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Lusa pode contribuir para difundir “dimensão universalista”

O antigo ministro social-democrata Luís Marques Mendes, que subscreveu a proposta de criação da Lusa, em 1986, defendeu hoje um reforço do investimento na “dimensão universalista” nacional, através do papel desempenhado pela agência noticiosa portuguesa.

“Investir nesta dimensão universalista de Portugal, investir na valorização da língua, investir nos nossos pontos de interesse e de identidade, fazer isso não é fazer despesa, é investir”, salientou Marques Mendes, destacando o papel da Lusa na difusão da língua portuguesa.

O antigo líder do PSD, que falava no âmbito da conferência “Portugal entre o Rigor e a Audácia”, iniciativa integrada nos 30 anos da Lusa – Agência de Notícias de Portugal, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, considerou que, “à escala global, não é um investimento tão difícil assim”.

“A economia é importante, a língua é estruturante, e sobretudo são fatores perenes, estruturantes, estratégicos como estes, que ajudam a desenvolver Portugal, ajudam a desenvolver a nossa economia e ajudam à afirmação da nossa matriz, da nossa marca”, vincou Marques Mendes.

O social-democrata admitiu a sua condição de “pai” da Lusa, por ter coordenado, a partir de março de 1986, o processo de fusão das agências ANOP e NP-Notícias de Portugal.

Após um “diálogo intenso” entre os dirigentes e trabalhadores das duas agências, mas também no Parlamento, principalmente entre o PS e o PRD (Partido Renovador Democrático) – “havia alguns ciúmes entre os dois partidos e isso beneficiou muito o processo” -, foi possível criar “uma agência que tivesse uma dimensão estratégica no exterior”, recordou Marques Mendes.

O antigo ministro atribuiu o mérito da fusão aos responsáveis da ANOP e da NP e sublinhou que a Lusa desempenha “uma componente estratégica nacional incontornável” na “cobertura noticiosa do interior e das regiões autónomas”.

“No momento em que queremos afirmar o nosso universalismo não podemos deixar de pensar na Lusa”, frisou Marques Mendes, preconizando que a agência também deve contribuir para “fortalecer o espaço lusófono”.

Para o antigo governante, à semelhança do reconhecimento da abertura de uma delegação no exterior da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, também o apoio da presença da Lusa no mundo “é investimento, não é despesa”.

“Mesmo num país de escassos recursos, com escolhas sempre difíceis, é preciso destrinçar entre aquilo que é essencial e aquilo é acessório, entre aquilo que é despesa inútil e aquilo que é investimento eficaz”, reforçou.

O antigo líder social-democrata deixou ainda a ideia de, no futuro, o estatuto da Lusa “poder consagrar algo como um conselho estratégico”, com representação da cultura, da economia e dos órgãos de soberania nacionais.

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