior de um instituto científico, sem provocarem vítimas mas causando prejuízos avaliados em cem mil marcos”, prosseguia o DN. “Em Itália, por outro lado, as forças de segurança foram colocadas em estado de alerta máximo em todas as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas, desde que foram recebidas ameaças de que a vaga de terrorismo que se tem estado a registar na França iria alastrar a território italiano”, pode ainda ler-se.

    Em Portugal, prosseguia a formação pelo PS do seu “governo sombra”, cuja divulgação oficial deveria acontecer na semana seguinte em cerimónia aberta à comunicação social, como indicava o DN. “Enquanto falta ainda atribuir ´pastas´ - para o que prosseguem os contactos – eram dados como certos no ´governo sombra´ de Vitor Constâncio os nomes de Jorge Sampaio (Negócios Estrangeiros), António Guterres (Indústria), João Cravinho (Economia e Finanças), Jaime Gama (Defesa), Vera Jardim (Justiça), Ferro Rodrigues (Trabalho e Segurança Social) e António Barreto (Agricultura ou Educação)”, indicava o DN.

    Há 30 anos era também conhecida a decisão do governo de substituir as notas de 20 e 50 escudos por “moedas do mesmo valor”. “Entretanto, as moedas de um, cinco e dez escudos passarão a ser feitas em liga de latão-níquel, de cor amarela. As de 25 escudos vão deixar de circular”, informava o DN.

  • 18 Set 1986

    Cinco atentados em Paris em nove dias

    Por: Pedro Figueiredo

    O “quinto atentado em Paris nos últimos nove dias”, ocorrido na véspera na capital francesa, fazia manchete em toda a imprensa nacional do dia. “Cinco mortos e, pelo menos, 61 feridos, vários deles em estado grave, foi o resultado da explosão de uma bomba aparentemente colocada num cesto de papéis ou atirada de um carro em andamento para os armazéns Tati, no bairro parisiense de Montparnasse”, escrevia o Diário de Notícias (DN). O atentado foi reivindicado pela Comissão de Apoio aos Presos Árabes e do Médio Oriente, adiantava o DN.

    A política nacional vivia também dias agitados. Em conferência de imprensa, o líder do CDS alertou o partido para a necessidade de estar preparado para eleições “num prazo não muito dilatado”. “Não podemos ser surpreendidos por eleições gerais”, exortou Adriano Moreira, citado pelo DN. O porta-voz do PS, Arons de Carvalho, acusava por seu turno Cavaco Silva de estar a preparar uma remodelação do seu governo minoritário.

    No Tejo, “manuseadores de peixe do porto de Lisboa” descobriam no Cais do Gás um “pequeno arsenal escondido em pleno rio”. “As espingardas G-3 encontradas ontem [terça-feira] no rio Tejo tinham sido roubadas em 1975 no Regimento de Cavalaria de Santarém, no RALIS e no Depósito de Beirolas, informou o Estado-Maior do Exército. As primeiras desapareceram em junho daquele ano e as últimas pertencem ao lote de mil, então extraviadas”, podia ler-se no DN.

  • 17 Set 1986

    Portugal e Alemanha travam agravamento de sanções à África do Sul

    Por: Pedro FigueiredoMinistro dos Negócios Estrangeiros, Pires de Miranda; Foto João Paulo TrindadeMinistro dos Negócios Estrangeiros, Pires de Miranda; Foto João Paulo Trindade

    Em Bruxelas terminava a reunião de ministros de Negócios Estrangeiros da CEE, com Portugal e a República Federal da Alemanha a travarem o agravamento de sanções ao “regime do ´apartheid´” sul-africano. Em causa está a oposição dos dois países à proibição às importações de carvão sul-africano. “A questão da proibição das importações de carvão mostrou-se central para o debate (…) Estados-membros como a Holanda e a Dinamarca deram a entender que, retirando o carvão do pacote final, as medidas resultantes seriam tão frágeis que nem valeria a pena impô-las”, escrevia o Diário de Notícias.

    Em Guimarães, prosseguia na região de Entre Douro e Minho a primeira de muitas presidências abertas que Mário Soares haveria de realizar como Presidente da República. “O meu mandato de Presidente vai ser essencialmente aberto, através de um maior conhecimento das regiões e de um contacto mais profundo com as populações, para assim melhor poder servir a unidade nacional e a Portugal”, afirmou Soares. Nos Paços do Concelho de Guimarães, o Chefe do Estado elogiou o poder local, “realidade viva e enraizada que importa saudar e estimular pelas realizações que operou e pela energia que demonstra”. Enquanto Soares intervinha, “uma qualquer deficiência na instalação sonora provocou um enorme ruído que causou uma certa perturbação na numerosa assistência”. “Mário Soares, contudo, com a sua enorme presença de espírito, afirmou que aquele ruído era ´uma salva em honra de Guimarães´, o que lhe valeu uma enorme salva de palmas por parte dos presentes”, relatou o DN.

  • 16 Set 1986

    Adriano Moreira acusa Cavaco Silva de demagogia

    Por: Pedro FigueiredoFoto Manuel MouraFoto Manuel Moura

    As ondas de choque das declarações de Cavaco Silva no Conselho Nacional do PSD ainda se faziam sentir, com o CDS, então liderado por Adriano Moreira, a vir agora a público repudiar o que considerava serem “práticas e afirmações de confucionismo demagógico” por parte do então primeiro-ministro e líder do PSD. “Na sequência do estilo gratuito inaugurado no discurso estival do Pontal, o senhor primeiro-ministro voltou, agora, a pretender identificar a estratégia dos comunistas com a oposição construtiva do CDS para demagogicamente confundir perante a opinião pública, comportamento totalitário com crítica responsável e democrática”, podia ler-se no Diário de Notícias. “Não é o CDS que defende, como o primeiro-ministro e o PCP, o regime marxista do MPLA, com agravos à UNITA; não é o CDS, mas o PSD, que se alia ao PCP para eleger o Presidente da Comissão Regional do Turismo do Algarve e não é o CDS, mas o senhor primeiro-ministro, que confunde a política cultural com refeições intelectuais e comprovadamente marxistas”.

    No DN era ainda notícia o atentado bombista ocorrido na véspera em Paris, que provocou “cinquenta feridos, dos quais cinco em estado grave”, um dos quais “viria a morrer ao princípio da noite”. “Em Beirute, uma voz anónima falando em mau francês reivindicava, pelo telefone, a autoria do atentado em nome do Comité de Solidariedade com o Prisioneiros Políticos Árabes e do Próximo Oriente (CSPPA)”, noticiava o DN. A organização, que de acordo com o DN “já reivindicara quatro dos cinco últimos atentados”, pretendia a libertação de “três indivíduos que se encontram nas prisões francesas por crimes de terrorismo”.

  • 15 Set 1986

    Médicos ameaçam Leonor Beleza com greve geral

    Por: Pedro FigueiredoFoto GUILHERME VENâNCIOFoto GUILHERME VENâNCIO

    Em Portugal, a então ministra da Saúde, Leonor Beleza, estava sob fogo dos médicos, que ameaçavam lançar uma greve geral no início de outubro. “A Coordenadora Nacional dos Sindicatos dos Médicos lançará uma greve geral na primeira quinzena de outubro se o Ministério de Leonor Beleza ´mantiver a sua atual intransigência´ face às principais reivindicações da classe”, escrevia o Diário de Lisboa (DL). Os médicos reivindicavam “emprego para todos” os profissionais de saúde e “condições dignas de trabalho”. “Segundo a Comissão Organizadora dos Médicos, que reuniu em Coimbra no último fim de semana, isso passa pela reorganização geral dos serviços de saúde e pela atualização salarial em proporção à CEE”, acrescentava o DL.

    Lá fora, uma vaga de atentados “de Seul a Paris e de Carachi a Barcelona” merecia destaque na edição do Diário de Notícias (DN), que acompanhava também a reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da CEE que tinha início em Bruxelas, onde poderiam ser aprovadas sanções à África do Sul “como forma de pressão para a introdução de reformas no regime de ´apartheid´. “Se a imposição destas medidas se concretizar, isso significará que foram ultrapassadas, pelo menos em termos práticos, as reservas que têm sido apresentadas pela Alemanha Federal e por Portugal”, alvitrava o diário.

  • 14 Set 1986

    Cavaco Silva alerta PSD para estratégia do PCP para derrubar o Governo

    Por: Pedro FigueiredoFoto MANUEL MOURAFoto MANUEL MOURA

    No Conselho Nacional do PSD da véspera, o então primeiro-ministro alertava os seus correligionários para a existência de uma “estratégia muito clara” do PCP para “arrastar outros partidos da área democrática, mesmo se possível do CDS” no sentido de derrubar o governo [Cavaco Silva chefiava então um governo minoritário eleito em outubro de 1985, que viria a cair em agosto de 1987 na sequência da aprovação de uma moção de censura na Assembleia da República]. “O Conselho Nacional ontem [sábado] reunido num hotel da capital foi dominado praticamente pelo discurso de Cavaco Silva, que atribui ao PCP a liderança da estratégia de derrube do governo. Segundo Cavaco, os comunistas vão tentar desgastar o executivo e o dirigente do PSD prevê ´uma tremenda onda de greves desencadeada pela CGTP”, escrevia então o Diário de Notícias (DN).

    Aos microfones da Antena 1, o líder do PCP insistia na necessidade de nomeação de um governo “de alternativa democrática” apoiado pelos comunistas, PS, PRD, MDP e Os Verdes, que não implicaria necessariamente “a participação de representantes de todos os partidos no executivo”. “O dirigente comunista disse ainda que o governo poderia ser demitido pelo Presidente da República, através da aprovação de uma moção de censura na Assembleia da República ou mediante a demissão do primeiro-ministro, o que ´seria o ato mais relevante da sua carreira política”, podia ler-se no DN.

  • 13 Set 1986

    Liberdade condicional para espiões detidos em Washington e Moscovo

    Por: Pedro Figueiredo

    Em plena guerra fria, o Diário de Notícias (DN) fazia hoje manchete com a liberdade condicional concedida por Moscovo ao jornalista norte-americano Nicholas Daniloff e pelas autoridades norte-americanas do físico soviético Gennady Zakharov. “Ambos são acusados de espionagem e ficarão a aguardar julgamento sob custódia das respetivas embaixadas”, escrevia então o DN. Apesar da coincidência, o então secretário de Estado norte-americano, George Schultz, sublinhou em conferência de imprensa na Casa Branca não existir “equivalência” entre os dois casos. “Daniloff não é um espião”, enfatizou. “O correspondente da revista norte-americana [´US News and World Report´] foi preso pelo KGB depois de aceitar um pacote entregue por um cidadão soviético seu conhecido. O KGB afirmou na altura que o pacote continha documentos secretos. Por sua vez, Zakharov foi detido pelo FBI quando alegadamente procedia à compra de segredos militares dos Estados Unidos”, lembrava o DN.

    Ainda no DN eram reproduzidas declarações do então Presidente da República ao semanário francês ´L´Express´, na qual Mário Soares advogava a necessidade de uma revisão constitucional em Portugal que fizesse desaparecer “um certo número de vestígios do poder militar do período de transição”. “Há ainda uns certos afloramentos de ideologismos radicais [na Constituição] (…) o Estado não pode tomar o lugar, substituir ou sobrepor-se à empresa (…) veja-se o que deram as experiência dos Estados comunistas”, observava Soares.

    No Diário de Lisboa (DL) era notícia a “importante campanha de reivindicação” que a CGTP se preparava para lançar “em defesa do horário de trabalho de 40 horas”. “A exigência da redução do tempo de trabalho, que na indústria e em certas áreas dos serviços continua a ser de 48 horas, constava já das conclusões do último Congresso da CGTP, mas esta é a primeira vez que uma central sindical portuguesa a inclui entre as grandes linhas de ação reivindicativa”, lembrava o DL.

  • 12 Set 1986

    Soares ouve queixas do presidente da Câmara da Amadora

    Por: Pedro FigueiredoFoto Cristina FernandesFoto Cristina Fernandes

    Nas comemorações do sétimo aniversário de Amadora a concelho, o Presidente da República, Mário Soares ouviu queixas do então presidente da câmara Orlando de Almeida. “Passados sete anos, o Estado ainda não pagou a conta da instalação da Amadora”, lamentou Orlando de Almeida, apontando a circunstância de o recém-criado município não dispor de um hospital ou de um tribunal, “nem a tão falada passagem inferior na via férrea”, além de ter ainda “20 mil pessoas que vivem em Barracas”.

    Neste dia eram também divulgados os números da inflação, que no final de agosto tinha descido para 13,4 por cento, “contra os 22,5 por cento no mesmo mês do ano passado”.

    Notícia foi também o convite dirigido a Mário Soares para visitar a URSS em data a anunciar do ano seguinte. “O convite, que lhe dirigiu o presidente do Soviete Supremo da URSS e o Chefe de Estado, Andrei Gromyko, foi entregue a Mário Soares na quarta-feira pelo encarregado de Negócios em Lisboa. Soares será o primeiro presidente português constitucionalmente eleito a visitar oficialmente a URSS”, observava o Diário de Notícias.

  • 11 Set 1986

    Cavaco Silva criticado por ter pedido fim dos apoios à UNITA

    Por: Pedro FigueiredoFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    O primeiro-ministro, Cavaco Silva, estava debaixo de fogo em Portugal na sequência do apelo que teria feito, no âmbito da sua visita oficial aos Estados Unidos, para que Washington cessasse “o apoio militar à UNITA”. “Cavaco Silva não tem conhecimento do que se passa em Angola”, declarou o então presidente da Juventude Centrista, Manuel Monteiro, que tinha visitado durante 20 dias zonas controladas pela UNITA, tendo assistido ao 6º Congresso do movimento oposicionista angolano. “Não é assim que os interesses portugueses são defendidos”, esgrimiu Manuel Monteiro, argumentando que Portugal “pode e deve ser parceiro privilegiado no sentido de se conseguirem negociações que conduzam à paz em Angola”.

    Há 30 anos eram também notícia as receitas do turismo, que tinham batido recordes nesse ano. “No ano corrente, as entradas gerais de estrangeiros deverão ultrapassar os 13 milhões e as receitas turísticas deverão atingir os 240 milhões de contos, contra, respetivamente, dois milhões de entradas e dez milhões de contos de há 10 anos”, afirmou o secretário de Estado do Turismo, Licínio Cunha, citado pelo Diário de Notícias.

    Em Lisboa, a revista “Mulheres” promoveu há três décadas um debate que mereceu cobertura noticiosa do DN. “Homem, mulher, quem manda ou não manda, quem tem o poder ou não tem, quem agride ou quem ampara, quem protege quem, de tudo se falou em dois debates organizados na segunda e terça-feira pela revista ´Mulheres´. Debates que tiveram um primeiro dia de uma mornidão quase insuportável, cheio de estereótipos e lugares-comuns, ainda com a conversa das feministas agressivas e as outras”, podia ler-se.

  • 11 Set 1986

    Estação do Campo Grande construída há 30 anos depois de sanado conflito com Sporting

    Por: Marta ClementeFoto João RelvasFoto João Relvas

    Foi em setembro de 1986 que se iniciaram as obras de construção da estação do Campo Grande, a primeira feita à superfície em Lisboa. Foi um diferendo de três anos entre o Metropolitano de Lisboa e o Sporting que atrasou tudo.

    Para a construção daquela estação, o Metro precisava de uns terrenos do clube de Alvalade e propôs, em 1983, a sua aquisição por 445 mil euros (89 mil contos na altura), mas o Sporting rejeitou e apresentou uma contraproposta de 1,75 milhões de euros (350 mil contos).

    O conflito só seria resolvido em 1986, já com a intervenção do então presidente da Câmara de Lisboa, Nuno Krus Abecasis, tendo o Sporting recebido 710 mil euros (142 mil contos), valor que correspondia à atualização da proposta inicial do Metro tendo em conta a inflação.

    A construção daquela estação inseriu-se numas grandes obras de ampliação da rede do Metropolitano que a empresa encetou naquele período e que prolongaram as linhas em mais oito quilómetros.

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  • 10 Set 1986

    Portugal e China discutem futuro de Macau

    Por: Pedro FigueiredoFoto LIM CHOIFoto LIM CHOI

    As negociações entre Portugal e a China com vista à transferência de soberania do território para Pequim – que haveria de consumar-se a 20 de dezembro de 1999 - era assunto de primeira página no Diário de Notícias (DN) de há 30 anos. “O futuro de Macau esteve de novo na mesa das negociações que decorreram, durante dois dias, na residência para hóspedes oficiais do parque Diaoyutai, em Pequim. Após a reunião, as delegações chinesa e portuguesa não forneceram pormenores sobre o teor dos assuntos tratados”, escrevia o DN. Fontes diplomáticas citadas pelo diário indicavam que tinham sido abordados assuntos como a autonomia de que o território passaria a gozar sob administração chinesa, mas que existia ainda um contencioso relativamente aos 100 mil residentes de origem chinesa “possuidores de passaporte ordinário português”. “A este propósito, as autoridades de Lisboa têm afirmado, repetidamente, que honrarão as suas obrigações para com os portugueses que desejem manter a nacionalidade. Divergente é, contudo, a posição da China, ao adotar uma atitude rígida nesta matéria, uma vez que tem como certo que um indivíduo de raça chinesa é chinês de nacionalidade”, escrevia o DN.

  • 09 Set 1986

    Cavaco Silva recebido no Pentágono

    Por: Pedro FigueiredoCaspar Weinberger; foto Alfredo CunhaCaspar Weinberger; foto Alfredo Cunha

    Em visita oficial aos Estados Unidos, o então primeiro-ministro, Cavaco Silva, foi recebido no Pentágono, almoçou com o secretário de Estado da Defesa, Caspar Weinberger, e com o diretor da CIA, William Casey. “O encontro entre o primeiro-ministro português e William Casey traduziu-se num longo ´cavaqueio´ sobre a situação no sul de África e particularmente sobre Angola, tendo como ponto quente da atualidade o apoio financeiro e militar que Washington presta à UNITA, canalizado pela administração americana”, escrevia o Diário de Lisboa.

    No Chile, a resposta das autoridades ao atentado da véspera contra Augusto Pinochet saldou-se em buscas e “numerosas detenções”. Encontramo-nos numa guerra entre democracia e marxismo, entre o caos e a democracia”, declarou o então presidente do Chile, que na véspera surgira na televisão “com a mão esquerda ligada”.

    No Diário de Notícias de há 30 anos era também notícia o feito alcançado então pelo empregado de mesa João Manuel Sousa Ferreira, que conseguiu entrar para o livro do ´Guiness´ ao percorrer os 132 quilómetros que separam Porto e Lamego com uma bandeja com copos na mão.

  • 08 Set 1986

    Álvaro Cunhal quer substituir Governo de Cavaco

    Por: Pedro FigueiredoFoto Luís VasconcelosFoto Luís Vasconcelos

    Há 30 anos, num discurso premonitório feito no encerramento da 11.ª Festa do Avante, o então líder do PCP, Álvaro Cunhal, defendia a necessidade de substituir o governo minoritário chefiado pelo social-democrata Aníbal Cavaco Silva por outro, de “convergência democrática” com outras forças políticas, de que os comunistas fizessem parte. Defendendo que a eleição de Mário Soares para Belém, no início desse ano, tinha provocado “uma evolução favorável na situação política portuguesa”, Cunhal especificava que a “alternativa democrática” que preconizava dispensaria “eleições antecipadas” já que, enfatizou, “os partidos democráticos já dispõem no conjunto de uma maioria na Assembleia da República”.

    Lá fora, era notícia o atentado falhado contra o então presidente chileno. “Augusto Pinochet escapou a noite passada a uma emboscada numa rua dos arredores de Santiago, organizada pela Frente Patriótica Manuel Rodriguez, de extrema-esquerda”, podia ler-se no Diário de Lisboa. Pinochet “foi apenas atingido por um estilhaço na mão esquerda”, mas entre os elementos da sua comitiva e da sua segurança registaram-se sete mortos e alguns feridos. Na sequência do atentado, o líder chileno decretou o estado de sítio em todo o território numa tentativa de capturar os autores da ação. “A organização que reivindicou o atentado que ´na próxima vez´ não falhará”, noticiava ainda o Diário de Lisboa.

    No desporto, o Belenenses era a equipa sensação do arranque da temporada 1986/1987 de futebol, mantendo-se invencível à terceira jornada da I Divisão.

  • 07 Set 1986

    Ataque a Sinagoga em Istambul provoca 23 mortes

    Por: Pedro FigueiredoFoto ACáCIO FRANCOFoto ACáCIO FRANCO

    O ataque a uma sinagoga em Istambul, na Turquia, era destaque na edição do DN. “Cinco homens armados atacaram ontem [sábado] de manhã uma sinagoga de Istambul durante as orações, causando 23 mortes e cerca de uma dezena de feridos”, noticiava o matutino, adiantando que o ataque, levado a cabo por “cinco homens que se faziam passar por fotógrafos”, fora reivindicado por “três grupos árabes”.

    A edição de domingo do DN publica ainda o relatório “O Parlamento visto por dentro”, encomendado pelo então presidente da instituição, Fernando Amaral. “O Parlamento teve cerca de 4500 contos de gastos de correio e esteve reunido em plenário durante um total de 516,5 horas na sessão legislativa de 1985/86”, escrevia o DN sobre um documento que “não inclui qualquer referência ou crítica aos erros cometidos”, mas se dedica antes a “referência elogiosas aos serviços, conferência de líderes, membros da mesa e principais responsáveis das comissões parlamentares”. Fernando Amaral dedicou ainda uma parte do documento aos jornalistas parlamentares, distinguindo os que se impõem “pela ajustada denúncia, pela lucidez morigeradora e pela inteligência corretora dos comportamentos políticos”, dos que “alimentam a intriga e dos seus escritos fazem pátio de soalheiro político para achincalhar a dignidade das funções e aviltar o mútuo respeito que nos devemos” – profissionais que, vaticinou, “vão sofrendo pouco a pouco o isolamento dos proscritos”.

  • 06 Set 1986

    Libertação de avião norte-americano provoca entre 30 e 40 mortes

    Por: Pedro Figueiredo

    A “libertação do Boeing em Carachi” faz manchete no Diário de Notícias, que noticia a morte de “30 a 40 pessoas” na ação. “A libertação do aparelho da Pan Am foi desencadeada por comandos paquistaneses quando os quatro sequestradores abriram fogo dentro do avião, onde se encontravam 400 passageiros, na sua maioria indianos, e 44 norte-americanos”, escrevia o DN.

    Na edição do DN de há 30 anos foi também noticiado que o então presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, se deslocaria a Portugal “pela segunda vez” nesse ano. “Recorde-se que o presidente da CEE esteve em abril em Portugal e, tendo visitado os trabalhos de construção do nó de Albergaria, sobre os troços da autoestrada do norte”, podia ler-se.

    No circuito de Monza, o piloto brasileiro Ayrton Senna tinha sido o mais rápido na primeira sessão de treinos oficiais do Grande Prémio de Itália. “O Grande Prémio de Itália, a disputar amanhã, poderá dar mais uma importante achega para a definição do título mundial de Fórmula 1 de 1986. Com efeito, com quatro pilotos candidatos ao título e espaçados entre eles apenas por oito pontos, tudo começa a tornar-se crítico”, podia ler-se no DN.

  • 05 Set 1986

    Avião norte-americano sequestrado no Paquistão

    Por: Pedro FigueiredoFoto Acácio FrancoFoto Acácio Franco

    O sequestro de um avião norte-americano no aeroporto de Karachi, no Paquistão, é a notícia do dia no vespertino Diário de Lisboa. O Boeing 747 da companhia norte-americana Pan Am, com 400 passageiros, fora sequestrado na manhã desse dia “por um grupo de quatro homens que, a acreditar numa reivindicação feita em Nicosia, pertenceriam a um grupo chamado “Células Revolucionárias Líbias”. “Este acontecimento deixa em aberto a possibilidade do agravamento do conflito entre Washington e Tripoli, particularmente tendo em atenção as recentes declarações e ameaças”, podia ler-se no vespertino.

    Nos Açores, Mário Soares foi recebido com gravatas pretas pelo então presidente do Governo Regional, Mota Amaral, e pelos deputados regionais do PSD, durante as cerimónias do 10º aniversário da autonomia. O motivo: ainda o veto político do então Presidente da República ao estatuto regional. “Outra nota de desagrado foi dada pelo ostensivo silêncio dos deputados regionais do PSD no final do discurso do Presidente da República, aplaudido pelos restantes deputados do PS, PCP e CDS”, dava conta o Diário de Lisboa.

    Notícia do dia foi também a morte, na véspera, do técnico brasileiro de futebol Otto Glória. “Era já morte esperada, tão ténues os laços que o prendiam à vida, ele que nos últimos tempos vinha sofrendo de grave enfermidade (…) Duas operações, depois da lesão cerebral sofrida no domingo, não foram suficientes para que a medicina devolvesse Otto Glória ao estado consciente”, podia ler-se.

  • 04 Set 1986

    Soares veta estatuto dos Açores

    Por: Pedro FigueiredoFoto Alfredo CunhaFoto Alfredo Cunha

    A decisão do então Presidente da República, Mário Soares, de vetar politicamente o estatuto político-administrativo da Região Autónoma dos Açores, devolvendo-o à Assembleia da República para reapreciação, faz manchete em todos os jornais do dia. “Suscitou-se uma polémica exacerbada, com tomadas de posição irrefletidas e emocionais, visando porventura exercer pressão sobre o Presidente da República, a quem compete constitucionalmente promulgar ou não o referido diploma”, justificou então Mário Soares.

    Há 30 anos, em Harare, no Zimbabué, o então Presidente de Moçambique, Samora Machel, fazia ouvir a voz de Timor-Leste na VIII Cimeira dos Não Alinhados. Cabe a esta Assembleia tomar posição firme a favor dos direitos à autodeterminação e ao reconhecimento da independência do povo de Timor-Leste. Em Timor-Leste estamos perante a ocupação de um território, a privação do direito à liberdade de um povo, à violação flagrante dos princípios do nosso movimento”, disse.

  • 03 Set 1986

    Pensões mínimas com aumentos entre 14 e 45%

    Por: Pedro FigueiredoFoto João Paulo TrindadeFoto João Paulo Trindade

    O Conselho de Ministros presidido pelo então primeiro-ministro, Cavaco Silva, decidiu “proceder a uma atualização extraordinária dos valores mínimos das pensões de invalidez e velhice”, com aumentos de “14 a 45 por cento”, bem como a “atualização das reformas dos pescadores em montantes que variam entre 26 e 129 por cento”. “A medida vai abranger cerca de um milhão e 300 mil portugueses”, representando “um acréscimo da despesa do Estado” já em 1986 “de cerca de nove milhões de contos”.

    Apesar dos aumentos decididos pelo Governo, era o estatuto político-administrativo dos Açores, debatido na véspera em Conselho de Estado presidido pelo então Presidente da República, Mário Soares, que dominava as manchetes do dia. O Diário de Lisboa assegurava em manchete que Soares se preparava para vetar politicamente o diploma “com indicação para a Assembleia da República de reapreciação urgente dos pontos controversos”. Pelo contrário, o Diário de Notícias noticiava não ter existido “o menor atrito entre os membros do Conselho de Estado” sobre o diploma e que Mário Soares “não terá pedido a nenhum conselheiro expressamente uma opinião sobre se deveria ou não vetar o Estatuto”.

  • 02 Set 1986

    Comandos Armados de Libertação reivindicam atentado no Algarve

    Por: Pedro Figueiredo

    O Diário de Notícias regressa na edição de hoje ao atentado da véspera no Algarve – que não pôde noticiar então, por a edição já se encontrar nas rotativas. De acordo com o matutino, as quatro explosões foram reivindicadas “por telefonema por um homem de sotaque estrangeiro” em nome de uma organização até então desconhecida, auto denominada “Comandos Armados de Libertação”. “O autor do telefonema, que se declarou amigo das FP-25 e da ETA militar” anunciou “uma série de ações terroristas em Portugal”, visando desta vez “juízes, chefes de departamentos governamentais, médicos, gerentes bancários, altos funcionários da Polícia e todos os exploradores do povo”. A acrescer à confusão, “à tarde a ´ORA, Organização Revolucionária Armada´ reivindicou também a autoria das ações armadas realizadas no Algarve”. “Em comunicado deixado num caixote do lixo da Avenida da Liberdade, em Lisboa, com aviso telefónico para a Anop, aquela organização disse que os rebentamentos se inseriam na luta ´pela independência nacional´”.

    Há 30 anos era também notícia o regresso à prisão da “banqueira do povo”, agiota que protagonizou um mediático escândalo financeiro na década de 1980 em Portugal. Insensível às “22 doenças” de que alegava padecer, o Tribunal da Relação de Lisboa ordenou o regresso de Maria Branca dos Santos – conhecida como Dona Branca – à “cadeia das Mónicas”. “O acórdão refere que essas doenças ´além de poderem ser tratadas no estabelecimento prisional, não significam que os réus estejam de tal forma diminuídos física e psiquicamente que afastem a sua periculosidade”, podia ler-se.

  • 01 Set 1986

    Quatro bombas explodiram em aldeamentos turísticos algarvios

    Por: Pedro Figueiredo

    “Quatro bombas contra Algarve”, noticia, em grande destaque de meia página, o Diário de Lisboa. Na madrugada de 01 de setembro, “quatro bombas de grande potência” explodiram em três aldeamentos turísticos algarvios e num supermercado, não fazendo vítimas mas provocando “avultados danos materiais”. Um dos engenhos deflagrou “perto da casa de férias” do então Presidente da República, Mário Soares. O vespertino adiantava que, apesar de não terem sido ainda reivindicados, os atentados “poderão estar relacionados com recentes ameaças de um ´Setembro Negro´ nas estâncias turísticas portuguesas e espanholas.

    Na sua primeira edição de setembro de 1986, o vespertino lisboeta, tal como a generalidade da imprensa matutina, dá também grande destaque à colisão entre dois aviões ocorrida na véspera em Los Angeles, nos Estados Unidos, que tinha provocado 77 mortos.

    O Diário de Notícias dá ainda conta da irritação do então Chefe do Estado que, numa visita a Lagos no final do seu habitual período de férias no Algarve, constatou que as antigas muralhas que circundam a cidade estavam a ser recuperadas, não “com os materiais antigamente usados”, mas com cimento. “Interrogo-me porque é que isto foi feito e vou perguntar porquê”, ameaçou.

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