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Lousada, a vila que não quer ser cidade

Lousada nunca quis deixar de ser vila, funcionando atualmente como uma espécie de ilha rodeada por cidades por todo os lados, uma opção que foi política e que assume hoje um elemento distintivo no território.

“Vulgarizou-se a circunstância de se atribuir a designação de cidade aos mais variados espaços. Por isso, entendemos que teríamos de fazer um pouco a diferença para que houvesse alguma distinção nesse contexto”, comenta o ex-presidente da Câmara, Jorge Magalhães, que liderou o concelho de 1990 até 2013.

Segundo o ex-autarca, os seus concidadãos sentem-se “mais confortáveis por terem as infraestruturas do que o título de cidade”.

A opção política foi tomada no início da década do 90 do século passado, quando era moda no Tâmega e Sousa as vilas com alguma dimensão serem promovidas a cidades, incluindo algumas que nem eram sequer sedes de concelho.

À volta de Lousada, contam-se as cidades de Penafiel (a mais antiga), Felgueiras, Paços de Ferreira, Amarante e Paredes. Acrescem outras cidades muito próximas, que não são sedes de concelho, como Freamunde (Paços de Ferreira) e Lixa (Felgueiras), entre outras.

No distrito do Porto contam-se apenas duas vilas que são sedes de concelho: Lousada e Baião.

Magalhães recorda que, mesmo a nível nacional, há um conjunto de vilas que podiam ser cidades e nunca o quiseram, como Ponte de Lima, Sintra e Cascais, entre outras.

“Hoje, ser-se vila é um elemento diferenciador, um elemento de charme”, considera.

Sobre se alguma vez Lousada foi prejudicada face às cidades vizinhas, por não ter o estatuto de vila, o ex-autarca é perentório: “Nunca nos sentimos menorizados. O facto de ser vila, por exemplo, nunca dificultou o acesso aos fundos comunitários”.

Não se julgue que o estatuto de vila se mantém porque Lousada não reúne os requisitos legais para ser promovida a cidade. O concelho, em termos demográficos, com os seus quase 60.000 habitantes, tem uma dimensão próxima da de Felgueiras ou Paços de Ferreira e, nesse contexto, o seu principal centro urbano facilmente poderia ascender ao novo estatuto.

Essa, porém, não é a opção, o que, aliás, tem sido consensual no concelho em termos políticos desde os anos 90 do século XX.

“A esmagadora maioria da população lousadense, nomeadamente as várias forças políticas locais, sempre se identificaram com esta perspetiva”, assinala Magalhães.

O líder da oposição, o vereador social-democrata Leonel Vieira, concorda e advoga que a elevação a cidade “não traria um novo impulso de desenvolvimento e disponibilidade de serviços para Lousada”.

“É preferível ser uma grande vila do que uma pequena cidade”, defende, acrescentando: “Temos de continuar a trabalhar para criarmos condições para que os nossos concidadãos tenham aqui melhor qualidade de vida”.

Também o atual presidente de Câmara Municipal, o socialista Pedro Machado, que cumpre o seu primeiro mandato como chefe do executivo, defende a manutenção do estatuto de Vila.

“Somos orgulhosamente vila”, exclama à agência Lusa, acrescentando que sempre comungou da opinião de que Lousada não deveria ser cidade.

“Mantenho esse pensamento”, assegura.

Para o autarca, a aposta atual é que Lousada seja um concelho “com qualidade de vida e com todas as condições”.

“Para isso, não é preciso termos a denominação de cidade”, aponta.

Sobre a possibilidade de, no futuro, a atual vila se transformar, em temos formais, em cidade, o presidente não a admite.

Enquanto estiver à frente dos destinos desta Câmara Municipal terei muito orgulho em manter Lousada como vila. Éramos um concelho atrasado, mas conseguimos evoluir. Hoje, estamos ao nível de concelhos que são cidades”, afirma.

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