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Vidigueira prospera com produção de vinho

A produção de vinho tem sido “determinante para a prosperidade” económica do concelho de Vidigueira, no Alentejo, conhecido pela “excelência” dos seus “néctares dos deuses” e onde há 240 viticultores e 15 produtores.

“Destaco como fator determinante da prosperidade a preponderância que a vitivinicultura assume na base económica” do concelho, diz à agência Lusa Manuel Narra, presidente da Câmara de Vidigueira, no distrito de Beja.

Segundo o autarca, “a reputação da excelência” dos vinhos de Vidigueira “é responsável pelo desenvolvimento de agroindústrias” ligadas ao setor vitivinícola e que têm “grande importância económica” para o concelho e para a região do Alentejo.

O “sucesso” dos vinhos de Vidigueira “tem sido, sobretudo, evidenciado no contexto nacional e na forte aposta de internacionalização, que está a ter resultados muito expressivos e promissores, quer ao nível do reconhecimento traduzido em prémios e distinções, quer ao nível da penetração e consolidação em novos mercados”, frisa.

O concelho tem, atualmente, 240 viticultores, sendo que a “esmagadora maioria” está associada e produz para o maior e mais antigo produtor de vinho local, a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito (ACVCA).

Além da ACVCA, fundada em 1960, há 14 produtores de vinho privados, 13 dos quais com adegas próprias, que foram “criadas nos últimos 30 anos fruto de investimentos protagonizados, maioritariamente, por empresários não residentes no concelho”.

Manuel Narra reconhece que as atividades do setor secundário têm “um peso reduzido no concelho”, sendo a atividade industrial baseada “predominantemente” em unidades de pequena dimensão, evidenciando-se as indústrias alimentares e de bebidas, das quais se destaca “a importância” da ACVCA e da Cooperativa Agrícola de Vidigueira, que produz azeites e vinagres.

No setor privado, “destaca-se a significativa importância dos produtores de vinho, que representam um potencial de afirmação em franco crescimento e alavancador de muito do sucesso económico” local.

“Este fator de dinamismo tem atraído novos investidores de média e grande dimensão”, contribuindo para o crescimento do número de trabalhadores no setor agrícola nos últimos anos, o que “contraria a tendência registada” no Alentejo e no resto do país, sublinha.

Devido à importância do setor vitivinícola, o município tem desenvolvido uma estratégia de promoção dos vinhos de Vidigueira e de “criação de condições de incentivo à consolidação do pilar económico do território que assenta na produção de vinho”.

No âmbito da estratégia, Vidigueira foi eleita a “Cidade do Vinho 2013”, título atribuído pela Associação de Municípios Portugueses do Vinho e que anualmente distingue um concelho “símbolo do desenvolvimento vitivinícola”.

Naquele ano, a vila foi palco de várias iniciativas ligadas à vitivinicultura e, também no âmbito da estratégia, o município criou, em 2015, a Feira do Vinho e do Cante para promover sobretudo os vinhos da sub-região vitivinícola de Vidigueira, em especial os brancos.

O desenvolvimento do setor do vinho permitiu também o dinamismo da oferta turística associada no concelho, onde existe o Itinerário Cultural da Vinha de S. Cucufate e nove dos 13 produtores dispõem de ofertas de enoturismo, como visitas guiadas a vinhas e adegas e provas de vinho.

Em termos históricos, o concelho de Vidigueira, lembra o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Francisco Mateus, “aparece sempre como uma referência para a produção de vinhos, sobretudo brancos de qualidade”.

Ao nível da vinha, destaca-se a casta Antão Vaz, originária de Vidigueira e que se espalhou por todo o Alentejo e é “a que mais diferencia os vinhos brancos” alentejanos, “por ser única no mundo” e originar vinhos “de qualidade e muito apreciados”, frisa Francisco Mateus.

O concelho está integrado e dá o nome à sub-região vitivinícola de Vidigueira, que abrange também os concelhos de Cuba e Alvito, num total de 2.400 hectares, os quais representam 12% da área de vinha no Alentejo, e onde há 20 produtores, 19 privados e a ACVCA, que, em 2015, produziram cerca de 13 milhões de litros de vinho, indica.

Só a ACVCA, que tem mais de 300 viticultores associados, mais de 200 clientes portugueses e exporta para Angola, Bélgica, Brasil, Canadá e Cabo Verde, vendeu quase 5,9 milhões de litros de vinho em 2015, num volume de negócios de 8,2 milhões de euros, segundo dados prestados à Lusa pela adega.

A sub-região vitivinícola de Vidigueira tornou-se famosa pelos vinhos brancos e é a que tem “maior proporção de produção de brancos no Alentejo, onde a área de vinha de uvas brancas representa 42% da superfície vitícola, refere Francisco Mateus.

Segundo o responsável da CVRA, os produtores de Vidigueira têm demonstrado “um grande dinamismo” na promoção dos vinhos e da sub-região vitivinícola, que tem “características únicas” e “tem sido profícua no surgimento e na melhoria” das ofertas de enoturismo.

Dos 20 produtores da sub-região vitivinícola de Vidigueira, oito integram a Rota dos Vinhos do Alentejo e há “projetos muito interessantes”, frisa Francisco Mateus, destacando o da associação “Vidigueira Wine Lands”, criada por sete produtores da região para promoverem os seus vinhos.

Francisco Mateus destaca ainda a importância da produção de vinho de talha no concelho de Vidigueira, sobretudo em Vila de Frades, onde, desde 1997, todos os anos, a Vitifrades – Associação de Desenvolvimento Local de Vila de Frades, promove as Festas Báquicas.

As festas promovem o vinho de talha, que é produzido em grandes vasilhas de barro, chamadas talhas, que são uma técnica ancestral de vinificação com origem nos romanos.

Atualmente, frisa Francisco Mateus, a produção de vinho de talha “está em voga a nível mundial” e o Alentejo e a Geórgia são as duas regiões do mundo “onde esta tradição se perpetuou no tempo, sem nenhuma interrupção”.

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