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Turismo rural dos Açores tem símbolo na Aldeia da Cuada, nas Lajes das Flores

Um “projeto do coração” iniciado há mais de 27 anos retirou do abandono a centenária aldeia da Cuada, no concelho das Lajes das Flores, tornando-a um símbolo do turismo rural nos Açores.

“Este é um projeto do coração e não de ambição de enriquecer”, afirma Carlos Silva, proprietário do empreendimento turístico Aldeia da Cuada, que descobriu a aldeia quando procurava, com a mulher, natural das Flores, uma casa pequena na ilha para passar fins de semana em família.

Segundo Carlos Silva, a aldeia da Cuada, nascida em 1676, faz parte da freguesia da Fajã Grande, concelho das Lajes das Flores, tendo sido abandonada nos anos 60 do século XX devido à emigração dos habitantes, principalmente, para os Estados Unidos da América.

Localizada no extremo mais ocidental da Europa, a aldeia, que foi reabilitada, é composta por mais de uma dezena de pequenas moradias feitas em pedra basáltica, canadas (caminhos estreitos) que as interligam e onde os carros não passam.

“Fomos comprando primeiro uma, depois duas ruínas e acabámos por adquirir um total de 15 moradias, cujo restauro só concluímos este ano. Foi um projeto que surgiu sem contarmos, sem termos dinheiro, mas que nos dá muita alegria”, refere Carlos Silva, antigo funcionário público e ex-deputado.

O empreendimento, oficialmente aberto em 1998, com dez moradias de várias tipologias, criou nove postos de trabalho e ganhou fama internacional, recebendo atualmente hóspedes de várias nacionalidades, com destaque para os alemães.

“Os nossos clientes manifestam gostar muito de vir para este local, porque aqui encontram sossego e ar puro, estando perto dos trilhos, mas ao mesmo tempo do mar”, diz o proprietário, de 61 anos, que conta com o apoio da filha e do genro no trabalho diário de manutenção do empreendimento turístico.

Carlos Silva adianta que, “por norma, os hóspedes ficam entre três a 15 dias” e, habitualmente, marcam o alojamento de um ano para o outro, pois “a partir de fevereiro é difícil” haver disponibilidade.

A intervenção feita na aldeia da Cuada já mereceu por parte do Governo Regional dos Açores a distinção de Património Cultural com Interesse Histórico, Arquitetónico e Paisagístico.

Considerando haver ainda potencial para continuar a apostar-se no turismo rural, Carlos Silva adianta que, concluída esta primeira fase do projeto, segue-se outra que passa pela criação de um restaurante, uma piscina e um palco ao ar livre para receber na aldeia eventos de cariz cultural.

“Terá de ser tudo devidamente enquadrado na paisagem e no ambiente circundante”, garante o proprietário, natural da ilha do Pico.

Em mente, Carlos Silva tem também o desejo de ver a eletrificação da aldeia enterrada, para que os cabos aéreos “não firam a magia do local e do meio ambiente”, acrescentando estar em conversações com as autoridades regionais e com a empresa pública de eletricidade nos Açores para este efeito.

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