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Pós-graduação em Jornalismo Regional quer contribuir para qualificar setor

A agência Lusa e a Universidade de Vila Real arrancam em setembro com um curso de pós-graduação em Jornalismo Regional que pretende ajudar a qualificar um setor que contribui para a descentralização da informação.

A nova oferta educativa, que conta com a marca da Lusa e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), foi apresentada hoje, em Vila Real, no âmbito de uma conferência que discutiu o jornalismo regional.

A pós-graduação em Jornalismo Regional arranca no final de setembro, num modelo pedagógico em que todas as disciplinas são lecionadas por jornalistas da Lusa e por docentes de Comunicação da UTAD, numa procura de efeito pendular entre a prática profissional e a reflexão académica.

“O ponto principal é ensinar, com a experiência dos nossos jornalistas que estão espalhados pelo país, como fazer uma melhor cobertura do jornalismo regional e de proximidade”, afirmou Teresa Marques, presidente do Conselho de Administração da Lusa.

A responsável salientou ainda que este curso tem a preocupação de dar aos estudantes, aos novos jornalistas, uma “visão real” daquilo que vai ser a sua vida profissional.

O vice-reitor da academia trasmontana Artur Cristóvão destacou o trabalho “interessante de parceria” entre a UTAD e a Lusa e salientou o contributo que o novo curso poderá dar para “a qualificação dos órgãos de comunicação social regionais”.

“Penso que ao criarmos esta oportunidade poderemos estar a ajudar os jornalistas desses órgãos de comunicação social a estarem melhor preparados para responderem aos desafios que enfrentam no dia-a-dia e também a estarem melhor preparados para ajudarem os próprios órgãos a terem uma presença mais forte e mais profissional na região”, salientou o professor.

Ricardo Jorge Pinto, diretor adjunto de informação da Lusa, explicou que a pós-graduação tem a duração de um ano, com aulas às sextas-feiras e aos sábados, e é dirigida a estudantes, que começam a procurar o seu posto de trabalho, e jornalistas que, já estando no terreno querem obter informações adicionais.

Estas informações passam, por exemplo, pelas áreas do ‘online’ e do multimédia, onde a pós-graduação vai “também fazer um aposta importante”.

O plano curricular contempla disciplinas como Jornalismo 3.0, Gramática de Informação, Géneros Jornalísticos, Plataformas Mediáticas, Jornalismo de Proximidade, Planeamento Editorial, Investigação e Análise de Dados, Escrita e Edição, Grafismo e Multimédia e ainda um Estágio em Jornalismo Regional.

“Acreditamos que a informação não pode ficar apenas centrada em Lisboa e no Porto. Já temos um excesso de informação local de Lisboa e do Porto e, por isso, esta aposta naquilo que é a qualificação da informação de proximidade, descentralizada, é uma preocupação que tem que ser também da agência de notícias”, salientou Ricardo Jorge Pinto.

A marca da agência Lusa já está presente em duas outras pós-graduações: uma em Jornalismo Especializado, com a Universidade Fernando Pessoa, no Porto, e outra em Jornalismo Internacional em Língua Portuguesa, com o ISCTE, em Lisboa.

A conferência que decorreu hoje, em Vila Real, realizou-se no âmbito das comemorações dos 30 anos da agência Lusa e da UTAD e debateu os constrangimentos e desafios da imprensa regional.

Pedro Jerónimo (Instituto Miguel Torga) falou sobre o “ciberjornalismo” e a transição dos órgãos regionais para o digital, enquanto Nuno Andrade Ferreira (Universidade do Mindelo – Cabo Verde), deu a conhecer o setor da comunicação social num país com nove ilhas habitadas e onde os custos de distribuição “são enormes”, mas que se mantêm em “nome da coesão social”.

João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, afirmou que os jornais regionais “só vão sobreviver se se juntarem empresarialmente” e referiu que arrancou em 2011 o movimento com vista à classificação de 22 jornais centenários portugueses como Património Mundial da Humanidade.

Veja aqui o programa da conferência.

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